sexta-feira, 25 de julho de 2014

6 ameaças inusitadas aos ossos


1. Asma
O problema, famoso por ocasionar falta de ar, também abala a massa óssea, segundo pesquisa de várias instituições sul-coreanas. Ou melhor: especula-se que é o tratamento contra as crises, feito com remédios à base de corticoides, que traria essa consequência. "Eles aumentam a atividade dos osteoclastos, células que retiram cálcio dos ossos", justifica o pneumologista Marcelo Alcantara Holanda, da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia. E isso deixaria fêmur, tíbia e companhia mais porosos. Logo, para atenuar esse risco, vale adotar medidas que diminuam as crises respiratórias, como não frequentar ambientes com poeira. Assim, uma menor quantidade de corticoide será usada, e mais íntegra ficará a massa óssea.


2. Ácido úrico
Em níveis elevados, ele desencadeia gota, cálculo renal, infartos... e fraturas. De acordo com um estudo da Universidade do Colorado, nos Estados Unidos, homens com essa molécula nas alturas correm um risco 62% maior de lesionar o quadril. Isso porque o quadro eleva a concentração do hormônio da paratireoide. E ele, por sua vez, remove o cálcio dos ossos. Logo, em excesso pode acarretar osteoporose. Para impedir a sobrecarga de ácido úrico circulante, comece maneirando nos frutos do mar.


3. Câncer
Alguns tipos de tumor - como os de próstata, mama, pulmão e rim -, se não tratados a tempo, tendem a se espalhar para os ossos e arruiná-los. Sem contar que, embora mais raros, há tumores que se originam no próprio tecido ósseo. No entanto, muitas vezes o que mais preocupa é o tratamento contra a doença. Os quimioterápicos reduzem o trabalho dos osteoblastos, células que depositam cálcio no esqueleto. Para evitar que o arcabouço do corpo fique debilitado nessas situações, os experts costumam lançar mão de suplementos e remédios. A ordem é seguir essas recomendações à risca.


4. Doença renal crônica
Quando os rins param de funcionar direito - traço típico dessa encrenca -, a produção de vitamina D é prejudicada, o que dificulta o aproveitamento de cálcio pelo corpo inteiro, inclusive nos ossos. Para piorar, nesse cenário o esqueleto abre mão de um pouco do mineral que lhe confere a cor branca para que outras áreas do organismo o utilizem. Quem foi diagnosticado com insuficiência renal deve tratar o quadro e ajustar a dieta para escapar da osteoporose. Já a população em geral precisa fazer de tudo para não padecer com hipertensão e diabete, dupla que arrasa os rins. Exercício e alimentação balanceada são boas táticas para prevenir esses problemas.


5. Doença celíaca
O glúten, proteína presente em trigo, centeio, malte e cevada, não é tolerado por pessoas com essa condição. Portanto, se ingerido por elas, ocasiona uma irritação no intestino que, em última instância, atrapalha a absorção de cálcio. De modo a avaliar o impacto da ingestão de glúten na ossatura de celíacos, cientistas do Instituto Karolinska, na Suécia, avaliaram 7 mil voluntários durante décadas. Constataram que os pacientes que davam uma escapada na dieta tinham maior risco de sofrer fraturas no quadril. Se não dá para prevenir a doença celíaca, ao menos é possível amenizar seus estragos ficando longe de itens com glúten.


6. Doenças inflamatórias intestinais (DIIs)
Uma pesquisa da Universidade Federal do Rio de Janeiro com cerca de 130 portadores de doença de Crohn ou retocolite - duas das principais DIIs - sugere que elas afetam a densidade óssea. Autora do artigo, a gastroenterologista e diretora científica do Grupo de Estudos da Doença Inflamatória Intestinal do Brasil, Cyrla Zaltman, ressalta que participantes que usavam corticoides constantemente ou que não conseguiam controlar seu quadro apresentavam maiores danos no esqueleto. "Tanto a droga quanto a inflamação das DIIs prejudicam a calcificação dos ossos", esclarece Cyrla. Para preservá-los, nada melhor do que discutir seu cardápio com especialistas e se tratar direitinho.

