A osteonecrose da cabeça femoral é uma doença incapacitante que provoca diversas limitações nas atividades da vida diária e na própria deamb...

Tratamento fisioterapêutico da osteonecrose da cabeça do fêmur


A osteonecrose da cabeça femoral é uma doença incapacitante que provoca diversas limitações nas atividades da vida diária e na própria deambulação.2 Caracteriza-se pela morte do tecido ósseo em decorrência da privação de suprimento sangüíneo podendo ser de origem traumática, devido a fraturas, luxações e ampla desnudação do periósteo, ou não traumática em decorrência de longos períodos de corticoterapia, doenças metabólicas entre outras. É também designada por necrose avascular, necrose isquêmica ou necrose asséptica.1,9,10,14

Rockwood (1993) descreve a necrose asséptica como uma complicação microscópica e precoce que ocorre em conseqüência da isquemia tissular e a diferencia do colapso segmentar tardio que se caracteriza pelo colapso do osso e da cartilagem adjacente ao osso necrosado e produz processos degenerativos da articulação acometida.

As fraturas proximais do fêmur, os métodos de fixação dessas fraturas e as luxações acentuadas da articulação coxo-femoral podem interromper o aporte sangüíneo da região desencadeando um processo de necrose avascular de origem traumática. A principal fonte de irrigação sangüínea da cabeça do fêmur advém da artéria circunflexa femoral medial que na fossa troncantérica origina os vasos retinaculares que percorrem todo colo até atingir a borda cartilaginosa da cabeça femoral. A artéria circunflexa femoral lateral irriga o trocânter maior e se ramifica juntamente com a circunflexa femoral medial.1,6,11 As fraturas transtrocantéricas são as fraturas mais comuns do terço proximal do fêmur, no entanto as fraturas do colo do fêmur são as que mais comumente produzem necrose isquêmica justamente pela anatomia vascular da região.6,11,12

Anualmente ocorrem cerca de 10 a 20 mil novos casos de osteonecrose somente nos Estados Unidos, afetando a população em sua fase mais produtiva. A idade média é de 30 a 40 anos, sendo o sexo masculino mais acometido que o feminino.2

Na fase inicial da doença pode-se constatar radiologicamente preservação do espaço articular, mas com a evolução do quadro patológico a cabeça femoral perde sua configuração esférica e o espaço articular vai reduzindo chegando a desenvolver processo de osteoartrose do quadril.11

A classificação da necrose avascular do quadril utiliza o sistema de Ficat que correlaciona os sintomas apresentados com as alterações radiológicas. Com o advento tecnológico e o uso da ressonância magnética surgiram outros métodos de classificação que também são bastante utilizados, o mais útil deles é o Sistema da University of Pennsylvania que baseia-se nas alterações radiográficas apresentadas.1

A artroplastia total do quadril é um método categórico no tratamento de osteonecrose da cabeça femoral, mas a idade dos pacientes influencia muito na escolha do procedimento cirúrgico. Como a faixa etária acometida pela osteonecrose do quadril varia entre 20 a 50 anos a protetização total do quadril traz resultados desfavoráveis. Entretanto, existem diversos estudos que relatam novas técnicas de tratamento a fim de adiar ao máximo a artroplastia, entre elas citamos a CD (“core descompression”) método caracterizado pela formaçao cirúrgica de túneis ósseos para descomprimir a medular e propiciar a neovascularização do local afetado. A osteotomia transtrocantérica de rotação de Sugioka visa mudar o centro de carga da cabeça femoral afastando da área necrótica. Um dos procedimentos mais utilizados é a descompressão da área necrosada com enxertia óssea (da tíbia ou fíbula).3,5,9

Materiais e métodos

Este estudo relata o caso de P.R.L.N., de 24 anos, sexo masculino, destro, mecânico naval e velejador, que apresenta um quadro de osteonecrose pós-traumática da cabeça femoral esquerda.

