O RPG no tratamento da escoliose


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ESCOLIOSE

É um mecanismo de defesa do corpo para manter as hegemonias (funções: respiratória, alimentar, estática-olhar horizontal, reprodutiva), o equilíbrio ortostático (posição em pé), e combater processos dolorosos.

É considerada uma deformidade da coluna vertebral, caracterizada por lateralização, inclinação e rotação das vértebras que estão comprometidas. Tem como principal fator um componente de "atarrachamento" longitudinal destas vértebras de forma a diminuir o espaço entre elas como se fossem "parafuzando" umas nas outras. Manifesta-se claramente pela formação de curvas na coluna, a qual pode ser única ou várias, levando o organismo a desenvolver desequilíbrios exportados por todo o corpo, para compensar este fator de desarmonia. Tem a tendência de piorar de modo natural, por causa da responsabilidade da musculatura que tornando-se rígida diminui sua flexibilidade, fixando a anormalidade no posicionamento estrutural das vértebras.

CLASSIFICAÇÃO

As escolioses podem ser:

- Escoliose de Adaptação = mecanismo automático de adaptação do organismo a uma nova situação ou de defesa deste.

- Escoliose Malformativa = ocorrem durante a formação do feto, tem caracter geralmente irreverssível, porém há necessidade de trabalho para não piorar a deformidade e não haver dores e complicações viscerais.

- Escoliose Neurológica ou Distrófica = geradas por acometimentos neurológicos e por patologia muscular.

- Escoliose Antálgica = há uma escoliose verdadeira de uma curva que piora devido a um processo doloroso qualquer no organismo, podendo muitas vezes nem ter ligação direta com a coluna.

- Escoliose Idiopática = sem causa aparente, em geral sem queixas sintomáticas, são as mais encontradas, porém com aparente deformidade no corpo.

- Atitudes Escolióticas = sem queixas e sem dores, porém durante o tratamento de RPG, na consulta, há manifestação de dor escondida pelo mecanismo de defesa.

Muitas vezes estão combinadas a outras deformidades da coluna como cifose dorsal, retificação ou inversão de curva dorsal , hiperlordose lombar, hiperlordose ou retifição cervical. Além de poder estar relacionada a várias outras disfunções do organismo como um membro inferior mais curto que o outro, um entorse grave mal curado, complicações na última vértebra lombar, cervicalgias, tensões cervicais de origem musculares, dores de cabeça, problemas referidos durante o parto ou o crescimento, questões viscerais (hérnia de hiato / intestino complicado), má postura pelo uso inadequado de objetos por tempo prolongado, entre outros.

Sua presença e desenvolvimento atinge qualquer idade, sendo que quanto menor a idade pior é seu prognóstico, atualmente há uma predominância grande na adolescência.

Podem ser sintomáticas com presença de dor ou assintomática mostrando apenas modificações no corpo, as quais são notadas por desigualdades no tamanho de membros, um ombro mais elevado que o outro, um lado da cintura mais afinado enquanto o outro está mais reto, um lado do quadril mais baixo que o outro, nas mulheres a impressão de um seio ser maior em relação ao outro, assimetrias na região do tórax e em costelas. Pode ocorrer o comprometimento de órgãos levando a mal funcionamento destes, como por exemplo compressão de um lado do pulmão afetando coração, cólicas intestinais sem outra explicação, cólicas menstruais, distúrbios digestivos, entre outros.

Uma grande complicação da escoliose está relacionada as fases de crescimento, mais especificamente ao pico de crescimento. Nos meninos ocorre em torno dos 13 aos 15 anos e nas meninas dos 11 aos 13 anos, geralmente um ano e meio antes deles entrarem na puberdade, fase mais marcante para as mulheres pois o início da puberdade coincide com a primeira menstruação. Dentro desse período o risco de aumentar a escoliose ou o começo de um processo escoliótico é extremamente grande, devido ao fato de haver um crescimento ósseo mais acelerado em relação ao crescimento muscular. É nessa fase que adolescentes referem muitas dores nas costas e nos membros, principalmente inferiores, as quais denominam-se "dores de crescimento", e tais dores podem estar ou não envolvidas com uma escoliose.

Após esse período o risco de aumentar o grau escoliótico é menor, onde há um processo de desaceleração do crescimento que terá seu fim aos 18 anos em média. Mesmo assim ainda há uma preocupação em relação à fixação da escoliose pela responsabilidade muscular, a qual não acompanhando o crescimento ósseo vai se tornando rígida nas vértebras acometidas e cada vez mais movimentando-as em direção a escoliose, agravando o caso. Diante disso torna-se imprescindível o tratamento quanto antes observada o aparecimento da escoliose.

O diagnóstico clínico é realizado por médico, com preferência um especialista em ortopedia, após é feito o diagnóstico funcional pelo fisioterapeuta. O prognóstico vai depender do grau da curvatura escoliótica e suas complicações, e irá definir qual o melhor tratamento a ser aplicado, se fisioterápico/ RPG, uso de coletes (bons resultados associado ao RPG) ou intervenção cirúrgica.

A Reeducação Postural Global (RPG) tem sido uma das melhores técnicas para a correção de escolioses, mesmo com complicações severas, e até preparatórias à uma cirurgia. A duração do tratamento varia de 6 meses a 2 anos, dependendo da gravidade do caso, com sessões semanais individuais de uma hora. Há necessidade de um acompanhamento de manutenção, principalmente em adolescentes até atingir sua idade adulta.

As vantagens da RPG está em visar restabelecer a funcionalidade e flexibilidade normais novamente a coluna, tem capacidade de moldar a coluna em todas as dimensões, tanto na estrutura articular vertebral como na muscular, reorganizando-a e promovendo uma modelagem estrutural de forma superficial e eficiente na sua correção.

Possui uma visão global do indivíduo em tratamento corrigindo todas as exportações e compensações geradas no organismo pela escoliose, fixando uma nova consciência do esquema corporal normal, redirecionando para a normalidade, aliviando e eliminando dores com eficácia.

Há também um fator importante que é atuação na ajuda psicológica e emocional do paciente, minimizando possíveis traumas e danos pela própria deformidade quanto pelas dores, buscando a cada conquista do tratamento um organismo saudável na sua amplitude.

Elizandra Conte Bruno - eli.conte@terra.com.br
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