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Dor no quadril e bursite trocantérica



A dor no quadril é uma queixa frequente nos consultórios médicos e nas clínicas de fisioterapia. No entanTo, nem sempre o diagnóstico correto é feito, trazendo como consequência um tratamento indequado e o não alívio dos sintomas.

Uma boa anamnese e um exame físico detalhado são imprescindíveis para que se possa estabelecer um diagnóstico diferencial.

As alterações intra-articulares, como as artroses ou necroses avasculares causam além da dor, a diminuição da amplitude de movimento. Já as alterações periarticulares, sendo a bursite trocantérica a mais comum, não causam diminuição da mobilidade, além da dor.


A o nome bursite vem de bursa ( do latim pequena bolsa), que são estruturas com a função de diminuir o atrito entre os tendões e músculos sobre proeminências ósseas. Existem, no mínimo 13 bursas no quadril, mas as de interesse de estudo são a trocantérica, a iliopectínea e a isquioglútea. A trocantérica situa-se entre as inserções do glúteo médio e mínimo.

As causas da bursite trocantérica incluem traumas agudos na região, microtraumas repetitivos, fricção na banda iliotibial, discrepância entre membros, cirurgias no quadril, entre outros...

A semiologia para o diagnóstico da bursite trocantérica é controverso e obscuro, no entanto são citados alguns sinais que colaboram para o diagnóstico correto: dor à palpação no trocanter maior e que piora à noite, piora da dor na flexão associada à rotação interna e externa do quadril e que pode se associar à adução ou abdução. Como se vê, quase todos os movimentos do quadril encontram-se envolvidos e não há um teste sensivel e específico para o diagnóstico fiel. O mesmo ocorre pelo exame acurado do quadril, incluindo análise da marcha e pela exclusão de outras condições.

Os exames radiográficos são negativos, entretanto podem apresentar sinais de calcificação na região do grande trocanter.

Em trabalho realizado por Fujuki e colaboradores, 2006 foi demonstrdada uma manobra semiológica para ajudar no diagnóstico da bursite trocantérica. Essa manobra consiste em dois testes:

- 1 - Paciente em decúbito dorsal, cruza-se a o quadril afetado por cima do outro, mantendo o calcanhar na cama e fazendo 90 graus de flexão de quadril e joelho. O teste é positivo s eo paciente referir dor.

-2 - Paciente m decúbito dorsal com flexão de quadril e joelho a 90 graus e faz-se adução forçada. O teste é positivo se o paciente sentir dor.

O tratamento consiste em repouso relativo, uso de antiinflamatórios não-esteróides e fisioterapia(recursos analgésicos, ultrassom e exercícios). Caso a sintomatologia dolorosa não melhore pode-se optar por injeções de esteróides na área. Em casos extremos pode-se optar pelo procedimento cirúrgico, que consiste na remoção da busrsa inflamada.
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terça-feira, 8 de julho de 2014

Contratura isquemica de Volkmann


Contratura isquêmica de Volkmann é uma contratura permanente de flexão da mão sobre o pulso, resultando em uma deformidade em forma de garra da mão e dos dedos.

Com isso,  causa uma restrição que pode danificar os nervos e músculos do antebraço. Isso pode levar a deformidades no punho, mão e dedos. A doença pode levar a graves danos ao seu braço se não for atendido rapidamente. Nos casos moderados, fisioterapia pode ser útil para aumentar o fluxo de sangue e diminuição da expansão, no entanto, esta condição pode requerer cirurgia. Fisioterapia, então, formar uma parte da reabilitação, o que lhe permite recuperar a mobilidade e força em suas mãos, dedos e antebraço. Não tente qualquer exercícios de fisioterapia, ao menos que este tenha sido indicado pelo seu fisioterapeuta.

Causas e sintomas da contratura de Volkmann

volkmann

Quase qualquer lesão traumática do braço tem o potencial de se desenvolver para esta condição, no entanto, o culpado mais comum em crianças é uma fratura no cotovelo. Também poderá ocorrer quando um antebraço for esmagado, fraturado, queimado, distúrbio hemorrágico, injeções de alguns medicamentos aplicados no antebraço ou mordida de animal.

O quadro clinico apresenta: 

• Dor (primeira manifestação), especialmente acentuada pelo alongamento passivo;

• Palidez;

• Ausência de pulso;

• Parestesias (formigamento);

• Paralisia.

