quinta-feira, 10 de abril de 2014

Tendinopatia é causada pelo excesso de uso dos tendões do pé

http://static.hsw.com.br/gif/ossos-e-musculos-2.jpg

Os tendões são estruturas anatômicas que unem os músculos aos ossos, favorecendo o movimento. No entanto, quando sobrecarregados ou utilizados de forma que permita o esforço repetitivo, os tendões podem sofrer de tendinopatia, lesão que gera muita dor, inflamação e até deformidades ósseas no pé e/ou no tornozelo. Outras causas são erros frequentes de treinamento, tabagismo, abuso de medicação e uso de sapatos ou outros equipamentos não adequados para a atividade física.

Os os tendões são estruturas complexas compostas de vários arranjos celulares, como células, colágeno e água, entre outros, e que durante qualquer tipo de esporte são sobrecarregados, devido à repetição de movimentos. As inflamações, ou tendinites, são somente uma causa de dor nesta estrutura e muitos outros diagnósticos podem afetar os tendões, causando não somente inflamações, como também degeneração, problema conhecido como tendinose. Este é o termo mais correto para falar de lesão crônica. É um processo degenerativo em que o tendão muda a sua estrutura, chegando até mesmo a apresentar microrrupturas. É por isso que muitas tendinopatias não melhoram com anti-inflamatórios e a aplicação de técnicas de fisioterapia.

As tendinites são fáceis de tratar, bastando realizar a aplicação local de gelo e anti-inflamatórios, e fisioterapia. O complicado é quando a lesão se torna crônica e as dores não melhoram nem depois de a pessoa descansar por tempo prolongado. Como sempre, o melhor é a prevenção. Como praticar regularmente alongamentos da musculatura da perna, principalmente após a atividade esportiva, aquecer bem a musculatura antes de jogos, corridas e caminhadas, evitar tomar medicamentos por mais de uma semana para controlar a inflamação, já que alguns deles podem prejudicar a cicatrização do tendão.

Além disso, é necessário adquirir um tênis adequado, não exagerar nos treinamentos e procurar um ortopedista para uma avaliação clínica antes de iniciar um esporte de alto impacto. São regras simples que podem ajudar a evitar as lesões.

Entre os tratamentos indicados estão modalidades de fisioterapias, terapia de ondas de choque, fortalecimento excêntrico e terapia com laser de baixa intensidade, mas há trabalhos preliminares com o uso de células troncos promissores, embora ainda há necessidade de estudos nesta área. É importante o acompanhamento com ortopedista especializado em pé e tornozelo. A cirurgia continua a ser a última opção devido a resultados inconsistentes.

terça-feira, 1 de abril de 2014

Condromalácia Patelar e Condropatia Patelar

 

http://www.buscasaude.com.br/wp-content/uploads/2013/05/lesoes-de-cartilagem-no-joelho.jpg

É a inflamação e o desgaste na cartilagem da articulação do joelho, localizada entre a patela (rótula) e o fêmur (osso da coxa).

Causas:

Mais comum em mulheres devido à predisposição física, porém também tem uma grande incidência em homens. Essa articulação é muito solicitada em atividades como corrida, musculação, ginástica e em esportes em geral, quando estes são realizados de maneira excessiva, de forma inadequada ou o indivíduo tem uma predisposição à instalação da lesão a articulação femoro-patelar primeiramente fica inflamada e se os agentes causadores persistirem a cartilagem vai se desgastando até a articulação virar um contato de osso com osso (artrose).

Dentre as causas podemos destacar:

  • Treino excessivo;
  • Fraqueza muscular (principalmente do músculo vasto medial oblíquo);
  • Atividades de impacto;
  • Falta de alongamento (encurtamento muscular);
  • Predisposição biomecânica.

Sintomas:

Dor na região anterior (na frente do joelho) após atividades, dor ao subir e descer escadas, dor após longos períodos com o joelho flexionado (“dobrado”), crepitação (estalidos), falseio no joelho e outros.

Tratamento:

A fisioterapia sempre é indicada, porém em alguns casos e conforme o grau (grau IV) da lesão também é recomendado o tratamento cirúrgico.

  • Grau I - amolecimento da cartilagem;
  • Grau II - fragmentação ou fissuras na cartilagem;
  • Grau III - fragmentação ou fissuras na cartilagem com uma área maior;
  • Grau IV - erosão e perda da cartilagem.