O instrumento de coleta utilizado foi a ficha de avaliação da Clínica de Prevenção e Reabilitação Física da UDESC na qual constavam os dados referentes ao exame físico como inspeção, palpação, goniometria, perimetria, testes de força muscular e avaliação postural.

A anamnese registrou as informações relatas pelo paciente sobre a história natural da doença (mecanismo de lesão, sintomatologia, evolução do quadro patológico, limitações nas AVD’s) e história pregressa. Foi utilizado também o Índice de Severidade da Osteoartrose do Quadril de Lequesne et al 15 e o Método de graduação funcional do Quadril de Merle D’Aubigné & Postel 9 (Quadro 1).

Quadro 1. Método de graduação funcional do Quadril de Merle D’Aubigné & Postel

Escala

Dor

Mobilidade

Caminhar

0

Intensa e Constante

Anquilose com posição ruim do quadril

Não consegue

1

Intensa mesmo á noite

Nenhum movimento, dor ou ligeira deformidade

Apenas com muletas

2

Intensa, impede qualquer atividade

Flexão < 40°

Apenas com bengalas

3

Tolerável c/ atividade limitada

Flexão 40-60°

C/ bengala por menos de 1 hora, s/ bengala muito difícil

4

Leve quando anda e desaparece com o repouso

Flexão 60-80°; consegue alcançar os pés

Longo tempo c/ bengala, curto tempo s/ e c/ claudicação

5

Leve e inconstante; atividade normal

Flexão 80-90°; abdução ao menos 15°

S/ bengala, mas c/ claudicação

6

Sem dor

Flexão >90°; abdução de 30°

Normal

Fonte: Revista Brasileira de Ortopedia9

O paciente relata ter sofrido um acidente automobilístico há dois anos onde fraturou o terço proximal do fêmur esquerdo (fratura transtrocantérica), que foi reduzida cirurgicamente através da aplicação de parafuso de fixação dinâmica (DHS) e placa de estabilização trocantérica. Apresentou infecção no pós-operatório que foi controlada com antibioticoterapia. Faz uso de muletas desde a cirurgia e refere que após, aproximadamente, sete meses do acidente iniciaram os primeiros sintomas tais como dor, incapacidade de apoiar peso e dificuldade de movimentar o membro inferior esquerdo (MIE). Desde então os sintomas se agravaram e o mesmo notou a presença de estalidos durante a movimentação ativa do quadril afetado. As limitações nas AVD’s progrediram impedindo-o de velejar e dificultando o seu trabalho como mecânico, no entanto ainda continua trabalhando.

Em janeiro de 2006 realizou exame radiológico cujo laudo registrou fratura do terço proximal do fêmur esquerdo reduzida com osteossíntese e consolidada, apresentando esclerose óssea da cabeça femoral esquerda sugestiva de osteonecrose e redução do espaço articular da coxo-femoral esquerda (fig. 1). Em abril de 2006 foi submetido à cirurgia para retirada da placa e do DHS (fig. 2) e no final do mesmo mês procurou atendimento fisioterapêutico.

Cabe ressaltar que há quatro anos o paciente sofreu luxação do quadril direito (contralateral) devido a um acidente de motocicleta. Realizou redução cirúrgica e apresenta cicatriz na lateral do fêmur direito.

Figura 1. Radiografia da cabeça do fêmur de 01/2006: controle de osteossíntese

Figura 2. Radiografia da cabeça do fêmur após retirada da DHS e da placa em 04/2006

A avaliação fisioterapêutica foi realizada no dia 26 de abril de 2006 na Clínica de Prevenção e Reabilitação Física da UDESC e as queixa referidas pelo paciente foram dor durante a movimentação ativa do quadril esquerdo, fraqueza muscular e dificuldade de caminhar descarregar peso no MIE. No momento o paciente não faz uso de medicamentos e aguarda artroplastia total do quadril.

À inspeção constatou-se postura antálgica e claudicação durante a marcha com muletas, redução da amplitude de movimento do MIE, crepitação e estalidos audíveis durante movimentação do quadril esquerdo, diferença de trofismo entre os membros inferiores confirmada na perimetria descrita abaixo cujo ponto de referência (0 cm) utilizado foi o platô tibial (tabela 1).

