A pubalgia crônica é caracterizada por sinais e sintomas ao nível do púbis. Esse quadro é resultante dos efeitos provocados pelos encurtamen...

Tratamento da pubalgia crônica



A pubalgia crônica é caracterizada por sinais e sintomas ao nível do púbis. Esse quadro é resultante dos efeitos provocados pelos encurtamentos musculares das cadeias
miotensivas do tronco e dos membros inferiores, que diminuem ou bloqueiam os movimentos do púbis, logo, tratar localmente (o púbis), não resolveria o problema, pois não se trataria as causas e sim os sintomas. As condutas adotadas dependem dos desvios encontrados na avaliação estática e dinâmica das partes envolvidas, sejam elas causas ou conseqüências da patologia. (IDE; CAROMANO, 2002).

De acordo com Holt et al (1995) o tratamento recomendado para esta condição inclui o repouso da atividade física, uso de medicamentos anti-inflamatórios e alongamentos.
O tratamento adequado é multidisciplinar, onde o médico diagnostica e prescreve os medicamentos; o fisioterapeuta elabora um programa adequado de reabilitação e o
preparador físico atua na perpetuação dos resultados obtidos, sendo que o tratamento preventivo é a melhor opção, daí a importância de um programa adequado de exercícios de alongamentos antes e depois dos jogos e/ou treinos. A fase de reabilitação pode ser dividida em aguda; fase de reabilitação, onde inicia-se o treinamento aeróbio, fortalecimento dos grupos musculares e os alongamentos; e por último, a fase de retorno ao esporte, onde se trabalha a propriocepção específica, e dependendo da evolução, o retorno total ao esporte. O tratamento clínico inicialmente, está baseado no repouso e nas medidas para a redução do quadro álgico, sendo que `as vezes, diminuindo a quantidade de treinamentos, os sintomas já aliviam. Além da eletrotermofototerapia e hidroterapia, o tratamento vai de encontro à reeducação do equilíbrio proprioceptivo muscular através de métodos como RPG, Terapia manual, Isostreching de Busquet, massagens, e outros. (LASMAR; LASMAR; CAMANHO, 2002).

Canavan (2001) recomenda inicialmente o alongamento indolor da musculatura adutora, e medida que a dor diminua durante a amplitude total do movimento e atividades
diárias, pode-se adicionar um programa com bicicleta estacionária. O objetivo do tratamento é conseguir recuperar a qualidade de alongamento dos músculos encurtados e reforçar seus tendões e pontos de inserção; e o sucesso do tratamento está na postura prolongada, pois os músculos em tensão durante alguns minutos de forma
constante, entram em fadiga e abandonam sua tensão excessiva, aí a bainha do músculo, a partir deste momento, pode ser alongada e o músculo recupera seu comprimento. É fundamental seguir o programa das posturas, sendo que primeiro é necessário relaxar os isquiotibiais e a lordose lombar antes de trabalhar o psoas, adutores e abdominais. (BUSQUET, 1985).

- Postura de cadeia posterior

Coloca-se o paciente em decúbito dorsal com as pernas a 90o , pés a 90o em relação aos tornozelos e queixo para dentro. A coluna lombar e quadril devem estar bem assentados e alinhados, joelhos bem esticados e o arco plantar deve ser corrigido pela flexão dos dedos. Esta postura deve ser mantida inicialmente durante 5 minutos, progredindo para 10 minutos diariamente durante a noite.

- Postura de adutores

O paciente deve estar sentado, pernas esticadas para a frente, braço repousando sobre um banco ou mesa e faz a abdução da perna oposta. O paciente deve manter a sua
postura, bem reto, e regular a tensão dos adutores movendo o joelho para dento ou para fora. A postura deve ser mantida por 3 a 4 minutos de cada lado.

