A musculatura do quadríceps é formada por quatro músculos diferentes (reto femoral, vasto medial, vasto lateral e vasto intermediário). Ele...

Recuperação para lesão no quadríceps








A musculatura do quadríceps é formada por quatro músculos diferentes (reto femoral, vasto medial, vasto lateral e vasto intermediário). Eles tem a  mesma inervação e o mesma inserção. Os quatro músculos juntos são responsáveis pela extensão do joelho. Há alguns autores mencionam outros músculos que compõem o quadríceps, entre eles, o vasto medial oblíquo, porém, sem envolvimento com o fenômeno do estiramento ou lesão. O vasto medial oblíquo é o principal estabilizador da patela.

Existem algumas formas mais comuns de se lesionar um músculo ou vários músculos deste grupamento. As causau mais comuns são:

  • Contração demasiada do músculo quadríceps, com o quadril inicialmente estendido;
  • Alongamento excessivo do quadríceps com o quadril em extensão e o joelho fletido ( exemplo do chute);
  • Encurtamento do quadríceps;
  • Desequilíbrio entre os músculos que compõem o quadríceps;
  • Discrepância no comprimento de membros inferiores.

Há a divisão da lesão em três graus diferentes. Assim fica mais fácil avaliar e tratar cada paciente. 

No grau I,  pode haver a presença ou não de edema, com leve desconforto à palpação. Pode-se apresentar tensão na parte anterior da coxa. A marcha é normal mas o paciente tem a sensação de tensão na coxa. O tratamento neste grau é recomendado fazer a crioterapia, compressão, exercícios isométricos e movimentação ativa imediatamente. Exercícios de fortalecimento progressivos e com resistência devem ser iniciados entre o 1° e o 2º dia da lesão. Alongamento indolor para o quadríceps. A compressão deve ser intermitente até que a dor cesse por completo. Trabalho funcional e proprioceptivo é importante. Se a pessoa for fisicamente ativa os exercícios de fortalecimento podem se iniciar imediatamente. Em princípio pode continuar participando de treinos e competições, a partir de avaliação criteriosa que determine segurança para realização da mesma. Tudo dependerá do feedback do paciente. 

Na lesão pode grau II, a marcha é anormal, com dor súbita e descendente ao longo do reto femoral, edema observável e, dor à palpação. São observadas também alterações na musculatura. Extensão resistida de joelho é dolorosa. O tratamento a ser realizado é gelo e compressão por 24h. Muletas devem ser mantidas por um período de 3 a 5 dias, dependendo da evolução da lesão. Na fase aguda TENS como analgesia. Na fase crônica, ultra-som como regenerador tecidual e, laser como cicatrizante são recursos benéficos ao atleta/desportista. O objetivo é reduzir o edema, controlar o processo inflamatório e a dor, promovendo assim, aumento na amplitude do movimento. Aproximadamente no 3º dia, o atleta se não estiver apresentando dor, os exercícios isométricos podem ser incluídos, além dos exercícios ativos para ganho da amplitude de movimento. Observar a progressão do exercício e a resistência a ser incluída. O gelo deve ser aplicado sempre antes das sessões de tratamento e, após 4º e 7º dia aproximadamente, o calor pode ser incluído antes das sessões. Exercícios de fortalecimento do quadríceps devem perdurar do 7º ao 14º dia, progredindo em seqüência sem dor. Natação e bicicleta ergométrica são bons recursos na recuperação funcional do atleta/desportista. Os exercícios de alongamentos passivos devem ser evitados antes do 7º dia. Trabalho funcional e proprioceptivo ao longo do tratamento é extremamente importante, visando readquirir controle sensório-motor do movimento. Se a pessoa é fisicamente ativa, recomenda-se o afastamento das atividades por um período entre: 7 a 21 dias. Fato que não impede a realização de trabalhos funcionais específicos, penas se for o caso das atividades competitivas, só retornando quando todas as propriedades estruturais e funcionais da musculatura estiverem restauradas.

Na lesão por grau III tem-se uma completa incapacidade funcional para marcha, dor severa e, alteração visível do quadríceps. Pode apresentar um "gap", que se observa por um "buraco" na musculatura. Dor severa à palpação, edema aparece no momento da lesão(em geral). Incapacidade de extensão do joelho.Neste grau de lesão , o paciente  deve usar inicialmente, muletas entre 7 e 14 dias. Gelo, compressão, elevação, modalidades da eletrotermofototerapia, devem ser mantidos até que o atleta/desportista apresente amplitude de movimento total e indolor. Quando então, pode-se iniciar com exercícios isométricos para o quadríceps. Também podemos incluir exercícios ativos para ganho de amplitude de movimento, preocupando-se em evitar o excesso de alongamento do quadríceps. Notar o uso de gelo como pré-cinético para os exercícios cinesioterapêuticos. Usa-se o calor, quando o atleta/desportista estiver com boa angulação de movimento ativo. Trabalho de fortalecimento dentro da água, bem como, bicicleta ergométrica, podem ser incluídos nesta etapa do programa, devendo-se observar a altura do selim, adaptada para acomodar a amplitude de movimento disponível. Exercícios de fortalecimento muscular para o quadríceps devem ser incluídos a partir da terceira semana, observando-se: progressão, resistência e nível de dor. Até a quarta semana, espera-se que o atleta /desportista tenha apresentado amplitude total de movimento, sendo assim, pode-se iniciar com exercícios de alongamentos. Importante lembrar que o trabalho funcional proprioceptivo é extremamente importante. Se for fisicamete ativo, o paciente pode ficar afastado por um período que corresponde 3 a 12 semanas. Neste período todo o trabalho relatado anteriormente, deve ser executado, observando a progressão e intensidade do esforço. Dependendo da gravidade da lesão a intervenção cirúrgica pode ser considerada. Atualmente, a terapia com fator de crescimento, é um recurso que se apresenta de vanguarda para lesões deste grau. Por enquanto, ainda carece de estudos complementares. Entretanto, resultados preliminares apresentados, dão conta de sucesso e retorno rápido do atleta/desportista às suas atividades desportivas.

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