Com o aumento da expectativa de vida dos idosos e a consequente ampliação no leque de atividades, incluindo a prática de esportes, tam...

Técnica menos agressiva inova o tratamento das fraturas do fêmur em idosos



Com o aumento da expectativa de vida dos idosos e a consequente ampliação no leque de atividades, incluindo a prática de esportes, também está crescendo o número de registros de quedas e fraturas entre esta população.

Dentre os tipos de fraturas ocasionadas por quedas, as proximais do fêmur (articulação do quadril) são as mais frequentes e também as mais graves. É mais comum em pacientes idosos e mulheres acima dos 60 anos.

De acordo com o ortopedista Rogério Naim Sawaia, do Hospital Samaritano de São Paulo, a taxa de mortalidade para este tipo de fratura é elevado, variando entre 14% e 30% no primeiro ano de pós-operatório. "É um índice maior que infarto de miocárdio e alguns tipos de câncer. É um tipo de fratura que requer muito cuidado", disse.

A grande novidade para o tratamento deste tipo de fratura, utilizada no Hospital Samaritano de São Paulo, é o sistema Minus. Trata-se de uma técnica minimamente invasiva para tratamento com um corte de apenas três centímetros. A técnica convencional para tratamento é a utilização de um pino deslizante extra-medular com via de acesso de dez centímetros.

"O sistema Minus utiliza o mesmo pino deslizante, que sofreu modificações para tornar a técnica menos agressiva, mas é implantado com um corte bem menor. Essa inovação resulta em menos sangramento e menos dor, mantendo a mesma qualidade cirúrgica. Com menos dor, o paciente também toma doses menores de medicamento", explicou dr. Sawaia.

O ortopedista destaca que esta técnica já é usada em cinco países e reduziu a taxa de mortalidade para menos de 10% dos pacientes acometidos pela fratura. Para o médico, a cirurgia minimamente invasiva é um caminho sem volta, porém, sem perder qualidade na redução e estabilização da fratura. "O Sistema MINUS preenche todos estes requisitos, com a vantagem de ser oriundo de um sistema já utilizado, o que reduz significativamente a curva de aprendizado sempre necessária para novas técnicas e implantes", afirmou.

Apesar dos avanços no tratamento, a prevenção das fraturas ainda é o melhor caminho, segundo o ortopedista. Segundo dados do Ministério da Saúde, somente em 2005, foram 1.304 óbitos por fraturas de fêmur. E em 2009 esse número subiu para 1.478.

A queda em pessoas idosas está associada à dificuldade de visão, auditiva, uso inadequado de medicamentos, dificuldade de equilíbrio, perda progressiva de força nos membros inferiores, osteoporose, dentre outras situações clínicas que culminam para maior probabilidade de uma pessoa idosa cair.

Para evitar as quedas, que na maior parte das vezes acontece dentro da própria residência, uma dica é seguir o conceito de Casa Segura. Trata-se de uma série de medidas que visam oferecer aos idosos uma ambientação mais adequada e com menos riscos, desde a disposição de móveis até o sistema de iluminação.


Introdução     As lesões agudas da coluna e medula espinhal estão entre as causas mais freqüentes de incapacidade grave e ...

Intervenção fisioterapêutica em fratura lombar


Introdução

    As lesões agudas da coluna e medula espinhal estão entre as causas mais freqüentes de incapacidade grave e morte após o trauma (BOHLMAN, 1979). Metade dos traumatismos é decorrente de acidentes com veículos motorizados, quedas, acidentes de trabalho, esportivos, e outros decorrentes de ferimento por armas de fogo (BRUNI et al., 2004).

    Noventa por cento de todas as fraturas na coluna vertebral ocorrem na região toracolombar e as fraturas explosivas representam cerca de 10% a 20% dessas lesões (WOOD et al., 2003). As fraturas toracolombares podem ser decorrentes de traumatismo de alta energia ou de traumatismo menos importante associado à osteoporose (HOPPENFELD & MURTHY, 2001).

    As fraturas explosivas são causadas principalmente pela aplicação de carga axial, como numa queda de altura elevada. Essas fraturas caracterizam-se pelo envolvimento das colunas anterior (ligamento longitudinal anterior e região anterior do corpo vertebral) e média (parte posterior do corpo vertebral e ligamento longitudinal posterior), com graus variáveis de retropulsão óssea para o interior do canal e compressão medular (HOPPENFELD & MURTHY, 2001).

    O tratamento cirúrgico tem sido indicado nos pacientes que apresentam lesão neurológica, compressão do canal vertebral superior a 50%, redução da altura do corpo vertebral maior que 50%, cifose superior a 30º ou translação vertebral, sendo estes sinais 2 indiretos de instabilidade do segmento vertebral (DEFINO et al., 2000) . Nesses casos em que há deficiência neurológica, o tratamento visa obter uma restituição neurológica mais completa e rápida possível (SOREFF et al., 1982).

    Segundo Hoppenfeld & Murthy (2001), o tratamento cirúrgico das fraturas espinhais consiste de diversos procedimentos de artrodese anterior e posterior. As opções cirúrgicas são as seguintes:

  1. Instrumentação e artrodese posteriores;

  2. Enxerto estrutural anterior e fixação por placa;

  3. Corpectomia anterior, enxerto estrutural com ou sem instrumentação e fusão posterior com instrumentação.

    Neste último, a coluna vertebral é abordada pela via anterior e posterior (método de Harms ou fusão intersomática lombar transforaminal), sendo realizada a descompressão do canal vertebral quando necessário e são instrumentadas e artrodesadas apenas as vértebras do segmento vertebral atingido. O método de Harms preconiza a reconstrução da parte anterior da coluna, que é a responsável pelo suporte anterior do peso, com enxerto ósseo corticoesponjoso associado à instrumentação anterior pela face lateral dos corpos vertebrais, e instrumentação transpedicular posterior, na qual os implantes atuam como tirantes de tensão (DELFINO et al., 1997).

    Devido à estabilidade proporcionada pelo método de fixação, a utilização de imobilização externa no período pós-operatório não é necessária (OLIVEIRA et al., 2006).

    A lesão da medula espinhal (LME) ocorre em cerca de 15 a 20% das fraturas da coluna vertebral e a incidência desse tipo de lesão apresenta variações nos diferentes países. No Brasil, a incidência é de aproximadamente quarenta casos novos por milhão de habitantes por ano, com um total de seis a oito mil casos anuais (DEFINO, 1999). Os sintomas variam de acordo com o nível da lesão, a extensão e o tempo do acometimento, sendo ainda classificada como completa, quando as funções motora e sensitiva encontram-se interrompidas abaixo do nível da lesão, e incompleta quando existe função motora e/ou sensitiva preservada abaixo da lesão (CAVENAGHI et al., 2005).