Tabela 1. Perimetria dos membros inferiores

Coxa

Perna

0 cm

10 cm

20 cm

30 cm

10 cm

20 cm

30 cm

MIE

35,0

35,5

40,0

45,5

30,0

28,5

22,0

MID

34,0

37,0

44,5

49,5

32,0

29,0

22,0

MI: membro inferior; E: esquerdo; D: direito.

À palpação verificou-se uma leve hipotonia do MIE em comparação com o membro contralateral, cicatriz na região lateral da coxa esquerda com alguns pontos de aderência e cicatriz na região da lateral coxa direita. Foi também avaliada a discrepância de membros inferiores não sendo constatada significativa diferença. Na goniometria foram avaliadas as amplitudes de movimento ativa de ambas as articulações coxo-femorais (tabela 2). O paciente apresentava incapacidade de realizar a movimentação do quadril esquerdo associada à flexão do joelho por isso não foi realizada a goniometria desses movimentos. O exame da força muscular (FM) avaliou os principais grupamentos musculares do quadril e do joelho e está descrito na tabela 3.

Tabela 2. Goniometria da articulação coxo-femoral

Movimento

Grau(°)

Flexão

Extensão

Abdução

Rotação Externa

Rotação Interna

MID

MIE

68°

18°

32°

40°

30°

60°

10°

26°

26°

20°

Tabela 3. Prova de função muscular dos membros inferiores

Grupo Muscular

Grau de FM

Flexores do Quadril

Extensores do Quadril

Abdutores do Quadril

Flexores do Joelho

Extensores do Joelho

MIE

3

3

3

3

4

MID

5

5

5

5

5

Os testes especiais realizados foram Tomas, que resultou positivo demonstrando o encurtamento dos músculos isquiotibiais, principalmente do membro inferior direito, e Trendelenburg que teve resultado negativo para ambos membros inferiores.

À avaliação postural verificou-se que paciente apresenta alterações compensatórias a diminuição da mobilidade do quadril esquerdo, a dor, bem como forma de proteção. Dentre essas alterações encontramos: inclinação pélvica para direita, anteversão pélvica, rotação pélvica para direita, rotação interna dos joelhos e hiperextensão do joelho direito.

O resultado do Índice de Severidade da Osteoartrose do quadril de Lequesne et al, que avalia as principais dificuldades encontradas pelo paciente nas atividades da vida diária como caminhar, ficar muito tempo numa mesma posição, dormir, calçar sapatos entre outras, constatou extrema severidade, visto que na soma total o paciente alcançou 17 pontos.

No método de graduação funcional do Quadril de Merle D’Aubigné & Postel 9, o paciente se enquadra no grau 4 da escala apresentando dificuldade para andar sem o auxílio das órteses e com limitação de mobilidade.

Resultados

O tratamento fisioterapêutico de um quadro de osteonecrose traumática da cabeça femoral associada com osteoartrose da articulação coxo-femoral é bastante limitado. O objetivo principal é manter a função do membro acometido, diminuir a crepitação e os estalidos através da mobilização articular, promover a conscientização corporal evitando as compensações posturais, treinar a marcha com órteses e preparar o paciente para uma possível intervenção cirúrgica. 8,13

As três (3) sessões realizadas com o paciente deste estudo basearam-se na aplicação da cinesioterapia através de alongamentos ativos dos principais grupamentos musculares de membros inferiores com auxílio de faixas elásticas, Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva (inibição autogênica), mobilizações ativas do quadril em todas as amplitudes usando a bola bigeminada, a bola suíça e exercícios na bicicleta estacionária.7,8,13

Devido ao quadro patológico avançado do paciente, a algia e as restrições de mobilidade, bem como, as restritas sessões fisioterapêuticas, não pode ser visualizada evolução clínica. Foi percebida apenas uma melhora na conscientização corporal e a diminuição das crepitações após as mobilizações do quadril.