Resultados que irão comprovar a contratura de Volkman: 

- O pulso estará em flexão palmar;

- A dor ocorrerá com o alongamento passivo do flexor dos dedos;

- A palpação da região afetada criará dor persistente;

- É possível que não sinta pulsações por conta do punho estar inchado;

Também existem limitações neurológicas visíveis a partir dos músculos que comprimem as vias neurais, haverá uma sensação de formigamento (parestesia);

Prevenção e Tratamento

Para evitar uma contratura isquêmica de Volkmann, mantenha seu braço elevado após a lesão. Isto reduz a probabilidade de inchaço no antebraço. Quando essa condição ocorre, você deve ter tratamento imediato, porque um nervo que é comprimido por mais de 12 a 24 horas podem sofrer danos irreparáveis.

O tratamento pode envolver fisioterapia com uso de talas dinâmicas em casos suaves para aliviar o inchaço e manter a amplitude de movimento. No entanto, o tratamento dos casos mais agressivos envolve uma cirurgia para reduzir o inchaço e melhorar a função do pulso danificado, mãos e dedos.

A recuperação

O objetivo da fisioterapia com esta condição é melhorar a força muscular e mobilidade articular. A recuperação total de contratura isquêmica de Volkmann muitas vezes é possível em casos leves, no entanto, a fisioterapia é freqüentemente necessária para melhorar a amplitude de movimento e funcionamento do punho, mão e dedos. Em casos mais graves, a recuperação total pode não ser possível, mesmo com extensa fisioterapia.

Se o braço está imobilizado, o foco da fisioterapia precoce pode ser educativo, incentivando você a manter seu braço elevado e gentilmente mover seu punho, mão e dedos, tanto quanto você puder. Uma vez que o braço já não está imobilizado, o fisioterapeuta pode prescrever exercícios de alongamento suaves, terapia de calor e exercícios ativos que visam aumentar a amplitude de movimento e força.

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quarta-feira, 2 de julho de 2014

Tratamentos da fratura de clavícula

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As fraturas da clavícula são frequentes, podendo acometer crianças e adultos e ocorrendo, geralmente, por conta de traumas diretos ou indiretos no membro superior. Podem ocorrer em acidentes ciclísticos, motociclísticos, quedas de cavalo, no futebol ou demais esportes e, em recém-nascidos, durante o trabalho de parto.

Independente da idade, o tratamento das fraturas da clavícula são submetidas em sua maioria ao tratamento conservador. As mais comuns são no terço médio do osso e apresentam índices de consolidação maiores que 95%. Esse tratamento consiste no uso de tipoia chamada "Velpeau" ou imobilizador "tipo 8", que devem ser usados corretamente para permitir a imobilização necessária para a consolidação.

Atualmente, não se utilizam mais rotineiramente imobilizações gessadas ou enfaixamentos torácicos devido ao grande desconforto e dificuldade para higiene do paciente. No tratamento conservador, não é necessário encaixe perfeito dos fragmentos fraturados pois o osso consolida com formação de calo e pequenos encurtamentos não interferem na função do ombro.

A fraturas que apresentam maiores desvios, fraturas expostas ou acompanhadas de fraturas de outros ossos, associadas a lesões vasculares e fraturas do terço distal da clavícula, são indicações de tratamento cirúrgico. Neste caso, em geral é realizada a colocação de placa e parafusos para fixação da fratura, mas também podem ser utilizados outros materiais, como hastes flexíveis.

O tempo de consolidação da fratura é ao redor de seis a oito semanas e deve ser acompanhado pelo ortopedista, que dará as orientações necessárias para obter os melhores resultados e a reabilitação adequada.

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segunda-feira, 23 de junho de 2014

Fraturas do terço distal do rádio: classificação e tratamento

As fraturas do terço distal do rádio constituem de dez a 12% das fraturas do esqueleto e são, muitas vezes, chamadas genericamente de fratura de Colles. não se levando em conta os vários tipos de fraturas distintas do rádio distal que necessitam considerações terapêuticas diversas e prognósticos diferentes.

