Osteopatia e associação com outras terapias









Lembro da primeira vez que ouvi aquela história de comprometimento e envolvimento com a qual terminei minha coluna passada, foi num café da manhã de apresentação de um fundo de investimentos em internet, e o apresentador fazia um paralelo da forma deles abordarem os investimentos com a dos outros fundos, dizendo que era igual ao café da manhã com ovos e bacon, onde a galinha está envolvida, mas o porco está seriamente comprometido... Achei engraçado logo de início, mas depois refletindo, percebi que tinha tudo a ver com a filosofia da osteopatia, que como já disse, se compromete com a descoberta da causa e não em se envolver com as conseqüências.

Para que essa descoberta seja feita a associação de um interrogatório preciso e de um exame minucioso é indicada, pois um sintoma que aparece numa área pode ter origem em outra e por melhor que se tente tratar este sintoma, o problema nunca terá solução.

Imagine um indivíduo chegando em nosso consultório reclamando de uma dorlombar, por exemplo, e apesar de não relatar espontaneamente, apresentando em seu histórico um evento traumático, seja uma pequena queda ou um trauma esportivo, que mesmo sem ter relação direta com a região da queixa, pode de alguma forma participar da gênese do problema, ou então um paciente que chega reclamando de uma dor no ombro, que aparece depois do vôlei, e apresenta uma perda de mobilidade importante na coluna dorsal média, por alteração postural. No caso do primeiro paciente, descobriu-se no interrogatório que havia uma entorse de tornozelo de alguns anos que ele nem lembrava, pois já não o incomodava mais, e que devido às compensações assumidas por todo corpo para que aquela articulação lesada não alterasse o funcionamento do todo, uma disfunção na pelve foi provocada e começou a incomodá-lo, em relação ao segundo paciente, a dor no ombro é a conseqüência da diminuição da mobilidade de um grupo de vértebras dorsais para movimento de extensão, movimento esse que aumenta a amplitude de alcance do ombro, que no caso, com sua perda, facilita a irritação do manguito rotador (musculatura responsável pela estabilização dinâmica do ombro) pela diminuição da amplitude de movimento da articulação escapulo-umeral.

O tratamento osteopático visa a restauração da mobilidade articular e tecidual em geral, sendo assim, o primeiro paciente teria o seu antigo tornozelo tratado através de alguns tipos de manipulação, para restabelecimento da função normal da articulação e também a região pélvica seria tratada na presença de alguma alteração funcional, porém esse paciente necessitaria de uma intervenção terapêutica global, como uma RPG (Reeducação postural global), com o objetivo de reequilibrar as tensões das cadeias musculares que foram alteradas devido ao tempo que esse indivíduo funcionou em desequilíbrio devido à sua antiga lesão no tornozelo. O segundo paciente teria sua mobilidade vertebral dorsal restaurada através de manipulações,origem do problema, porém também necessitaria da associação de uma abordagem cinesioterápica específica com o objetivo de restabelecer as condições biomecânicas normais do manguito rotador, tanto a nível estrutural, no caso possíveis microrupturas nas junções miotendinosas provocando pequenos
processos inflamatórios, como também a nível funcional, retreinando essa musculatura para o desempenho de sua função.

Nosso objetivo ao falar da osteopatia era de apresentar essa abordagem, que já é muito praticada no mundo, associando os seus conceitos e filosofia com uma tendência moderna de não se focalizar tanto a estrutura, como ainda faz a medicina tradicional, mas sim focalizar a função e as repercussões de sua alteração, e é assim que a osteopatia funciona. Em relação ao esporte e a atividade física, é indispensável que outras abordagens terapêuticas sejam adotadas para o completo restabelecimento do paciente.
Falando nisso, semana que vem vamos falar do que há de mais moderno e eficaz no treinamento de estabilização dinâmica lombar e pélvica, trabalho que vem sendo realizado desde 98 com a dupla de vôlei de praia Adriana Behar e Shelda, e com vários outros atletas de alto nível e creacionais. Inicialmente o trabalho, que também chamamos de conscientização da unidade interna, foi era apenas indicado para os atletas e pessoas ativas que apresentavam dor lombar ou sacro-íliaca recidivante, porém atualmente vem sendo administrado com sucesso também como preventivo para quase todos os pacientes.


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