    A fisioterapia assume um papel importante tanto na assistência aguda do paciente com LME quanto no atendimento de reabilitação ambulatorial e orientação domiciliar, com o objetivo de promover maior independência e qualidade de vida ao paciente (SARTORI et al., 2009).

    A reabilitação física de tais pacientes se inicia na fase aguda, através dos cuidados preventivos contra a formação de úlceras de pressão e deformidades dos segmentos "paralisados", esvaziamento vesical e intestinal realizado de maneira adequada e cuidados com os distúrbios vasomotores (SARTORI et al., 2009).

    Este estudo tem, portanto, o objetivo de avaliar os efeitos de uma intervenção fisioterapêutica em um paciente com diagnóstico de fratura explosiva de L2 com déficit neurológico submetido a um longo período de internação hospitalar.

Apresentação do caso

    Paciente C. S., do sexo masculino, 49 anos, foi encaminhado ao Hospital Governador Celso Ramos (HGCR) a 15 de abril de 2010, após queda de 8 m de altura, sem perda de consciência. Imediatamente após a queda, refere ter sentido dor lombar forte com déficit sensitivo parcial e motor em membros inferiores, apresentando Frankel B, o qual indica que o grau de deficiência é incompleto, com função sensitiva, porém não motora preservada abaixo do nível neurológico lesionado estendendo-se até os segmentos sacros S4-S5 (BARROS et al., 1994).

    Ao exame radiográfico foi observada fratura explosiva de L2 com estenose completa do canal vertebral por retropulsão óssea, sem outras lesões associadas. Foi realizado descompressão através de artrodese vertebral posteior (AVP) entre L1 e L3 em 18 de abril de 2010.

    No dia 21 de abril de 2010, foi realizado exame de tomografia onde foi observada a presença de estenose residual decorrente do trauma.

    No dia 28 de abril de 2010 foi iniciada a intervenção fisioterapêutica. O atendimento iniciou-se com a avaliação neurológica motora e sensitiva.

    No dia 03 de maio de 2010, paciente foi submetido à artrodese vertebral anterior (AVA) com colocação de cage intersomático, como complementação da AVP com o objetivo de realizar a descompressão completa do canal vertebral.

    Os medicamentos em uso pelo paciente incluíam: dipirona, tramal, plasil, antak, polaramine e clexane. A dieta era administrada por via oral, com restrições devido ao paciente ser portador de Diabetes Melitus. Paciente apresentava placa de compressão metálica na região do tornozelo devido a uma fratura de tíbia esquerda, decorrente de um atropelamento ocorrido há 18 meses antes da lesão atual.

    Ao exame de sensibilidade, realizado no primeiro atendimento fisioterapêutico (dia 28 de abril), o paciente apresentou alteração referente aos níveis L2, L3, L4, L5, S1 e S2 em membro inferior direito, quando foi testada a sensibilidade dolorosa. Não houve alteração de sensibilidade dolorosa em membro inferior esquerdo, nem em relação à sensibilidade tátil em ambos os membros inferiores.

    Em relação à função motora (tabela 1), foram avaliados os "músculos-chave" dos cinco miótomos referentes aos membros inferiores (DEFINO, 1999):

Tabela 1. Resultados da avaliação da função motora

Miótomo

Força Muscular

L2 (flexores do quadril)

2

L3 (flexores do joelho)

1

L4 (dorsiflexores do tornozelo)

0

L5 (extensor longo dos dedos)

0

S1 (flexores plantares do tornozelo)

0

Plano e objetivos de tratamento

    De acordo com Sartori et al. (2009), a reabilitação de pacientes com LME deve incluir a prevenção de deformidades e complicações, maximização da função muscular remanescente e da função respiratória, treino de transferências e trocas de posturas, manuseio da cadeira de rodas, treino de equilíbrio, aquisição de ortostatismo e possível retorno da marcha com uso ou não de dispositivos ortóticos.

Descrição da conduta adotada para execução do tratamento

    Foram realizadas oito sessões de fisioterapia com 50 minutos de duração. Os atendimentos iniciavam com a aferição dos sinais vitais e testes para Trombose Venosa Profunda (TVP), a qual segundo Bruni et al. (2004) é uma complicação decorrente da imobilidade, predispondo o paciente ao desenvolvimento de embolia pulmonar. No entanto, em todas as sessões o paciente apresentou panturrilhas livres.

    Em seguida, eram realizados exercícios de reexpansão pulmonar (propriocepção e respiração diafragmática, inspiração profunda, sustentação máxima da inspiração por cinco segundos e expiração com freno labial). De acordo com Bruni et al. (2004), os problemas respiratórios estão relacionados com o comprometimento da função pulmonar cuja gravidade depende do nível da lesão. Apesar do paciente estudado não apresentar comprometimento pulmonar decorrente da lesão, as alterações motoras e sensitivas decorrentes de uma lesão medular podem desencadear problemas graves da ventilação e infecções pulmonares crônicas, sendo a fisioterapia respiratória uma importante ferramenta que favorece a recuperação das funções pulmonares após procedimentos cirúrgicos, levando à maior recrutamento alveolar, ao aumento da CRF e melhora na capacidade de difusão, além de evitar o acúmulo de secreções (BRUNI et al., 2004; CAVENAGHI et al., 2005; RENAULT et al., 2009).

    Foram realizados exercícios de fortalecimento isométrico para os músculos abdominais (MARQUES &BIGOLIN, 2007), evitando o movimento de flexão do tronco (HOPPENFELD & MURTHY, 2001); bem como exercícios isotônicos para fortalecimento dos músculos flexores do quadril e glúteos (HOPPENFELD & MURTHY, 2001), estes últimos através dos exercícios de "ponte" (SARTORI et al., 2009). Exercícios de resistência muscular foram realizados nos grupos musculares não afetados pela lesão medular, neste caso os membros superiores, para contribuir com a independência funcional e para aumentar a circulação sangüínea colateral (CAVENAGHI et al., 2005). Foram realizados também exercícios de fortalecimento isométrico da musculatura abdominal, com o objetivo de fortalecer a parede anterior, evitando o desenvolvimento de lordose acentuada e danos ao sistema de instrumentação espinhal (HOPPENFELD & MURTHY, 2001).

    Para a manutenção da amplitude de movimento, com o objetivo de evitar o enrijecimento das estruturas musculotendíneas com conseqüente instalação de deformidades e reverter o estado de contratura existente, foram realizados exercícios de mobilização passiva das articulações do tornozelo e do joelho, bem como alongamento do tríceps sural e quadríceps (HOPPENFELD & MURTHY, 2001; CAVENAGHI et al., 2005).