Mais uma vez o trabalho global é de fundamental importância, pois vários fatores influenciam nesta patologia, como o encurtamento dos músculos posteriores da coxa, pois estes se encurtados dificultam o movimento de extensão (“esticar”) do joelho aumentando o atrito na cartilagem. Também podemos destacar o tipo de pisada no qual o pé pronado (“pé chato”) tende a influenciar para um joelho valgo (com desvio interno) o que proporciona um maior estresse na face lateral da cartilagem da patela. Enfim, são vários fatores que devem ser eliminados, por isso o tratamento global é muito importante, sendo geralmente necessário um trabalho de cinesioterapia (alongamento, fortalecimento, propriocepção, etc.), trabalho de terapia manual e postural (liberação dos músculos encurtados) e recursos físicos que contribuam para a cicatrização e melhora dos sintomas (microcorrente, crioterapia, eletroterapia, etc.)

terça-feira, 25 de março de 2014

Saiba mais sobre Fratura de Tibia e Fíbula


A tíbia, osso da canela ou osso da perna é um do osso longo frequentemente fraturado. Os ossos longos incluem o fêmur, úmero, tíbia e fíbula. A fratura diafisária da tíbia ocorre ao longo do comprimento do osso, abaixo do joelho e acima do tornozelo.

A fíbula articula-se com dois ossos: tíbia e tálus. Não possui função de sustentação de peso. A tíbia é o maior dos dois ossos, ele suporta a maioria do peso corporal e é uma parte importante da articulação do joelho e do tornozelo.

Normalmente a fratura dos ossos longos é decorrente de uma grande força e outras lesões ocorrem frequentemente com estes tipos de fraturas.

A tíbia pode quebrar de diversas formas. A gravidade da fratura geralmente depende da quantidade de força que causou a fratura. A fíbula é muitas vezes quebrada também.

OS TIPOS MAIS COMUNS DE FRATURAS:
Fratura estável
Fratura deslocada ou desviada
Fratura transversa
Fratura oblíqua
Fratura espiral
Fratura cominutiva
Fratura exposta
Fratura fechada

CAUSAS:

Colisões, quedas de moto e acidentes de alta energia, são causas comuns.

Lesões esportivas: Essas fraturas são normalmente causadas ​​por uma força de torção e resultam em um tipo oblíquo ou espiral de fratura.

Como foi o caso do lutador de MMA Anderson Silva, ele fraturou a tíbia e fíbula esquerda com um chute no adversário. Ele passou por uma cirurgia onde foi inserida uma haste intramedular na tíbia esquerda. A fíbula quebrada foi estabilizada e não vai precisar de uma cirurgia à parte. O tempo de recuperação para esse tipo de lesão pode variar de três a seis meses.

OS SINTOMAS MAIS COMUNS:
✓Dor
✓Incapacidade de caminhar ou suportar o peso sobre a perna
✓Deformidade ou instabilidade da perna
✓Osso saliente sob a pele
✓Perda ocasional da sensibilidade no pé

EXAMES:

Radiografia
Pode mostrar se o osso está quebrado e se há deslocamento. Eles também podem mostrar quantos pedaços de osso existem.

A tomografia computadorizada (TC)
A tomografia computadorizada mostra uma imagem de corte transversal do membro. Ele pode fornecer mais informações sobre a gravidade da fratura.

TRATAMENTO:

Tratamento não cirúrgico pode ser recomendado para pacientes que:
⇨Tem doenças sistêmicas que dificultam o tratamento operatório (diabetes, doença vascular)
⇨Pessoas sedentárias, que por isso são mais capazes de tolerar pequenos graus de angulação ou diferenças no comprimento da perna
⇨Têm fraturas fechadas com apenas dois fragmentos de ossos grandes e com deslocamento pequeno

Tratamento com aparelho Gessado
Um método de tratamento não cirúrgico é o gesso tipo PTB (Patelar Tendon Bearing - gesso de contato total com apoio no tendão patelar descrito por Sarmiento) Inicialmente é usada uma calha, depois um gesso completo: cruro podálico e finalmente o PTB. Depois de semanas no gesso, ele pode ser substituído com um imobilizador ou brace funcional e iniciada fisioterapia.