De Hipócrates a Pouteau, as fraturas do terço distal do rádio foram consideradas como luxações radiocárpicas. No trabalho póstumo de Pouteau, publicado em 1783, trinta anos antes de Colles ( 1813), a fratura do terço distal do rádio foi brilhantemente descrita, embora apresentasse teoria equivocada a respeito da ação da contração dos dedos(8,14),

Em 1838, Johan Barton descreveu outro tipo de fratura do terço distal do rádio. em que ocorria o comprometimento marginal dorsal do rádio com luxação do carpo, e aventou a possibilidade de se verificar fratura semelhante na face palmar do rádio, que também foi descrita por Leternnier no mesmo ano.

Goyrand. em 1932. e posteriormente Smith, em 1974, descreveram a fratura do extremo distal do rádio em flexão e compressão, fratura inversa à descrita por Colles (1813).

Além desses, vários outros autores descreveram diver-sos tipos de fraturas do terço distal do rádio, como as fraturas marginais laterais.

Ao longo da história, pouca atenção foi dada a esse tipo de fratura nos meios ortopédicos, possivelmente devido aos métodos terapêuticos inadequados e insuficientes para evitar as seqüelas provocadas pelo encurtamento e perda da incli nação ulnal e volar do rádio e, também, pelo fato de acometer pacientes de faixa etária elevada e baixa produtividade econômica na sociedade. Somente nas duas últimas décadas começou-se a dar maior importância à classificação, tratamento e reabilitação funcional dessas fraturas, na tentativa de di minuir o número de seqüelas e o tempo de afastamento do trabalho desses pacientes.

Vários autores tentaram classificar as fraturas do terço distal do rádio(4,6,8,10,12,21) ; entretanto, nenhuma classificação é totalmente aceita, por não possuir elementos suficientes que orientem o tratamento, bem como o prognóstico dessas fraturas. Escolhemos a classificação do grupo AO, que, a nosso ver. abrange os diversos tipos de fraturas distais do rádio e não somente as fraturas do tipo Colles.

Foram propostos na literatura vários métodos de tratamento. entre eles: Jones (1915) propôs a substituição do afixamento e massagem referidos por Colles por redução manipulativa e imobilização gessada com tala dorsal. Bohler (1919) recomeudou tração prolongada, evitando manobras redutivas violentas e, posteriormente. em 1923, adotou o método de redução incruenta e estabilização por fixação transesquelética bipolar nas fraturas cominutivas. Rush & Rush(16) (1949) iniciaram o tratamento com fixação percutânea intramedular. De Palma(7) ( 1952) introduziu um tipo de fixação percutânea transulnal para fraturas instáveis. Sarmiento(11) (1975) recomendou o tratamento pelo método incruento, que inclui imobilização em órtese de plástico termomoldável com supinação do antebraço.

Atualmente, vários fixadores externos têm sido utilizados com maior freqüência. todos baseados no princípio de manutenção da redução por tração rígida e contínua, inicialmente proposta por Bohler, em 1919. Ulson(21) enfatizou o alto grau de instabilidade e preconizou a fixação das fraturas da extremidade distal do rádio, tipo extensão-compressão, com osteossíntese intramedular percutânea e fixação externa. Jakob & Fernandez (11) apresentaram o uso de minifixadores externos nas fraturas cominutivas articulares e o conceito de ligamentotaxia.

O uso de placas de suporte e parafuso foi muito difundido como tratamento de fraturas intra-articulares marginais.

Sennwald & Segmuller(19) apresentaram uma classificação das fraturas do terço distal do rádio, enfatizando a fixação estável e redução anatômica como principal método de tratamento, utilizando fixação interna e externa, dependendo do tipo de fratura,

O objetivo deste trabalho é mostrar nossa experiência no tratamento da fratura do terço distal do rádio, enfatizando a redução anatômica e a reabilitação funcional.

MATERIAL E MÉTODOS
Foram estudados 35 pacientes com fratura do terço distal do rádio, durante o período de julho de 1987 a agosto de 1988. Os pacientes foram atendidos no pronto-socorro do Hospital São Camilo e Hospital São Paulo: dos 35 pacientes, 21 eram do sexo feminino e 14, do masculino: a idade dos pacientes variou entre 26 e 72 anos.