- Postura dos abdominais

O paciente deita-se em decúbito dorsal sobre uma mesa ou uma bola, sendo que suas pernas devem estar esticadas com os calcanhares tocando o chão. Os braços podem ficar esticados ou com as mãos atrás da cabeça. O paciente mantém a postura de 3 a 5 minutos. Busquet (1985) relata que os exercícios devem ser realizados  referencialmente no período da noite ou após os treinos, pois quando realizados de manhã ou antes dos treinos, o atleta se cansa. Enquanto persistirem as fortes retrações, os exercícios devem ser realizados diariamente. Em seguida 3 vezes por semana e depois 2 vezes durante a fase de manutenção.

Fonte

A musculatura da perna pode ser dividida em três grupos de músculos que são anterior, lateral e posterior, constituindo uma atmosfera carnos...

Músculos do joelho



A musculatura da perna pode ser dividida em três grupos de músculos que são anterior, lateral e posterior, constituindo uma atmosfera carnosa que envolve
completamente a fíbula. De um modo geral os músculos anteriores são flexores ao passo que os posteriores são extensores (CASTRO, 1989).

Os músculos que agem na articulação do joelho produzem movimentos de flexão e extensão da perna, mas também um certo grau de rotação, especialmente do côndilo lateral do fêmur em torno do eixo de rotação daquela articulação. Alguns dos músculos que movem a perna atuando na articulação do joelho são biarticulares, agem sobre a articulação do quadril bem como sobre a do joelho. São eles, vasto lateral, vasto medial e, vasto intermédio, reto da coxa que constituem o quadríceps, bíceps da coxa, semitendíneo, semimembranáceo (DÂNGELO e FATINI, 1988).

As origens destes músculos, suas inserções e inervações são:

VASTO LATERAL: Origem: lábio lateral (linha áspera) até o trocânter maior. Inserção: o tendão conjunto do quadríceps se insere nas margens proximal e lateral
da patela (base da patela – ligamento patelar). Ação: extensão do joelho. Estabilizado auxilia no bloqueio do joelho em extensão. Inervação: ramo do nervo
femoral.

VASTO MEDIAL: Origem: lábio medial (linha áspera), a parte distal mais forte que a proximal. Inserção: base da patela. Ação: extensão do joelho e auxilia no
bloqueio do joelho em extensão. Inervação: ramo do nervo femoral.

VASTO INTERMÉDIO: Origem: Perímetro anterior do fêmur. Inserção: base da patela. Ação: extensão do joelho e auxilia no bloqueio do joelho em extensão.
Inervação: ramo do nervo femoral.

RETO DA COXA: Origem: espinha ilíaca antero inferior (cabeça reta) e margem superior do acetábulo (cabeça reflexa). Inserção: base da patela (ligamento
patelar). Ação: estende a perna e auxilia a flexão na articulação do quadril. Inervação: ramos do nervo femoral.

BÍCEPS DA COXA: Origem: túber isquiático. Inserção: cabeça da fíbula. Ação: flexão da perna na articulação do joelho e rotação lateral, extensão e rotação
lateral da coxa na articulação do quadril. Inervação: nervo tibial.

SEMITENDÍNEO: Origem: do túber isquiático por um tendão curto unindo a cabeça longa do músculo bíceps da coxa. Inserção: longo tendão borda medial da
tuberosidade da tíbia. Ação: flexão da perna na articulação do joelho e rotação medial, extensão da coxa na articulação do quadril. Inervação: nervo tibial.

SEMIMEMBRANÁCEO: Origem: do túber isquiático (tendão largo, no espaço entre os músculos bíceps da coxa e semitendíneo e o músculo adutor). Inserção:
tendão curto e espesso do côndilo medial da tíbia e no ligamento poplíteo oblÍquo. Ação: flexão da perna e rotação medial na articulação do joelho; extensão da coxa
na articulação do quadril. Inervação: nervo tibial (PUTZ e PABST, 1995).

Retirei daqui

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Células tronco ajudando a recuperar fraturas



Eu assisti no Jornal Nacional na Rede Globo na  sexta-feira (20) que um tratamento com células-tronco  está curando pacientes com doenças ósseas em Salvador.  O método é coberto pelo Sistema Único de Saúde.