Considerações finais

Este estudo foi realizado com intuito de relatar um caso de osteonecrose pós-traumática da cabeça femoral e através da revisão bibliográfica elucidar o quadro patológico dessa incapacitante enfermidade que acomete indivíduos jovens.

A principal queixa referida foi perda da mobilidade articular pela avançada incongruência e diminuição do espaço articular que dificultou o tratamento fisioterapêutico. Visto que o paciente encaminha-se para a artroplastia total do quadril a fisioterapia foi baseada em minimizar as dificuldades relatadas pelo paciente.

Referências bibliográficas

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    Deitada com os pés apoiados no chão e a coluna lombar encostada no apoio. Entrelaçar os dedos e levar os braços esticados em direçã...

Alongamentos para hérnia de disco


    Deitada com os pés apoiados no chão e a coluna lombar encostada no apoio. Entrelaçar os dedos e levar os braços esticados em direção oposta ao corpo. Mantenha o alongamento por 10 segundos e relaxe.

    Em pé mantendo os pés ligeiramente afastados e joelhos soltos, solte o corpo para frente sem tensões. Sinta o alongamento dos músculos posteriores da perna e coluna. Mantenha o alongamento por 15 segundos e volte à posição inicial, endireitando o corpo de baixo para cima, sendo a cabeça a última parte a se endireitar.

    Em pé, quadril encaixado, joelhos soltos, leve os braços estendidos para cima. Mantenha o alongamento por 10 segundos e relaxe.

    A partir da posição inicial do exercício anterior, incline o corpo para um lado. Mantenha o alongamento por 10 segundos e relaxe. Faça o mesmo para o outro lado.

    Deitada com as pernas flexionadas e com os pés apoiados no chão. Certifique-se que a coluna lombar esteja totalmente encostada no apoio. Com o auxílio de uma toalha em volta de um pé, estique uma das pernas de forma que a coxa fique em ângulo reto com o quadril. Os músculos do pescoço e ombros devem permanecer relaxados. Sinta o alongamento dos músculos posteriores da coxa e da barriga da perna. Mantenha o alongamento por 15 segundos e relaxe. Repita o exercício com a outra perna.

    Incline o corpo e apóie os braços sobre uma mesa, mantendo o quadril fletido, joelhos soltos e a região lombar reta. Estenda os joelhos suavemente. Certifique-se que sua coluna esteja reta, pois este exercício mal feito poderá afetar a sua coluna. Mantenha o alongamento por 20 segundos e relaxe, levantando o corpo lentamente, de forma que a cabeça seja a última a se endireitar.

Através desse estudo será provado que os músculos quando alongados, podem oferecer um ganho de amplitude de movimento na articulação do ombr...

Alongamento de Isquiotibiais, Adutores e Glúteos no Ganho de Amplitude de Movimento do Ombro


Através desse estudo será provado que os músculos quando alongados, podem oferecer um ganho de amplitude de movimento na articulação do ombro.

Músculos que realizam a retroversão da pelve: Reto do abdome e oblíquos externo e interno, glúteo máximo, glúteo médio, semitendinoso, semimembranoso e adutor magno.

Efeitos da retroversão da pelve: A pelve inclina-se para trás, as articulações do quadril se estendem e a coluna lombar se retifica, levando a uma postura de dorso plano, que pode resultar de um encurtamento dos músculos isquiotibiais.


2. CONCEITOS:

Mobilidade

O termo mobilidade pode ser descrito como a habilidade das estruturas ou segmentos do corpo de se moverem ou serem movidos, permitindo que haja amplitude de movimento para atividades funcionais.

Como está relacionada a arco de movimento funcional, a mobilidade está associada à integridade articular e a flexibilidade que são necessárias para que os movimentos do corpo ocorram sem dor e sem restrições durante tarefas funcionais da vida diária.

Qualquer fator que limite a mobilidade, ou seja, que cause diminuição na extensibilidade dos tecidos moles, pode também comprometer o desemprenho muscular.

A hipomobilidade (mobilidade restrita) causada pelo encurtamento adaptativo dos tecidos moles pode ocorrer como resultado de vários distúrbios ou situações.