Tratamento Cirúrgico
Uma fratura aberta ou exposta, ou ainda que apresente feridas que necessitam de monitoramento
Extremamente instável devido a fragmentos de ossos soltos e grandes deslocamentos
Fratura que não curou com métodos não-cirúrgicos

Fixação Intramedular
A forma atual mais popular de tratamento cirúrgico para fraturas da tíbia é a haste intramedular. Durante este procedimento, uma haste de metal especialmente projetada é inserida a partir da frente do joelho para baixo no canal medular da tíbia. A haste passa através da fratura para mantê-lo na posição, o ideal é fixar a haste percutaneamente na região proximal e distal a fratura.

Placas e parafusos
Os fragmentos ósseos são primeiramente reposicionados (reduzidos) em seu alinhamento normal. Eles são mantidos juntos por parafusos especiais e placas de metal ligada à superfície externa do osso.

Fixação externa
Os pinos e parafusos são conectados a um barra fora da pele. Este dispositivo é um quadro de estabilização que mantém os ossos na posição adequada para que eles possam curar e a pele cicatrizar.

RECUPERAÇÃO PÓS FRATURA

O tempo para voltar às atividades diárias varia de acordo com diferentes tipos de fratura. Algumas fraturas da diáfise tibial curam dentro de quatro meses, mas muitos podem demorar 6 meses ou mais tempo. Isto é particularmente verdadeiro com fraturas expostas e nas fraturas em pacientes menos saudáveis com doenças sistêmicas e desnutridos.

Movimentação precoce
É incentivado o movimento das pernas no início do período de recuperação. Se lesão de tecidos moles está presente com uma fratura, o joelho, tornozelo, pé e dedos podem ser mobilizados no início, a fim de evitar a rigidez e evitar trombose.

Peso corporal
Quando o paciente começa a andar, provavelmente precisará usar muletas ou um andador.

Dor
A dor no local da fratura geralmente diminui muito antes mesmo do osso colar. Colocar peso sem autorização médica em fraturas com extensão metafisária e articular para o joelho ou tornozelo pode provocar afundamento ósseo e a necessidade de cirurgia para colocação de enxerto.

Fisioterapia
As complicações após a imobilização são rigidez articular, atrofia muscular da parte distal da perna e possivelmente da musculatura da parte proximal da coxa e quadril, assim como um padrão anormal da marcha. É importante que o fisioterapeuta realize uma avaliação abrangente para determinar todos os possíveis problemas que podem surgir na reabilitação inclusive amplitude de movimento, mobilidade articular, flexibilidade muscular, comprometimento de força, propriocepção, equilíbrio e marcha, o fisioterapeuta precisa também determinar as necessidades funcionais que serão impostas ao paciente e estabelecer objetivos a curto e a longo prazo de acordo com essas necessidades.

Deve-se utilizar recursos cinesioterápicos para mobilização articular, alongamentos terapêuticos e fortalecimento da musculatura preservada a fim de evitar atrofias. É importante abordar os déficits de amplitude de movimento imediatamente com exercícios de ganho de ADM, alongamentos passivos e mobilização articular. Deve-se iniciar com exercícios de fortalecimento isométrico evoluindo para isotônico assim que a ADM estiver normalizada. Após o inicio da descarga de peso deve-se treinar e reeducar a marcha e fortalecer musculatura da coxa e estabilizadores do quadril.

Na evolução de uma fratura intervêm múltiplos fatores, como a idade do paciente, a lesão de partes moles, a perda óssea, a existência prévia de enfermidades, infecções, cirurgia realizada em momento oportuno, a técnica operatória bem escolhida, o conhecimento do cirurgião, a reabilitação, a colaboração do paciente e outros fatores.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Diferenças entre Fratura de Colles e de Smith

Fratura de colles
O paciente é, geralmente, uma mulher idosa, freqüentemente com osteoporose. Ela cai sobre a mão dorsofletida, quebra o rádio transversalmente, logo acima do punho. Provavelmente o impulso do corpo impõe uma força de supinação e a porção inferior do rádio, com a mão, é torcida e inclinada para trás radialmente.
Podemos reconhecer essa fratura pela deformidade “em garfo”, com saliência posterior ao punho e uma depressão anterior. Em pacientes com menos deformidades pode haver somente sensibilidade local e dor nos movimentos do punho.


Incidências póstero-anterior (A) e lateral (B) do antebraço distal demonstram os aspectos da fratura de Colles. Na incidência póstero-anterior é evidente uma diminuição do ângulo radial e uma fratura associada da ulna distal. A incidência lateral revela a angulação dorsal do rádio distal, bem como uma inversão da inclinação palmar. Em ambas as incidências o rádio está encurtando em virtude do deslocamento tipo baioneta. A linha de fratura não se estende até a articulação (Frykman tipo II).