    Nos primeiros atendimentos, não foram permitidos exercícios com a coluna vertebral, para não causar estresse ao local fraturado (HOPPENFELD & MURTHY, 2001). No entanto, após três dias da cirurgia de AVA, liberação da equipe médica e diminuição do nível de desconforto na incisão cirúrgica (HOPPENFELD & MURTHY, 2001), o paciente foi estimulado a sentar-se na posição vertical com elevação do leito a aproximadamente 80 graus, onde foi realizado treino de impulsão com os membros superiores apoiados no leito.

    No dia seguinte, o paciente foi posicionado em sedestação a beira do leito com os joelhos flexionados a 90 graus e pés apoiados, entretanto, paciente necessitou de apoio dorsal para permanecer na posição. A mesma seqüência foi reproduzida na sessão seguinte, no entanto, o paciente recusou-se a passar da posição de sedestação para a ortostática, devido à insegurança em relação à incisão cirúrgica.

    Ao final do atendimento, realizava-se a massagem de Rosing, a qual é realizada várias vezes no abdômen, no sentido da direita para a esquerda e de baixo para cima com leve compressão após as refeições (BRUNI et al., 2004). Pois, além do dano sensitivo e motor, a lesão medular leva, também, a alterações nas eliminações urinária e fecal devido à perda dos controles esfincterianos vesical e anal com conseqüente mudança no padrão dessas eliminações (PADULA & SOUZA, 2007).

Resultados

    Ao final da intervenção fisioterapêutica, que consistiu de oito sessões, o paciente apresentou retorno da sensibilidade dolorosa no membro inferior esquerdo, esse fato pôde ser observado imediatamente após a segunda cirurgia para descompressão do canal medular (dia 04 de abril de 2010).

    Quanto à função motora, avaliada no dia 11 de abril de 2010 após as oito sessões de fisioterapia, não houve alteração do quadro inicial, ou seja, o paciente continuou com controle apenas dos músculos flexores do quadril nos membros inferiores. No entanto, foi possível observar um aprimoramento em relação ao controle e a força muscular durante a realização deste movimento.

    Os exercícios para a manutenção da força muscular mostraram-se efetivos, pois o paciente não apresentou diminuição da potência muscular, principalmente em relação aos membros superiores.

    O paciente foi posicionado em sedestação com os membros inferiores flexionados para fora do leito com os pés apoiados e suporte dorsal. Tal fato é de extrema importância no processo de reinserção do paciente às suas atividades funcionais.

    O paciente não apresentou complicações associadas ao traumatismo raquimedular e ao longo período de imobilização (úlceras de pressão, trombose venosa profunda, infecções pulmonares), este fato pode ser devido ao trabalho preventivo desenvolvido durante as sessões de fisioterapia.

Considerações finais

    A intervenção fisioterapêutica trouxe efeitos benéficos ao paciente, provando ser uma ferramenta eficiente e necessária na prevenção das complicações associadas a um longo período de internação hospitalar e de deformidades articulares decorrentes da imobilização, na manutenção dos níveis de força muscular e amplitude de movimento tanto das articulações não-acometidas quanto das acometidas pela lesão, como também na reinserção do paciente às tarefas funcionais, utilizando ou não dispositivos auxiliares para tal.

    O fisioterapeuta ainda tem o importante papel de orientar o paciente sobre a sua lesão, ajudando, assim, na conscientização e adaptação do paciente a sua nova condição.

Referências bibliográficas

  • BARROS, T. E. P.; OLIVEIRA, R. P.; KALIL, E. M.; PRADA, F. S. Associação Americana de Lesões Medulares: Normas para a classificação neurológica e funcional das lesões da medula espinal. Rev Bras Ortop. vol. 29, n. 3, 1994.

  • BOHLMAN, H. H. Acute fractures and dislocations of the cervical spine: an analysis of three hundred hospitalized patients and review of the literature. J Bone Joint Surg Am; 61:1119-42, 1979.

  • BRUNI, D. S. et al. Aspectos fisiopatológicos e assistenciais de enfermagem na reabilitação da pessoa com lesão medular. Rev Esc Enferm USP; 38:71-9, 2004.

  • CAVENAGHI, S.; GAMA, D.; VALÉRIO, N. I.; MARINO, L. H. C.; RAMIREZ, C. Aplicabilidade intra-hospitalar da cinesioterapia no trauma raquimedular. Arq Ciênc Saúde;12(4):213-15, 2005.

  • DEFINO, H. L. A. Trauma raquimedular. Medicina, Ribeirão Preto, 32: 388-400, 1999.

  • DEFINO, H. L. A.; FUENTES, A. E. R.; REJAILI, W. A. Tratamento das fraturas da coluna toracolombar pelo método de Harms. Rev Bras Ortop. vol. 32, n. 7, 1997.

  • DEFINO, H. L. A.; FUENTES, A. E. R.; REMONDI, P. H.; VALLIM, E. C. Tratamento conservador das fraturas da coluna toracolombar. Rev Bras Ortop. vol. 35, n. 8, 2000.

  • HOPPENFELD, S.; MURTHY, V. L. Tratamento e reabilitação de fraturas. São Paulo: Manole, 2001.

  • MARQUES, D. V.; BIGOLIN, S. E. A avaliação da força abdominal no pré e pós-operatório de sujeitos submetidos à artrodese lombar. Fisioter. Bras;8(5):308-312, 2007.

  • OLIVEIRA, M. P. C.; FRANÇA, L. C. M.; FALCON, R. S.; PORTO FILHO, M. A.; RUGANI, M. G.; FERREIRA JUNIOR, M. A. Artrodese 360° pela técnica TLIF. COLUNA/COLUMNA.5(4):240-246, 2006.

  • PADULA, M. P. C.; SOUZA, M. F. Avaliação do resultado de um programa educativo dirigido a paraplégicos visando o autocuidado relacionado aos déficits identificados na eliminação intestinal. Acta paul. enferm. vol.20, n.2, pp. 168-74, 2007.

  • RENAULT, J. A.; COSTA-VAL, R.; ROSSETTI, M. B.; HOURI NETO, M. Comparação entre exercícios de respiração profunda e espirometria de incentivo no pós-operatório de cirurgia de revascularização do miocárdio. Rev Bras Cir Cardiovasc; 24(2): 165-72, 2009.

  • SARTORI, J. et al. Reabilitação física na lesão traumática da medula espinhal: relato de caso. Rev Neurocienc. 17(4):364-70, 2009.