Flexibilidade

É a capacidade de mover uma única articulação ou uma série de articulações de modo suave e com facilidade, ao longo de um arco de movimento sem restrições e indolor. Está relacionada com a extensibilidade das unidades musculotendíneas que atravessam uma articulação, com base em sua habilidade de relaxar e ceder a uma força de alongamento.

Contratura e encurtamento

Contratura é definida como encurtamento adaptativo da unidade musculotendínea e outros tecidos moles que cruzam ou cercam uma articulação e resulta em resistência significativa ao alongamento passivo ou ativo e na limitação do arco de movimento, podendo comprometer as habilidades funcionais.


3. ANATOMIA:

Músculos envolvidos nesse estudo:

Grande dorsal

Origem: Processos espinhosos de T6 a T12, crista ilíaca e 3 a 4 costelas inferiores.
Inserção: Assoalho do sulco intertubercular do úmero.

Atividade funcional do grande dorsal.

É um músculo que tem como função extensão, adução e rotação medial do úmero. Além disso, levanta o corpo durante a escalada.

O grande dorsal é capaz de puxar o tronco para frente em relação aos braços, associado com isso, há um levantamento da pelve.

Adutor Magno

Origem: Ramo inferior do púbis, ramo e tuberosidade do ísquio.
Inserção: Lábio Medial da linha áspera, tuberosidade e tubérculo dos adutores.

Atividade funcional do adutor magno

O músculo adutor magno realiza adução, rotação lateral, flexão (parte mais anterior) e extensão (parte mais posterior).

Glúteo máximo

Origem: Face posterior da asa do ílio, face posterior do sacro, aponeurose toracolombar, ligamento sacrotuberal.
Inserção: Tíbia abaixo do côndilo lateral. Entre o trocanter maior e o trato iliotibial fica abolsa trocantérica do músculo glúteo máximo – Porção mais cranial.
Tuberosidade glútea, septo intermuscular lateral da coxa – Porção mais caudal.

Atividade Funcional do Glúteo máximo
O glúteo máximo tem como função extensão, rotação lateral e abdução do quadril na porção mais cranial e extensão, rotação lateral e adução do quadril na porção mais caudal. Também realiza extensão de joelho.

Glúteo médio

Origem: Face glútea da asa do ílio (entre a linha glútea anterior e posterior)
Inserção: Trocanter maior (ponta e margem mais lateral)

Atividade funcional do glúteo médio
O glúteo médio realiza abdução, flexão e rotação medial do quadril na porção mais ventral e abdução, extensão e rotação lateral do quadril na parte mais dorsal.

Semitendinoso

Origem: Túber isquiático (unido à cabeça longa do músculo bíceps da coxa)
Inserção: Tuberosidade da tíbia (Face medial)

Atividade funcional do semitendinoso
O semitendinoso realiza extensão, adução e rotação medial do quadril e flexão e rotação medial do joelho.

Semimembranoso

Origem: Túber isquiático
Inserção: Extremidade proximal da tíbia ( abaixo do côndilo medial ), parte inferior da cápsula do joelho, ligamento poplíteo oblíquo, fáscia do músculo poplíteo.

Atividade funcional do semimembranoso
O semimembranoso realiza extensão, adução e rotação medial do quadril e flexão e rotação medial do joelho.

4. Métodos:

O método de trabalho será realizado em alongamentos.

Resposta ao alongamento:

Quando um músculo é alongado e aumenta de comprimento, a força de alongamento é transmitida para as fibras musculares por meio do tecido conjuntivo para dentro e ao redor das fibras.

Velocidade do alongamento

Para assegurar o máximo relaxamento muscular, a velocidade do alongamento deve ser lenta. A força do alongamento deve ser aplicada e liberada gradualmente. O alongamento lento afeta as propriedades viscoelásticas do tecido conjuntivo, tornando-o mais complacente.

Frequência do alongamento

A frequência recomendada para o alongamento baseia-se na causa subjacente ao comprometimento da mobilidade e na gravidade da contratura.