Raio x

Há uma fratura transversa do rádio menor que 2,5 cm do punho e, freqüentemente, o processo estilóide ulnar é cortado para fora. O fragmento radial é: (1) deslocado e inclinado para trás, (2) deslocado radialmente e (3) impactado. 



Fratura de Smith

É uma fratura semelhante à de Colles porém, apresenta um fragmento distal angulado paralelamente.

Os três tipos de fratura de Smith são distinguidos pela obliqüidade da linha de fratura. O deslocamento palmar do fragmento distal é característico dos três tipos. (A) No tipo I de Smith, a linha de fratura é transversal, estendendo-se da cortical dorsal palmar do rádio. (B) A linha de fratura oblíqua no tipo II estende-se da face dorsal do rádio distal até a cortical palmar. (C) O tipo III, que é quase idêntica à fratura de Barton invertida, é uma fratura intra-articular com extensão até o cortical palmar do rádio distal.





Incidências póstero-anterior (A) e lateral (B) do antebraço distal mostram o aspecto típico da fratura de Smith. O deslocame

terça-feira, 18 de março de 2014

Caso Clínico - Prótese Total Ombro Direito



ANAMNESE
Nome : M G C B
Idade: 58 anos
Ocupacão: autônoma

QUEIXA PRINCIPAL: Dor incapacitante há 10 anos. Por causa do seu estado de dor tornou-se uma pessoa ansiosa, depressiva, angustiada e sem vontade de realizar qualquer atividade durante o seu dia, inclusive trabalhar. Depois da segunda cirurgia estava se sentindo bem melhor, embora ainda com poucas dores, dormência em todo o membro superior e limitação de movimento importante.

HDA: Há 10 anos sofreu queda sobre o braço que ocasionou fratura luxação posterior do ombro direito, sendo submetida a cirurgia para a qual a indicação foi a colocação de 2 parafusos. Depois de alguns anos continuava sentindo muitas dores e com muitas limitações de movimentos, então resolveu procurar outro Médico onde foi diagnosticada uma artrose severa com comprometimento do tendão subescapular. Diante do quadro, foi realizada uma artroplastia total, com substituição da cabeça umeral e do componente glenoidal (prótese total do ombro) e transferência muscular para substituir o tendão subescapular.

AVALIAÇÃO: A paciente foi encaminhada para fisioterapia com 40 dias PO. Quando chegou na fisioterapia no pós operatório relatou melhora da dor em 80%. Paciente afirma muita satisfação com a cirurgia e uma melhora significativa no seu dia a dia, na sua dormida e na sua qualidade de vida de forma geral.




EXAME FÍSICO
INSPEÇÃO
Durante a inspeção a paciente ainda fazia uso da tipóia (imobilização). A aparência da pele (cicatriz) estava ótima, com pouco edema. A paciente adotava uma postura antálgica (de proteção), ombro anteriorizado e apresentava bastante atrofia na região em volta da cabeça do úmero, principalmente deltóide anterior e deltóide posterior. O quadro geral da paciente estava bom, embora com muitas limitações de movimentos.

PALPAÇÃO
Foram palpadas as estruturas envolvidas e correlatas como a pele, os acidentes ósseos, o tônus e alguns pontos dolorosos. A paciente relatou dor na região cervical relatando incomodo na região do trapézio fibras superiores e esternocleidomastoideo. A temperatura do membro superior (sensibilidade térmica) estava aparentemente normal, sensibilidade dolorosa alterada (dor irradiada para o 1/3 médio do úmero) e sensibilidade tátil normal. Foi identificado pouco edema, nada importante, o normal de um pós operatório recente, uma vez que a paciente não fez o uso do gelo recomendado no PO imediato.

GONIOMETRIA
Foi solicitado que realizasse alguns movimentos para verificar os graus de ADM, mas a mesma disse que o membro estava muito pesado. Não conseguiu realizar elevação ativa, embora na elevação passiva chegava a 90 graus, rotação interna ativa no sulco glúteo, rotação externa 0 grau, extensão ativa 20 graus.
(Minha impressão)- A paciente sofreu durante tanto tempo que estava com muito medo de movimentar e voltar a sentir as dores. Achei melhor não insistir para aos poucos ganhar sua confiança e começar meu trabalho de reabilitação.