Os pacientes foram avaliados com radiografias em ânteroposterior e perfil da extremidade afetada e, em Seguida, classificados segundo o tipo de fratura, de acordo com a classificação do grupo AO. (fig. 1 e tabela I), Foram oito pacientes classificados no tipo A, 12 no tipo B e 15 no tipo C.

O tratamento instituído estava de acordo com a classificação da fratura, a idade do paciente e a atividade profissional exercida.

As fraturas do tipo A (extra-articulares e estáveis) foram tratadas com redução incruenta, com o paciente sob anestesia troncular e aplicação de gesso axilopalmar por quatro semanas e, posteriormente, gesso antebraquiopalmar por mais duas semanas, com exceção das fraturas tipo A3, que apresentam cominuição dorsal, e dos pacientes idosos, que se comportam como instáveis, os quais foram tratados cirurgicamente com placa e parafusos.

As fraturas do tipo B (intra-.articulares marginais), predominantes em indivíduos jovens, foram tratadas com redução aberta e osteossíntese com placa e/ou parafuso. Após a cirurgia, o paciente foi mantido com tala gessada antebraquiopalmar por três a quatro semanas, quando foi utilizada imobilização removível e iniciada terapia ocupacional por mais duas semanas, ao fim das quais foram reavaliados e retirada a imobilização, Exceção deve ser feita às fraturas do tipo B 1, nas quais a fratura da apófise estilóide não compromete a superfície articular, sendo tratadas com gesso antebraquiopalmar por quatro semanas,

As fraturas do tipo C são intra-articulares extremamente instáveis; nas fraturas do tipo C 1, em que a congruência articular é mantida, procedeu-se à redução aberta e osteossíntese com placa e parafuso; o paciente foi mantido em tala gessada por três a quatro semanas, quando foi retirada a imobilização removível para os exercícios; na quinta semana, os pacientes foram reavaliados e retirada a imobilização.

As fraturas do tipo C2 e C3, que apresentam cominuição intra-articular com perda da congruência articular, foram tratadas com fixador externo tipo AO, sendo usados quatro fios de Schanz, de 2mm, de maneira a formar um ângulo de 40 a 60 graus em relação ao eixo longitudinal da diáfise e de 45 graus entre si.

Nos pacientes idosos, com fraturas dos tipos C2 e C, foram realizadas enxertias ósseas através de incisão de, aproximadamente, 2cm na face lateral do rádio, entre o extensor radial do carpo e o abdutor longo do polegar, com aplicação de enxerfo esponjoso retirado da crista ilíaca homolateral(17,18).


Após a redução, o paciente foi mantido com tala gessada antebraquiopalmar, com dedos livres, por quatro semanas. Iniciou-se terapia ocupacional, objetivando-se a pronossupinação do antebraço, na segunda semana, quando não havia associação com fratura da ulna e flexoextensão dos dedos e cotovelo (15).

A avaliação foi feita segundo os critérios anatômicos de Frykman (l0) modificados por Lidström(12), que consideram desvio radiográfico, encurtamento e desvio radial na incidência AP e inclinação da superfície articular do rádio no perfil (tabela 2), e segundo os critérios funcionais de McBride(13) após seis meses de evolução (tabela 3).

RESULTADOS
O tratamento efetuado foi baseado nos critérios de indicação terapêutica por nós adotados, apoiado na classificação do grupo AO. Os resultados obtidos segundo os critérios anatômicos de Frykman e funcional de McBride são mostrados nas tabelas 4 e 5, respectivamente.

DISCUSSÃO
Na literatura, encontramos várias classificações para as fraturas do terço distal do rádio, mas nenhuma abrange todas as fraturas e nos fornece subsídios para a conduta terapêutica, portanto, padronizamos as indicações terapêuticas baseados na classificação do grupo AO, que, a nosso ver, é o mais abrangente.

Obtivemos alto índice de resultados excelentes e bons em relação aos parâmetros anatômicos de Frykman (91,5%), como em relação aos parâmetros funcionais de McBride (94,4%), mesmo levando-se em conta as fraturas graves, como as dos tipos B e C.

Dentre os pacientes considerados de resultado regular, segundo os critérios anatômicos de Frykman, encontramos duas fraturas do tipo A. Um paciente apresentou, na evolução, quadro de algoneurodistrofia, sendo também considerado como resultado regular segundo os critérios funcionais de McBride; já o outro paciente evoluiu com inversão do ângulo de inclinação dorsal do rádio no perfil: no entanto, apresentou boa evolução, com manutenção do comprimento relativo do rádio, sendo considerado como bom resultado segundo os critérios funcionais de McBride.