Modo de alongamento

É essencial que o músculo encurtado permaneça relaxado e que os tecidos conjuntivos restritos cedam o mais facilmente possível ao alongamento.

Intensidade do alongamento

É determinada pela carga colocada sobre o tecido mole para alongá-lo. Há um consenso geral entre clínico e pesquisadores de que o alongamento deve ser aplicado com baixa intensidade por meio de uma carga leve.

O alongamento de baixa intensidade torna a manobra mais confortável para o paciente e minimiza a defesa muscular voluntária ou involuntária, já que o paciente pode permanecer relaxado ou auxiliar na manobra de alongamento. O alongamento de baixa intensidade resulta em ótimas taxas de melhora no arco de movimento sem expor os tecidos, possivelmente enfraquecidos a cargas excessivas e lesão potencial. Tem sido mostrado também que o alongamento de baixa intensidade alonga o tecido conjuntivo denso, um componente significativo das contraturas crônicas, mais efetivamente, com menos danos aos tecidos moles e menos dor muscular pós-exercício do que o alongamento de alta intensidade.

Duração do alongamento

Refere-se ao período durante o qual uma força de alongamento é aplicada mantendo os tecidos encurtados na posição alongada. Inúmeras combinações têm sido estudadas.

Cipriani et al. afirmou que 2 repetições de 30 segundos de alongamentos dos músculos isquiotibias eram igualmente efetivas quando comparadas com 6 repetições de alongamentos de 10 segundos.

Madding et al. afirmou que a duração do alongamento de adutores mais favorável ao ganho de extensibilidade é de 15 segundos. O estudo contava com três grupos (15 segundos, 45 segundos e 2 minutos). Após o experimento todos apresentavam ganho de arco de movimento. O alongamento de 15 segundos apresentou ganho semelhante ao de 2 minutos e maior que o de 45 segundos. Indicando que o alongamento de 15 segundos é o mais indicado para adutores.

Madding et al. também afirmou que a duração do alongamento de glúteo máximo e glúteo médio mais favorável ao ganho de extensibilidade é de 20 segundos.

Apesar de numerosos estudos, ainda falta um consenso sobre a combinação “ideal” de um ciclo único e o número de repetições de alongamento que devem ser aplicadas em um programa diário para obter ganhos maiores e mais sustentáveis no arco de movimento. A duração do alongamento precisa ser colocada no contexto de outros parâmetros, como intensidade, frequência e modo de alongamento.

Nesse estudo usamos a afirmação de Cipriani et al. para alongamentos de isquiotibiais. Realizamos duas repetições de 30 segundos nos músculos isquiotibiais. Usamos também a afirmação de Madding et al. para alongamento de adutores. Realizamos uma repetição de 15 segundos nos adutores. E também a afirmação de Madding é usada para alongamentos de glúteos máximos e médios. Realizamos uma repetição de 20 segundos nos glúteos máximo e médio.

5. RESULTADOS:

Foram realizados testes em 40 pacientes de ambos os sexos e com diferentes faixas etárias com arco de movimento incompleto para flexão e abdução de ombro num período de 01 semana numa clínica da Zona Norte do Rio de Janeiro.

Desses 40 pacientes, todos ganharam arco de movimento após o alongamento dos músculos em questão.
Os alongamentos foram realizados de acordo com a afirmação supracitada, ou seja: 02 repetições de 30 segundos nos isquiotibiais, 01 repetição de 15 segundos para os adutores e 01 repetição de 20 segundos para os glúteos máximo e médio.

Os ganhos variaram de 10° a 60° de flexão e 15° a 60° de abdução.
Esses mesmos pacientes na semana seguinte, sem serem alongados, não apresentaram ganho dos movimentos pelo encurtamento da musculatura estudada.

O procedimento aplicado nos pacientes foi somente o alongamento dos músculos em questão. Após a medição dos ganhos, foi aplicado o recurso fisioterapêutico adequado para cada tipo de caso.