TESTES MUSCULARES E TESTES ESPECIFICOS
Não foram realizados pelos mesmos motivos acima já descritos.

FISIOTERAPIA NO PÓS OPERATÓRIO
OBJETIVOS
- Debelar o edema;
- Diminuir a dor;
- Minimizar os efeitos da imobilização;
- Ganhar amplitude de movimento respeitando o tempo para cada movimento e a tolerância de dor da paciente;
- Aumentar o trofismo;
- Estimular precocemente a propriocepcão;
- Melhorar as alterações posturais;
-Desativar pontos de gatinho próximo a região como trapézio e ECOM;
- Melhorar a circulação do MMSS;
-Evitar outras complicações devido PO .

Nas primeiras sessões foram realizadas crioterapia (em cima do ombro) durante 15 minutos uma vez que ainda permanecia um pequeno edema; TENS; técnicas de mobilizacão articular do esterno clavicular e escapular e movimentos passivos de flexão, rotação externa até o neutro, rotação interna e extensão.

Em pouco tempo os movimentos passaram a ser exercidos de forma ativos assistidos progredindo para movimentos ativos. Para amplitude de movimento foram utilizados bastões (elevação, extensão, RE) , bola grande de bobath, bola pequena, carrinho na maca e na parede, deslizamento do membro na maca, roldana, faixas para rotação interna, movimentos pendulares e luva .

Depois que a paciente conseguiu alcançar ADM satisfatória de acordo com o seu prognóstico, evoluímos o tratamento com treino de força muscular. Começamos a trabalhar com exercícios isométricos com bolas contra a maca e contra a parede, peso, thera band de várias intensidades, thera tubing de várias cores (ambos aumentando a força gradativamente), cama elástica, bolas de bobath de vários tamanhos em várias posições, exercitadores para RE e RI, começando com a paciente deitada e depois em Pé. Para completar o treino de forca muscular, foi feito um programa de exercícios específicos para cada grupo muscular inclusive grande dorsal, trapézio, peitorais, romboides, redondos e outros ligados a reeducação postural utilizando um equipamento chamado streting wall.
Por último , foi realizado exercícios mais específicos para propriocepção com bola e disco flexível.

OBS: Após 5 meses de tratamento (diário) a paciente cansou da fisioterapia e resolveu parar. O resultado foi muito bom, mas talvez com mais algum tempo de fisioterapia teríamos conseguido um pouco mais de amplitude de movimento e de forca muscular.
O mais importante é que até onde acompanhei a paciente, ela estava muito bem, sem dor, conseguindo dormir, trabalhar e realizar as suas AVDs com restrição apenas na rotação interna (não conseguia atacar o sutiã).

terça-feira, 11 de março de 2014

A Fisioterapia na Capsulite Adesiva


As intervenções fisioterapêutica iniciais na Capsulite Adesiva são para o alivio da dor e edema e para o aumento da mobilidade articular do ombro, e à medida que a amplitude de movimento for aumentado podemos iniciar com fortalecimento muscular. (JACOBS, 2005)


Intervenções Fisioterapêuticas para redução da dor e edema:

A crioterapia significa “terapia com frio”. É aplicação terapêutica de qualquer substancia ao corpo que resulte na remoção do calor corporal, diminuindo assim a temperatura dos tecidos e tendo seu beneficio no alivio da dor e do edema. (KNIGHT, 2000)

O Ultra-Som é outra modalidade terapêutica, freqüentemente usada na fisioterapia, pois age como analgésico e se acredita que ele tem ação sobre as mudanças na velocidade de condução nervosa, na eliminação de mediadores da dor através do aumento da circulação local e nas alterações da permeabilidade da membrana celular, que diminui a inflamação e facilita a regeneração tissular. (AGNE, 2002)

Para Agne (2002), outra modalidade terapêutica que pode ser utilizada na Capsulite Adesiva do ombro para o alivio da dor é o TENS, consiste na aplicação de eletrodos sobre a pele intacta com o objetivo de estimular as fibras nervosas grossas A-alfa mielinizadas de condução rápida. Esta ativação desencadeia a nível central, os sistemas analgésicos descendentes de caráter inibitório sobre a transmissão nociceptiva conduzida pelas fibras não mielinizadas de pequeno calibre, gerando desta forma a redução da dor. O TENS está sendo empregado para identificar uma série de diferentes tipos de impulsos elétricos com fins terapêuticos como para analgésica, relaxamento muscular, descontraturante e metabólico. É utilizado em dores agudas e crônicas. Na maioria dos casos o TENS funciona mediante uma corrente alternada caracterizada por uma duração e intervalo de fase ajustável, podendo variar também sua freqüência.