  • SOREFF, J.; AXDORPH, G.; BYLUNDI, P.; ODÉEN, I.; OLERUD, S. Treatment of patients with unstable fractures of the thoracic and lumbar spine. Acta orthop. scand. 53, 369-381, 1982.

  • WOOD, K.; BUTTERMAN, G.; MEHBOD, A.; GARVEY, T.; JHANJEE, R.; SECHRIEST, V. Operative compared with nonoperative treatment of a thoracolumbar burst fracture without neurological deficit: a prospective, randomized study. The Journal of Bone & Joint Surgery. V. 85-A, n. 5, 2003.

Autora:

Paula Martins Nunes

paulinhamn7@yahoo.com.br

Tendinite comum no meio desportivo, a tendinite da pata de ganso ocorre geralmente por excesso de uso, overuse, sobrecarga e esfor...

Técnicas de Energia Muscular e a Tendinite da Pata de Ganso


Resultado de imagem para pata de ganso



Tendinite comum no meio desportivo, a tendinite da pata de ganso ocorre geralmente por excesso de uso, overuse, sobrecarga e esforço repetitivo. Um estresse biomecânico, provocado por um joelho valgo ou varo, pé pronado ou supinado pode ser um fator preditivo. Pancadas na região também podem provocar a lesão, associando com a bursite da pata de ganso.


Clinicamente, é difícil distinguir qual estrutura está afetada, se é o tendão ou a bursa. A literatura revela que, na maioria dos casos, o problema é de origem bursal. A inflamação da bursa (bursite) pode resultar de um trauma agudo na parte medial do joelho ou por overuse (sobrecarga), na qual há uma fricção repetitiva da bursa entre a tíbia e os tendões devido a estresses em valgo ou uso excessivo dos isquiotibiais, principalmente naqueles que tem um encurtamento dos músculos posteriores da coxa. É comum ocorrer nos esportes que exigem mudanças rápidas e bruscas de direção.

A Influência da técnica de energia muscular na tendinite da pata de ganso.

Tratamento Convencional
Tratamento
• Fase aguda: crioterapia, ultra-som no modo pulsátil, laser e tens, podem ser recursos da eletrotermofoterapia que se aplicam bem ao quadro clínico do paciente. Quando a dor for diminuindo, incluir: exercícios suaves de alongamentos para os referidos músculos (semitendíneo, grácil e sartório), bem como exercícios de fortalecimento, com carga leve e progressiva. Na fase de resolução, incluir exercícios proprioceptivos (sensório-motores) específicos e, exercícios funcionais para retorno breve à prática desportiva. O uso de antiinflamatórios, é um recurso que deve ser utilizado também, de acordo com orientação e critério médico.
• Fase crônica: Calor, ultra-som no modo contínuo, laser como cicatrizante, são recursos benéficos. Entretanto, os exercícios de alongamentos, exercícios de fortalecimento muscular, exercícios proprioceptivos e funcionais são fundamentais no processo de recuperação deste paciente. Bandagens funcionais podem ser utilizadas, bem como palmilhas específicas, caso haja alguma alteração biomecânica que justifique. Em geral, é auto-limitada (melhora com ou sem tratamento), mas o tratamento fisioterapêutico acelera e evita recidivas do quadro clínico.

Técnicas de Energia Muscular
 
A técnica de energia muscular é um método da terapia manual desenvolvida por Fred Mitchell. Pode ser utilizada amplamente em um espectro diverso de disfunções vivenciadas constantemente por fisioterapeutas como, por exemplo: dor miofascial, lombalgia e fibromialgia.

A técnica de energia muscular com relaxamento pós-isométrico (TEM/RPI) é um método manipulativo no qual o indivíduo utiliza ativamente seus músculos a partir de uma posição controlada em uma direção específica contra uma força contrária, a fim de restituir a mobilidade articular e reduzir quadros álgicos decorrentes do espasmo muscular. Baseia-se no fato de que, após uma contração préalongamento de um músculo retraído, esse músculo irá relaxar como resultado da inibição autogênica e será alongado mais facilmente.

Pode ser aplicada para alongar músculos encurtados, fortalecer músculos enfraquecidos e mobilizar articulações com mobilidade restrita.
A figura representa os efeitos fisiológicos da técnica de energia muscular.

A Influência da Técnica de Energia Muscular na Tendinite da Pata de Ganso.

A técnica de energia muscular pode proporcionar uma reabilitação eficiente, acelerada e podendo ainda prevenir futuras lesões. Além de tratarmos a parte afetada "os tendões" poderemos trabalhar a musculatura, a articulação e todo o conjunto e de maneira global promover a saúde do sistema locomotor . A Pata de Ganso é uma importante estrutura anatômica para o membro inferior e que se comprometida pode alterar o funcionamento de outras estruturas por exemplo o joelho. Lembrando que o tratamento tanto convencional quanto a Técnica de Energia muscular só serão efetivos se ou fatores que desencadeiam a lesão forem cessados. Essa Técnica é indicada a pacientes com sintomatologia dolorosa do sistema locomotor mas que apresentem atividade articular normal, porém musculatura encurtada ou com espasmo. Sendo assim mais uma eficiente técnica para utilizarmos no tratamento tanto da Pata de Ganso quanto em outras patologias do sistema locomotor.

Ser atleta com este calor não é fácil. Que tal exercitar-se na água com efeitos similares ou superiores aos dos treinamentos no solo? Q...

Exercício na água tem efeito similar ao do treinamento realizado no solo



Ser atleta com este calor não é fácil. Que tal exercitar-se na água com efeitos similares ou superiores aos dos treinamentos no solo? Qualquer lesão ou cirurgia vai afetar a marcha, não importa o local (pé, tornozelo, joelho ou quadril). Às vezes, ficamos muito tempo imobilizados, no leito, em cadeira de rodas ou muletas, sem apoiar o pé no chão e colocar carga no membro afetado. Após estes tipos de lesão, dependendo da gravidade, ficamos totalmente inseguros, às vezes esquecemos como andar, mancamos e não conseguimos transferir o peso para a perna afetada.

Perdemos a coordenação da marcha. Começamos em "deep water", um fosso no extremo da piscina com profundidade superior à altura do paciente, com auxilio de cinto pélvico ou tubo de água, exercitando os membros inferiores com movimentos alternados, ainda sem carga.

Depois, trabalhamos com caneleiras flutuantes, aumentando a resistência, dissociando movimentos de quadril e pernas, recuperando o mecanismo da marcha. Num estágio mais avançado, após permissão médica, começamos a dissociação de cinturas, alternância de membros superiores e inferiores, aumentando progressivamente o peso corporal (trabalhando progressivamente a profundidades cada vez menores) até chegar 50% do mesmo.