6. CONCLUSÃO:

Em uma análise cinesiológica vamos perceber que a tensão gerada sobre o grande dorsal, que é um músculo rotador medial vai interferir na rotação lateral que o úmero realiza próximo dos 90 graus de abdução para que o arco de movimento seja pleno. Essa tensão pode ser ocasionada por um encurtamento isolado do grande dorsal ou um encurtamento de um músculo retroversor da pelve, já que o grande dorsal é um antagonista para esse movimento (anteversor). Temos tensões que são ofensivas e tensões que são defensivas. No caso da pelve em retroversão, o grande dorsal passa a trabalhar como tensão defensiva e para não ficar em uma situação de “sofrimento excêntrico”, traciona sua outra inserção, que fica no úmero e tende a posicioná-lo em rotação medial (sulco delto-peitoral mais pronunciado e epicôndilos do úmero rodados medialmente são alguns indícios do úmero em rotação medial). Essa situação vai interferir na rotação lateral necessária próximo dos 90 graus de abdução para que se possa completar o arco de movimento.

Referências bibliográficas

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Palastanga, Nigel et al. Anatomia e movimento humano: Estrutura e funcionamento. Ed. Paidatralo, 3° ed., 1999

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SOBOTTA, Johannes. Atlas de Anatomia Humana. Ed. Guanabara Koogan, 22° ed. 2006

Trabalho realizado por:

Paulo Henrique Delgado da Cunha.

Fonte: http://www.fisioweb.com.br/portal/artigos/categorias/50-art-variedades/1139-alongamento-de-isquiotibiais-adutores-e-gluteos-no-ganho-de-amplitude-de-movimento-do-ombro.html

O complexo articular do joelho é formado pela articulação patelofemural e tibiofemural. A parte óssea da articulação tibiofemural é compos...

Efeitos de um Protocolo Fisioterápico no Pós-operatório de fratura de Platô Tibial


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O complexo articular do joelho é formado pela articulação patelofemural e tibiofemural. A parte óssea da articulação tibiofemural é composta pela região distal do fêmur e a proximal da tíbia, também chamada de platô tibial (Kisner e Colby, 2003). O platô tibial corresponde a dois côndilos separados por um vão ósseo, que é fraco, aumentando, assim, as chances de se sofrer uma fratura (Calliet, 2001).

Embora as fraturas do planalto tibial correspondam a apenas 1% de todas as fraturas do esqueleto, nos últimos anos, elas têm tido um alto grau de significância, devido aos acidentes automobilísticos (Schwartsmann, 2003). Além disso, outros fatores podem levar a fratura de platô tibial, como osteoporose, quedas, atropelamentos, torções e golpes, entre outros. Dessa forma, forças em valgo, varo ou compressiva
podem resultar em fratura de platô lateral, medial ou bicondilar (Hall e Brody, 2001).
O tratamento da fratura do platô tibial pode ser fechado, na qual são usados tala ou tração, ou aberto, em que há intervenção cirúrgica com colocação de pinos, placas, parafusos. Segundo Schwartsmann et al (2003), para que haja indicação de tratamento cirúrgico, a fratura deve ser do tipo exposta, com deslocamento articular ou com desvio de 2,5mm.

O tratamento fechado tem como conseqüência maior tempo de imobilização. No aberto, por sua vez, poderá haver mobilização precoce, porém esse método torna a fratura suscetível à infecção, devido ao ato cirúrgico e/ou reação ao material metálico dos pinos e placas. (Manole, 2002).

A fisioterapia é fundamental na fase pós-fratura e pode ser iniciada após cirurgia. Em casos em que há somente imobilização, a terapia inicia-se quando há consolidação. O protocolo usado tem como finalidade diminuir o edema, recuperar amplitude de movimento, fortalecer a musculatura e fazer a reeducação da função do local atingido (Thonson et al, 2002).

O presente estudo tem como objetivo avaliar os efeitos de um protocolo de fisioterapia no pós-operatório de platô tibial.

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O supra espinhoso é um músculo da cintura escapular que nasce nos dois terços mediais da fossa supra-espinhal e da fáscia suprajacente, cujo...