O paciente com resultado ruim, segundo o critério anatômico de Frykman, apresentou fratura do terço distal do rádio, tipo C, com exposição óssea e perda da "massa extensora" do dorso do antebraço e punho, apresentando, entretanto, resultado regular segundo os critérios funcionais de McBride.

Devemos salientar que o alto índice de resultados excelentes e bons está relacionado à possibilidade de se fazer fisioterapia e terapia ocupacional assistida precoce, o que sempre foi uma de nossas metas durante o tratamento.

CONCLUSÃO
Com o uso de uma classificação de grande abrangência e fácil interpretação, apresentamos um protocolo com tratamentos distintos nos diversos tipos de fratura do terço distal do rádio. Salientamos a importância de redução anatômica e terapia ocupacional precoce, que são de grande valia para a obtenção de bom resultados funcionais.

REFERÊNCIAS

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Ulson, H. J. R. :Nota prévia. VIII Cong.Bras. de Cir. da Mão, São Paulo. novembro de 1981. Apud Pardini. A. G. : Traumatismo da mão, Rio de Janeiro, MEDSI. 1985.

Fonte

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terça-feira, 10 de junho de 2014

Proprioceptores do joelho

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O sistema proprioceptivo recebe informações de receptores musculares, cutâneos e articulares e utiliza estes estímulos sensoriais para determinar onde os membros se encontram no espaço, a amplitude e a velocidade de seus movimentos. Os receptores musculares são a fonte predominante das informações proprioceptivas, mas os receptores cutâneos e articulares também contribuem para os processos que envolvem a percepção (COHEN, 2001).

Os proprioceptores são inervados nas articulações por ramos articulares com origem nos nervos destinados aos músculos, tendões e tecidos profundos associados de cada articulação. As sensações articulares do joelho são o único componente de um sistema de estabilização dinâmica, visto que há alteração na propriocepção após uma lesão no joelho. A maioria dos receptores articulares descarregam próximo dos extremos do movimento. Geralmente, durante a flexão e a extensão máximas, assim, não produzem um sinal inteligível relacionado à posição da articulação.

A informação proprioceptiva protege a articulação contra lesões causadas pelo movimento que excede a amplitude de movimento fisiológica e normal, e ajuda a determinar o apropriado equilíbrio entre forças sinergistas e antagônicas.

Os receptores são classificados por localização em: articulares (presente nas articulações), profundos (músculos, tendões e ligamentos) e superficiais (cutâneos). Os receptores articulares estão localizados dentro da cápsula articular, ligamentos e em todas as estruturas intra-articulares existentes no corpo. A cápsula articular contém quatro tipos de receptores distintos de terminações nervosas: Corpúsculos de Ruffini, receptores de Golgi, corpúsculos de Paccini e terminações nervosas livres.

Os corpúsculos de Ruffini são sensíveis ao alongamento da cápsula articular, alteração da pressão do fluido intracapsular, amplitude e velocidade de alteração da posição articular. Os receptores de Golgi são intraligamentares e apresentam-se ativos quando os ligamentos são solicitados nos extremos do movimento articular. Os corpúsculos de Paccini são sensíveis à vibração de alta freqüência, e as terminações nervosas livres são sensíveis ao estresse mecânico.

No joelho saudável e normal, estabilizadores tanto estáticos quanto dinâmicos, proporcionam sustentação. Os estabilizadores estáticos são ligamentos, meniscos e cápsula articular. Essas estruturas proporcionam estabilização à articulação dos tecidos capsuloligamentares e desempenham importante papel sensitivo, pois detectam a posição e movimento da articulação.

Sinais de receptores articulares e cutâneos contribuem para a propriocepção e são os mais importantes para a mão e menos críticos para as articulações mais proximais, como a do joelho.

A inervação extrínseca das estruturas articulares é realizada por intermédio da estimulação aferente dos receptores periarticulares. Essa estimulação resulta no desencadeamento de reflexos protetores destinados a se oporem ao movimento lesivo.

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