Hidroterapia eu atleta (Foto: Divulgação)Exercício na água tem efeito similar ao do treinamento realizado no solo (Foto: Divulgação)

Vamos utilizar vários tipos de marcha, em diferentes direções, para frente, para trás, de lado, em diagonal, em zigue-zague, etc., introduzindo paradas súbitas. Utilizamos ondas, turbulência, steps, jump com o objetivo de fortalecimento da musculatura e estabilização.

São criadas atividades simulando situações reais, às vezes, mais difíceis devido à instabilidade do meio liquido, por outro lado facilitando movimentos mais ousados, já que a queda na água é macia, particularmente quando o paciente é adaptado ao meio líquido. Quando o paciente receia estar na água, fica mais temeroso e efetuamos inicialmente exercícios de adaptação mental à água e trabalhamos de uma maneira mais fácil e calma.

Respeitamos sempre as diferenças individuais, o nível de condicionamento físico e a adaptação ao meio líquido. Há atletas para os quais o meio liquido não é familiar, portanto não apreciam estar na água, preferem terra firme, mas vêm à piscina para usufruir os benefícios e a eficácia da fisioterapia aquática. O trabalho é individualizado, o tratamento é progressivo, as limitações são respeitadas, o progresso individual é levado em conta.

A hidroterapia é versátil, dinâmica e criativa: apresenta-se ao paciente situações desafiantes para que ele crie estratégias para resolvê-las. Às vezes, um simples exercício de dar um, dois, três passos e parar é suficiente para desequilibrar o paciente dependendo da profundidade, obrigando-o a desenvolver uma "estratégia cerebral" que restabeleça o equilíbrio. Podemos acrescentar turbulência, mudanças do posicionamento das pernas, etc. O paciente precisa contrair todo o corpo para manter-se equilibrado.

A hidroterapia permite trabalhar de maneira global ou segmentar, sempre funcional, além de trabalhar o núcleo corporal, ou seja, o fortalecimento da musculatura abdominal e para-vertebral. A respiração diafragmática está presente em todos os exercícios. O relaxamento no final da sessão é muito importante para eliminar tensões musculares ao nível do músculo trapézio, na região cervical, e tensões psicológicas causadas pela lesão.

O paciente fica muito ansioso por querer ficar logo bem, tornar-se independente, não depender de muletas, cadeira de rodas, acompanhantes, ficar livre da dor, voltar à vida normal. O atleta, que é particularmente ativo, tende a ser mais ansioso. Isto pode ser bom, pois ajuda na recuperação. Por outro lado, aplicando carga precocemente na área lesionada pode sobrecarregar a musculatura envolvida, causando algum tipo de tendinite, bursite, prejudicando a reabilitação.

Sandra Wegner (Foto: Editoria de Arte / EUATLETA.COM)


Introdução A tendinite calcária do ombro é uma calcificação reativa (1), autolimitante (2), caracterizada pela deposição de sais...

Artigo: O ultrassom é efetivo no tratamento da tendinite calcárea do ombro?


Introdução

A tendinite calcária do ombro é uma calcificação reativa (1), autolimitante (2), caracterizada pela deposição de sais de cálcio nos tendões do manguito rotador (principalmente no tendão do supraespinhoso) (3) e por constantes dores no ombro (4). Conforme Speed e Hazleman (2), essa patologia é mais comum em indivíduos entre 30 e 60 anos de idade, com maior incidência no sexo feminino, podendo ser encontrada tanto em indivíduos sintomáticos quanto assintomáticos (5). Em pacientes sintomáticos, a dor e a perda de amplitude de movimento (ADM) representam as principais queixas (6). A tendinite calcária do ombro corresponde a 17% das síndromes dolorosas do ombro (7).

A razão para a deposição de cálcio no manguito rotador ainda não é bem esclarecida (2). Fatores como relativa isquemia em consequência da hipovascularização na chamada zona crítica do manguito rotador (8), degeneração dos tendões (9) e distúrbios metabólicos (10) têm sido sugeridos como possíveis causas.

Segundo a literatura, a deposição de cálcio nos tendões ocorre de forma espontânea, podendo haver somente uma fase aguda, em que os sintomas tendem a diminuir em poucas semanas, ou a evolução para a cronicidade (11). Nesse caso, prejuízos funcionais, em razão, principalmente, da dor, da diminuição da amplitude de movimento (6, 11) e das alterações na função mecânica do ombro (11, 12) são comumente observados. Talvez, por essas razões, Uhthoff e Sarkar (7, 13) consideram a tendinite calcária do ombro como condição incapacitante.

A abordagem terapêutica da tendinite calcária do ombro consiste na utilização de anti-inflamatórios não esteroides (4, 14), infiltração com corticoide (14), punção (4) e terapia por ondas de choque extracorpórea (4). Aspiração percutânea (4, 15, 16) e cirurgia (11) também são procedimentos realizados, porém somente em último caso, em razão do caráter invasivo de ambas. Os efeitos desses tratamentos variam significantemente e os resultados são, na maioria das vezes, inconsistentes (17).

Dentre os recursos fisioterapêuticos utilizados para o tratamento da tendinite calcária do ombro, o ultrassom tem sido sugerido como alternativa promissora para facilitar a reabsorção dos depósitos de cálcio (15, 18-21). Os mecanismos que fundamentam esse efeito são, entretanto, ainda controversos na literatura e a utilização clínica do ultrassom na tendinite calcária tem sido baseada mais em evidências empíricas do que científicas. Este estudo objetivou realizar uma revisão bibliográfica sobre os efeitos biológicos e terapêuticos do ultrassom, a fim de identificar o seu real papel no tratamento de depósitos calcários, especificamente na tendinite calcária do ombro.

 

Metodologia

Busca literária

Para a realização desta pesquisa bibliográfica foram consultadas as seguintes bases de dados: MEDLINE (1966 até abril de 2010), PubMed (1966 até abril de 2010), Cochrane Library (1991 até abril de 2010), PEDro (até abril de 2010) e LILACS (1982 até abril de 2010). Os descritores utilizados foram: calcifying tendinitis, calcific tendinitis, calcium deposits, tendinitis calcarea, paratentinitis calcarea, calcification tendons, calcareous tendinitis, ultrasound therapy, therapeutic ultrasound, phonophoresis. Esses termos foram combinados entre si ou aplicados de forma isolada nas bases de dados, como pode ser visto na Tabela 1. Estudos aleatorizados ou não, controlados e publicados na língua portuguesa, inglesa ou espanhola foram incluídos.

 

 

Outras estratégias de busca

Além das bases eletrônicas, a busca foi complementada por uma pesquisa manual nas referências bibliográficas dos artigos previamente selecionados e no acervo da biblioteca da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais.