Proposta de tratamento fisioterapêutico no ganho de amplitude de movimento no pós operatório de reconstrução do músculo supra espinhoso


O supra espinhoso é um músculo da cintura escapular que nasce nos dois terços mediais da fossa supra-espinhal e da fáscia suprajacente, cujo tendão de inserção está intimamente associado à cápsula da articulação do ombro e superiormente se fixa a mais alta das três facetas do tubérculo maior do úmero. Este músculo, juntamente com o deltóide, é responsável pela abdução do braço (GARDNER, GRAY & O’RAHILLY, 1988). O músculo supra espinhoso juntamente com os músculos subescapular, infra espinhoso e redondo menor formam o manguito rotador.

As roturas do manguito rotador do ombro apresentam, a partir dos 40 anos de idade, um nítido aumento de sua incidência, devido às alterações degenerativas dos tendões, que ocorrem com o envelhecimento (OESTERN et al, 1993).

O local mais vulnerável a estas lesões é o das fibras de Sharpey, onde os tendões inserem-se no osso; principalmente durante o movimento de abdução do ombro, em que ocorre considerável aumento de pressão sobre o local de inserção tendinosa. A compressão do tendão nesse ponto origina alterações da vascularização tendinosa, propiciando degeneração dos tenócitos, que seria a alteração estrutural básica da estrutura tendinosa. A expressão máxima desses fenômenos que ocorrem no interior dos tendões seria a necrose das fibras, com conseqüente rotura do tendão (OESTERN et al, 1993).

As duas abordagens mais comuns para reparar um manguito rompido são os reparos abertos e artroscópico. As rupturas completas pequenas, na presença de um tecido saudável do manguito, têm resultados clínicos favoráveis com a técnica artroscópica. As rupturas grandes e volumosas são reparadas mais prontamente com um procedimento aberto. Os reparos artroscópicos e abertos começam com visualização da ruptura do manguito, descompressão subacromial e acromioplastia (BOYCE & BROSKY, 2004).

O presente estudo tem como objetivo demonstrar um plano de tratamento fisioterapêutico para ganho de amplitude de movimento, proposto a um paciente encaminhado à Clínica de Prevenção e Reabilitação Física da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) no pós-operatório de reconstrução do músculo supra espinhoso do ombro direito.

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Lesões ou doenças que afetam os ossos, músculos e ligamentos estão dentro da área médica da ortopedia. Fisioterapia ortopédica é a área mais...

Um pouco sobre a Fisioterapia na Ortopedia


Lesões ou doenças que afetam os ossos, músculos e ligamentos estão dentro da área médica da ortopedia. Fisioterapia ortopédica é a área mais comum associada a esta profissão, que engloba lesões esportivas, o desgaste, bem como pequenos e grandes traumas, pós-condições cirúrgicas e doenças congênitas.

Esta fisioterapia oferece cuidados pré e pós operatório para os clientes com próteses. O desgaste perante um conjunto requer a substituição, o que leva anos. Junto com isso vão-se os tecidos moles (músculos e ligamentos de adaptação), padrões de marcha mais pobres e os desequilíbrios musculares que podem ser minimizados antes da cirurgia.

Trauma ortopédico ocorre pós acidentes automobilísticos, quedas, acidentes esportivos e alterações artríticas. Seja qual for a patologia, lesões ortopédicas exigem experiência para aconselhar o cliente sobre as questões de mobilidade, exercício adequado e específico. É necessário fortalecer, alongar, e estabilizar o músculo afetado.
Os programas terapêuticos incluem o fortalecimento e alongamento por meio de exercício, otreinamento funcional para caminhadas ou atividades de vida diária, piscina terapêutica, terapia manual para a mobilização articular, equilíbrio reciclagem e recondicionamento aeróbio.

Fisioterapeutas são sempre promovedores e incentivadores dos cuidados à saúde e para ajudar a guias através do processo de reabilitação para que possa retornar à sua vida normal o mais rapidamente possível

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