Intervenções Fisioterapêuticas para o ganho da ADM do Ombro:

Antes de iniciar o tratamento cinesioterapêutico deve-se lembrar da artrocinematica da articulação do ombro. Pois a articulação glenoumeral é chamada de bola e soquete, esferóide ou universal e possui três graus de liberdade, e realiza os seguintes movimentos, para frente a flexão, para trás a extensão, lateralmente a abdução, medialmente a adução e com o braço junto ao corpo e com cotovelo flexionado, rodando para dentro a rotação interna e rodando para fora a rotação externa (SMITH, WEISS, LEHMKUHL, 1997)

As mobilizações intra-articular relacionam-se aos movimentos que ocorrem dentro da cápsula articular e descrevem a distensibilidade ou “frouxidão” na cápsula articular, no qual permite que os ossos se movam. Os movimentos são necessários para o funcionamento articular normal, as mobilizações incluem em separação, deslizamento, rolamento e giro das superfícies articulares. Cabe ao Fisioterapeuta a capacidade de traçar seus objetivos quanto ao ganho da ADM, para aumentar a abdução os deslizamentos da cabeça do úmero deve ser caudal, para aumentar a flexão ou rotação interna os deslizamentos devem ser posterior e para aumentar a extensão e rotação externa o deslizamento da cabeça umeral deve ser em sentido anterior (KISNER, 1998).

O alongamento é usado como manobra terapêutica elaborada para aumentar o comprimento de estruturas de tecidos moles patologicamente encurtados e desse modo ocorre o aumento da amplitude de movimentos, devendo ser realizados inicialmente os alongamentos passivos pois possui grandes vantagens mecânicas do que comparado ao ativo. Podem ser realizados vários técnicas de alongamentos, como por exemplo o alongamento capsular posterior, onde o paciente aduz horizontalmente o braço, cruzando á frente do corpo e então utiliza a outra mão para puxar o braço o braço afetado, aumentado a adução horizontal, para alongar a cápsula articular anterior, o alongamento com as mãos atrás do dorso, segurando uma toalha com ambas as mãos, com o braço atrás da região glútea, o paciente coloca o outro braço atrás da cabeça e, lentamente, puxa superiormente a toalha com a mão superior, até que sinta o alongamento (MAXEY, 2003; JACOBS, 2005; KISNER, 1998).


Os exercícios de Codman são realizados para a mobilidade articular do ombro, pois as técnicas de auto mobilização fazem proveito do uso da gravidade para separar o úmero da cavidade glenoide. Ele ajuda no alivio da dor através de movimentos de leve tração (grau I e II) e dão mobilidade precoce as estruturas articulares e liquido sinovial. À medida que o individuo tolera o alongamento pode-se introduzir pesos nos punhos para conseguir uma força de separação articular (Grau III e IV). Os exercícios devem ser realizados com o individuo em pé em flexão lombar de 90º, sendo realizados no sentido horário, anti-horário, látero- lateral e antero - posterior. A musculatura escapular deve estar totalmente relaxada, com o paciente buscando, progressivamente, alcançar maiores amplitudes (JACOBS, 2005; KISNER, 1998).

E o exercício de fortalecimento muscular deve ser acrescentado à medida que a amplitude de movimento da articulação glenoumeral estiver aumentado. Evoluindo da posição de decúbito dorsal até a bipedestação, aumentando a atividade de manguito rotador e do deltóide, com os movimentos de abdução em plano escapular, rotação externa e extensão do ombro (JACOBS, 2005). Os exercícios podem ser aplicados por contrações musculares dinâmicas como estáticas. Podendo ser executados isotonicamente com contrações concêntricas e excêntricas, isometricamente e até mesmo isocineticamente (KISNER, 1998).

Deve ser empregado junto à fisioterapia um programa de exercícios domiciliares, onde o paciente é treinado e ilustrado a realizar exercícios auto passivos com movimentos angulares em casa, com a utilização de bastão e roldana no teto e exercícios pendulares. A orientação é dada para que sejam realizados com pouca intensidade, por curtos períodos de tempo e varias vezes ao dia, mediante a um programa de exercícios específicos (LECH; SEVERO 2003; THOMPSON, 2004).