Seleção dos estudos

Dois revisores independentes selecionaram inicialmente os artigos, de acordo com o título e o resumo. Se tais artigos não forneciam informações suficientes para a inclusão, ou os examinadores verificassem que o artigo era potencialmente útil, uma cópia completa era solicitada. Na presença de divergência entre os avaliadores, quanto à inclusão de algum estudo, estes se reuniam para que um consenso fosse obtido. Não ocorrendo um acordo entre eles, uma terceira pessoa era consultada. Os critérios de exclusão foram artigos em que a amostra compreendia indivíduos com episódio recente de trauma no ombro, artrite do ombro, capsulite adesiva e infecção local.

Desfechos avaliados

A efetividade da fonoforese foi avaliada por meio de um ou mais dos seguintes desfechos: exame radiológico, amplitude de movimento (ADM), dor, porcentagem da droga transmitida pelo ultrassom e função.

Avaliação da qualidade metodológica

A análise da qualidade dos artigos selecionados foi realizada de acordo com a escala de Jadad (22). Segundo a escala, as notas variam de 0 a 5 pontos, sendo que pontuação inferior a 3 indica estudo metodologicamente fraco, e entre 3 a 5 indica pesquisa de alta qualidade (23). Dois revisores independentes avaliaram cada artigo utilizando os critérios de Jadad (22). Na presença de não similaridade entre as notas, os dois avaliadores reuniam-se. Permanecendo o desacordo, uma terceira pessoa era consultada.

Análise dos resultados

As informações referentes ao objetivo, à metodologia e ao desfecho dos artigos selecionados foram organizadas em tabelas, a fim de facilitar a análise e a interpretação de cada estudo. Buscou-se verificar a correlação entre o objetivo e o desfecho do trabalho e avaliar a clareza na determinação e na descrição dos parâmetros utilizados para a pesquisa.

 

Resultados

A busca eletrônica inicial identificou 1.108 artigos. Destes, 31 foram selecionados a partir da leitura dos títulos, sendo apenas quatro trabalhos (6, 15, 24, 25) incluídos após a leitura dos resumos (Tabela 2). A exclusão dos 27 estudos ocorreu em razão da utilização do ultrassom não associado a fármaco tópico.

 

 

A qualidade metodológica dos estudos variou de 0 a 4 na escala de Jadad (0 a 5). Três artigos foram considerados de baixa (6, 24, 25) e um, de alta (15) qualidade. As falhas metodológicas mais comuns entre os estudos foram ausência de duplo-cego (6, 24, 25) e descrição do método de gerar a sequência de aleatorização da amostra (6, 15, 24, 25) (Tabela 3).

Dos quatro trabalhos selecionados (6, 15, 24, 25), três (6, 15, 24) eram estudos clínicos aleatorizados. Os desfechos mais avaliados foram: tamanho da calcificação (15, 24), dor (15, 24) e ADM (6, 15, 24), os quais foram mensurados por meio de raio X e/ou escala Gartner e Heryer, escala visual analógica e goniometria, respectivamente. Dentre os estudos selecionados, dois (15, 24) demonstraram redução da dor e do tamanho da calcificação e dois (6, 25) não apresentaram resultados positivos quanto ao uso do ultrassom na tendinite calcária do ombro. Esses dados estão descritos na Tabela 4.

Na Tabela 5, estão discriminados os parâmetros utilizados nos trabalhos. Pode-se observar que a frequência do ultrassom variou de 0,89 MHz a 3 MHz, e a intensidade ficou entre 0,8 W/cm2 a 2,5 W/cm2, permanecendo ambos dentro da faixa recomendada para aplicações terapêuticas. Em relação ao modo de aplicação, somente um estudo utilizou o ultrassom pulsado (15). O tempo de aplicação variou de 5 a 15 minutos e a frequência das sessões foi de 3 a 5 vezes por semana, totalizando de 9 a 24 sessões.

 

Discussão

O ultrassom é um recurso amplamente empregado nas afecções do sistema musculoesquelético (26-28), visando principalmente ao controle dos sinais e dos sintomas inflamatórios (29-32), ao estímulo à fibroplasia e à osteogênese (32, 33) e à modulação da dor (26). Os benefícios induzidos por esse recurso são decorrentes de suas ações térmicas e não térmicas nos tecidos (26). Tradicionalmente, esses efeitos são considerados separadamente, embora ambos possam ocorrer em todas as aplicações do ultrassom.

Os efeitos térmicos do ultrassom, incluindo aceleração do metabolismo, alteração da velocidade de condução nervosa, aumento do fluxo sanguíneo e da extensibilidade de tecidos moles, redução ou controle da dor e do espasmo muscular (30, 34), são os mesmos obtidos com outras modalidades de aquecimento; porém as estruturas-alvo do aquecimento (tecidos ricos em proteínas, principalmente colágeno) são diferentes (35). Os efeitos atérmicos resultam de eventos mecânicos (cavitação, correntes acústicas e microfluxo) produzidos pela passagem da onda sonora nos tecidos e estão relacionados: 1) ao aumento da permeabilidade da pele (36) e da membrana celular (37); 2) ao aumento dos níveis de cálcio intracelular (38); 3) ao aumento da síntese proteica e da atividade de fibroblastos e condrócitos (39, 40) e 4) ao aumento da degranulação de mastócitos (41) e da atividade dos macrófagos (42).

Os benefícios supracitados são, entretanto, dependentes dos parâmetros utilizados para aplicação do ultrassom (43), principalmente da dosimetria. Variáveis como o tamanho da área a ser tratada, diferenças teciduais (44), duração da aplicação (43) e o objetivo da conduta terapêutica (44) também devem ser considerados.

Em uma revisão realizada por Gam e Johannsen (17), em que foram analisados artigos publicados entre 1950 e 1992, foi concluído que apenas 22 dos 293 artigos revisados apresentavam metodologia adequada, sendo apenas esses os que comprovaram a eficácia do ultrassom. Além disso, os autores relataram a dificuldade de investigar uma possível relação entre dose/resposta em razão do déficit de informações sobre os parâmetros utilizados na aplicação desse recurso.

De maneira semelhante, no trabalho de Robertson e Baker (19) foi avaliada a qualidade metodológica de estudos que abordavam a efetividade do ultrassom terapêutico em indivíduos que apresentavam dor e/ou lesões musculoesqueléticas. Dentre os trabalhos consultados, a falta de grupo controle, de tratamento padronizado e de critérios de avaliação, bem como a ausência da análise estatística dos resultados, caracterizou os estudos como sendo de baixa qualidade metodológica (19).

Efeitos do ultrassom na tendinite calcária do ombro

Conforme demonstrado pela presente revisão, poucos estudos têm investigado os efeitos e/ou a efetividade do ultrassom (6, 15, 24, 25) no tratamento da tendinite calcária do ombro, e os resultados encontrados nos trabalhos selecionados foram variáveis. Apesar disso, a utilização do ultrassom no manejo dessa afecção é trivial na prática clínica do fisioterapeuta (26, 28).

Resultados positivos foram observados no trabalho conduzido por Ebenbichler et al. (15), que, por meio de um estudo randomizado e duplo-cego, analisaram a efetividade do ultrassom terapêutico comparado ao placebo no tratamento da tendinite calcária do ombro. Os pacientes do grupo experimental receberam 15 minutos de ultrassom pulsado (1:4) com frequência de 0,89 MHz e intensidade de 2,5 W/cm², com a área do cabeçote de 5 cm². No grupo controle, o recurso terapêutico foi aplicado pelo mesmo período de tempo, porém desligado. Foram realizadas ao todo 24 sessões. Após seis semanas de intervenção, verificou-se significativa diferença entre os grupos na diminuição do depósito calcário, favorecendo o grupo experimental. Houve redução da dor e melhora da qualidade de vida nesse grupo em relação ao controle após o término do tratamento. No entanto, após os nove meses de follow-up não foi encontrada diferença significativa entre os grupos.

Shomoto et al. (24) realizaram um estudo com 40 pacientes estratificadamente randomizados em dois grupos. O grupo experimental (n = 20) foi submetido a cinco minutos de ultrassom terapêutico (modo contínuo; 3 MHz; 1 a 2 W/cm²; ERA de 4,3 cm²; área da superfície de 5 cm²) associado a exercícios. O grupo controle (n = 20) foi tratado apenas com exercícios. Todos os participantes sofreram intervenção três vezes por semana até o final do estudo, porém os autores não informaram a duração da pesquisa. Observou-se, no grupo experimental, melhora significativa da calcificação com poucos pacientes ainda presenciando dor durante a movimentação ativa. No grupo controle, a maioria das calcificações não modificou a área e nem a densidade, ou os pacientes apresentaram piora da condição.

Especificamente em relação às ações do ultrassom na tendinite calcária, Ebenbichler et al. (15) sugerem que os efeitos térmicos induzidos por esse recurso seriam os responsáveis pela redução da calcificação. Os autores afirmam que a atividade das células capazes de fagocitar as partículas de cálcio, assim como o metabolismo e o fluxo sanguíneo, é favorecida pelo aumento da temperatura dos tecidos. Esses efeitos, em conjunto, possibilitariam a desintegração dos depósitos de cálcio. Shomoto et al. (24) acreditam que a redução do depósito calcário também esteja relacionada ao aumento da circulação sanguínea, da atividade dos fagócitos e à liberação de fatores quimiotáticos.

Os parâmetros utilizados por Ebenbichler et al. (15) e Shomoto et al. (24) foram diferentes entre si; no entanto, os resultados encontrados nos dois estudos foram semelhantes, havendo redução da dor e da calcificação. Esses fatos podem ser justificados pela alta dose total de energia fornecida aos pacientes submetidos ao tratamento em ambos os estudos.

Dois estudos (6, 25) encontraram resultados divergentes aos trabalhos de Ebenbichler et al. (15) e Shomoto et al. (24).

Perron e Malouin (6) investigaram a efetividade da iontoforese associada ao ultrassom terapêutico na tendinite calcária do ombro de 22 voluntários. O grupo experimental foi submetido a nove sessões de iontoforese seguidas de ultrassom contínuo (1 MHz; 0,8 W/cm²; 5 minutos). O grupo controle não recebeu nenhum tratamento durante o mesmo período. Os autores não encontraram diferença significativa entre os grupos na redução da área e da densidade do depósito calcáreo. O mesmo foi observado para dor e abdução passiva do ombro. Concluiu-se que a iontoforese associada ao ultrassom não é efetiva para a reabsorção do depósito calcário, como também na melhora da funcionalidade. A diminuição em ambos os grupos do tamanho e da densidade do depósito calcário resulta, provavelmente, de um processo natural e não do tratamento empregado (6). O fato dos autores não terem identificado efeitos positivos no grupo experimental em relação ao controle pode ser em razão da falha metodológica do trabalho.

No estudo de Greve et al. (25), foi utilizado o ultrassom terapêutico e o fortalecimento muscular em 60 ombros com disfunção tendinosa. Destes, 18 apresentavam tendinite calcária do ombro. Os parâmetros utilizados para o ultrassom terapêutico não foram mencionados pelos autores e o estudo não apresentava grupo controle. Os pacientes foram tratados duas vezes por semana, de 1 a 8 meses. Ao final do tratamento, 11 dos 18 pacientes tiveram resultados insatisfatórios; e no follow-up, de 6 a 36 meses, 13 indivíduos não melhoraram. Não houve diferença entre os resultados encontrados com as alterações radiológicas. Como os autores não informaram os parâmetros utilizados e não compararam os resultados obtidos com grupo controle, inviabiliza-se afirmar que o ultrassom não promove benefícios para os indivíduos com tendinite calcária do ombro (19, 44).

A comparação entre os achados positivos e negativos (6, 15, 24, 25) deve ser feita com cautela, uma vez que os parâmetros são diferentes e, em alguns casos, não são citados (19, 44).

A frequência (MHz) do ultrassom é responsável por determinar a profundidade de penetração da onda mecânica no tecido-alvo (39). A literatura afirma que quanto maior a frequência da onda ultrassônica, menor será sua penetração nos tecidos e maior será a absorção (45, 46). Considerando que a patologia a ser tratada é de caráter superficial, não seria necessária a utilização de altas frequências. No entanto, resultados positivos e negativos foram observados independentes da frequência.

Assim como a frequência, a intensidade (W/cm2), que influencia nos mecanismos térmicos e atérmicos promovidos pelo ultrassom, também foi variável. De acordo com Low e Reed (47), a energia sonora é convertida em energia térmica, sendo esta proporcional à intensidade do ultrassom. Em todos os estudos avaliados, a intensidade foi aplicada dentro da faixa terapêutica e demonstrou proporcionar efeitos positivos. Portanto, fica claro que a aplicação inadequada desse recurso pode não induzir aos benefícios terapêuticos e/ou causar danos aos tecidos biológicos (25). Por isso, é importante que sejam conhecidos os parâmetros apropriados, a fim de atingir os objetivos propostos, dentro dos limites seguros (48).

As divergências encontradas nos estudos que demonstraram efeitos positivos e negativos podem ser justificadas pelos diferentes parâmetros utilizados nos trabalhos. Apesar de inicialmente os parâmetros usados por Ebenbichler et al. (15) e Shomoto et al. (24) parecerem diferentes, a dose média aplicada por sessão foi semelhante (w/cm2 x minuto).

Nos estudos com resultados positivos, a frequência utilizada foi desigual. O fato demonstra que esse parâmetro parece não ser determinante para a efetividade do ultrassom no tratamento da tendinite calcária do ombro, que se caracteriza por uma patologia de caráter superficial.

A dose utilizada por Perron e Malouin (6) não é citada, inviabilizando qualquer tipo de decisão, e a falta de grupo controle no estudo de Greve et al. (25) intensifica a baixa qualidade do estudo.

Parâmetros do ultrassom terapêutico, como frequência, intensidade, regime de emissão (contínuo ou pulsado) empregado e tempo de aplicação, foram controversos entre os autores (6, 15, 24, 25) (Tabela 1) e interferem nos resultados (43, 44). Tanto o estudo de Ebenbichler et al. (15) quanto o de Shomoto et al. (24), além de terem registrado a efetividade do ultrassom terapêutico na tendinite calcária do ombro, apresentaram melhor qualidade metodológica em relação aos demais artigos. Conforme observado nos estudos revisados, os benefícios parecem estar relacionados à dose total e também à qualidade metodológica, que é um fator determinante para haver efetividade no tratamento da patologia. A randomização da amostra pode ser um fator importante para a distribuição igualitária entre os grupos de fatores prognósticos que também poderiam interferir nos resultados do estudo, sendo esse fato inserido na questão da qualidade metodológica.

Por meio da análise dos artigos desta revisão, sugere-se que o ultrassom terapêutico possa ser efetivo na diminuição ou resolução da tendinite calcária do ombro, bem como da sintomatologia presente nessa afecção, desde que haja adequada seleção de parâmetros para sua aplicação. Parece que a efetividade do ultrassom na tendinite calcária do ombro está relacionada à dose e ao número de sessões totais, ou seja, a quantidade de energia fornecida ao paciente.

 

Conclusão

Esta revisão sugere que o ultrassom pode ser um recurso importante no tratamento da tendinite calcária do ombro, podendo atuar positivamente na redução dos depósitos calcários desde que o recurso seja utilizado dentro de parâmetros satisfatórios. Para isso, a dose total, considerando-se a dose fornecida pelo recurso e o número de sessões, deve ser adequada ao objetivo do tratamento. Nesse sentido, faz-se necessária uma adequação metodológica para publicação de estudos que utilizem o ultrassom como recurso terapêutico no tratamento da tendinite calcária do ombro.

 

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 Autoras:

Josiane Sena dos SantosI;

Rebecca Barbosa de Decco Monteiro MarinhoII;

Angélica Rodrigues AraújoIII;

Maria Emília de Abreu ChavesIV;

Mariane Palumbo NascimentoV;

Aline de Morais PereiraVI

Pesquisadores canadenses descobriram que, em longo prazo, um programa de reabilitação específico pode ser tão eficaz para pacientes que ...

Reabilitação funcional é tão eficaz quanto cirurgia para ruptura de tendão



Pesquisadores canadenses descobriram que, em longo prazo, um programa de reabilitação específico pode ser tão eficaz para pacientes que sofreram ruptura do tendão de Aquiles quanto o tratamento cirúrgico.

"Se você sofre ruptura do tendão de Aquiles é preciso considerar o tratamento conservador, porque é mais seguro que o tratamento cirúrgico. O que isto significa é que se você tiver o tratamento conservador com a reabilitação funcional você vai ter um resultado tão bom quanto a cirurgia e você quase elimina o risco absoluto de complicações cirúrgicas", afirma o pesquisador Mark Glazebrook.

O tendão de Aquiles, localizado na parte de trás da perna, entre o calcanhar e panturrilha, é o tendão mais comumente rompido, segundo os pesquisadores.

Opções de tratamento não-cirúrgicos envolvem tipicamente a utilização de um molde, ou uma tala, por vezes acompanhada de terapia física ou reabilitação funcional. Esta órtese é uma inovação relativamente recente que permite que os pacientes comecem monitorando a amplitude de movimento do exercício logo após a lesão inicial.

No entanto, nos Estados Unidos, a cirurgia tem sido o tratamento mais utilizado, em grande medida devido à crença generalizada de que o risco de re-ruptura é mais baixo com a cirurgia do que com o tratamento não cirúrgico.

Dito isto, enquanto a intervenção não cirúrgica é considerada de risco extremamente baixo, cerca de 10% dos pacientes cirúrgicos acabam desenvolvendo complicações graves, como infecção profunda e morte. Cerca de 15% também irá desenvolver complicações de pele relativamente menores.

Os autores revisaram os resultados de 10 estudos realizados entre 2005 e 2011. Em suma, os estudos incluíram 418 pacientes que foram submetidos à cirurgia e 408 pacientes, em sua maioria homens, que foram submetidos ao tratamento não cirúrgico. Alguns pacientes tinham sofrido ainda a reabilitação funcional, enquanto outros não.

Quando a reabilitação funcional foi incluída em uma mistura de tratamento, os pesquisadores não encontraram nenhuma diferença significativa no risco de re-ruptura de tendão quando foram comparados pacientes cirúrgicos e não-cirúrgicos. Da mesma forma, os dois grupos de pacientes se saíram tão bem em termos de amplitude de movimento, circunferência da panturrilha e função global quando a reabilitação funcional foi usada.

No entanto, quando a reabilitação funcional não fazia parte do pacote global de tratamento, os pacientes cirúrgicos enfrentaram um risco mais baixo, cerca de 9% mais baixo, de re-ruptura em relação aos pacientes não-cirúrgicos.

Ao olhar para os quatro estudos que avaliaram o tempo que os pacientes levaram para voltar a trabalhar após o tratamento, a equipe descobriu que os pacientes de cirurgia tiveram uma recuperação mais rápida.

Glazebrook e colegas concluíram que em instituições onde a reabilitação funcional está disponível, a opção não cirúrgica deve ser considerada, dado o risco inferior de complicações. Mas acrescentou que, quando a reabilitação funcional não é uma opção, a cirurgia deve ser a abordagem principal.

"A pesquisa realmente reforça nossas compreensão das opções de tratamento. Mas a minha preocupação é que não seja mal interpretado descartando a opção cirúrgica porque cada uma das opções é válida, dependendo da necessidade do paciente. E este estudo mostra claramente que não há uma resposta para cada paciente, com cada um tendo de pesar cuidadosamente os tempos de recuperação e o risco", afirma Barber.


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