A reportagem mostrou a história de Renata que sofreu um acidente de moto há dois anos atrás e teve uma fratura exposta. Depois de três cirurgias, o osso da perna direita não se recuperava. Renata tinha perdido a esperança de voltar a andar. Até que foi indicada para participar de um tratamento experimental: a injeção de células-tronco no local da fratura para ajudar na consolidação de ossos.

"Era uma novidade, mas como eu e o doutor Vinicius conversamos, não tinha o que perder", lembra.

Renata passou apenas um dia no hospital. Em seis meses, com ajuda da fisioterapia, voltou a andar. O osso estava colado, perfeito. O caso dela acabou virando exemplo da pesquisa.

Outro exemplo foi o Sandro que sofreu uma queda e, mesmo com o implante de uma haste de metal e parafusos, o osso da perna esquerda não colou. Por isso, também concordou em participar da experiência.

A técnica é simples e utiliza as células do próprio paciente. "A surpresa positiva é que praticamente todos os pacientes evoluíram bem, não tendo nenhuma complicação. Estabelecemos a segurança do método, que é minimamente invasivo", avalia Vinicius Schott Garneiro, professor de medicina da UFF.

O procedimento está em fase de estudo no Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia, onde há 800 pessoas na espera pelo tratamento. É realizado somente em ossos longos como os do braço e da perna.

O médico faz uma punção com uma agulha especial e retira as células-tronco da medula óssea. As células são injetadas no local da fratura. A cirurgia leva em torno de uma hora e o paciente volta para casa no dia seguinte. "na maioria das vezes são membros inferiores, usa muletas. E a gente faz um acompanhamento mensal. O resultado final a gente está avaliando entre seis meses a um ano para ver exatamente a evolução total da formação desse calo ósseo", explica João Matheus Guimarães, chefe ortopedia Into.

Em fevereiro, Sandro, com dois meses de cirurgia, vai poder andar de muletas. Ele já faz planos para o Carnaval. "Tomara que nesse carnaval já esteja pulando, pelo menos de muletas".


Os pés de cada pessoa podem ser planos, ter uma curvatura mais acentuada e diferir bastante no tamanho dos dedos. Segundo os ortopedist...

Joanete pode surgir ou piorar com o uso de sapatos de salto e bico fino


Os pés de cada pessoa podem ser planos, ter uma curvatura mais acentuada e diferir bastante no tamanho dos dedos. Segundo os ortopedistas, não existe necessariamente um formato melhor ou mais saudável.

O que não pode haver são sintomas como dor, desconforto ou dificuldade para andar. Portanto, o mais indicado é comprar os sapatos à noite – quando os pés estão mais inchados – e andar com o calçado na loja, para acertar na escolha. O modelo deve se acomodar bem nos pés, deixá-los folgados, ser resistente e garantir proteção.

Isso significa que escolher adequadamente um sapato é o primeiro passo para prevenir calos, unhas encravadas, machucados e joanete. No dia a dia, deve-se evitar salto alto (no máximo, 3,5 cm) e bico fino, segundo o ortopedista Caio Nery e a podóloga Roseli Bueno. Ficar descalço ou de chinelo sempre que possível também é uma boa dica.

Estima-se que indivíduos normais em ambientes urbanos e atividades corriqueiras caminhem cerca de 120 mil quilômetros ao longoe 50 anos de vida.

Saúde dos pés (Foto: Arte/G1)

A prática esportiva trouxe enormes benefícios à saúde e ao bem-estar geral, mas também aumentou a carga de trabalho nos tornozelos e pés, razão pela qual cresceu significativamente a incidência de problemas nessas regiões.

Ao correr, a força sobre os pés aumenta até oito vezes, e ao pular esse valor sobe para 13 vezes. Por isso, é importante cuidar bem dessa parte do corpo, porque – junto com a coluna – é ela que dá sustentação e mantém as pessoas eretas.

Formato dos pés (Foto: Arte/G1)

A especialista explicou no programa que fazer higiene e abrasão dos calos moles, não inflamados nem infectados, é saudável – em casos graves, só um médico pode mexer no local.

É importante também evitar tratar problemas nos pés com pedicures, que cuidam apenas da estética. Deformidades e calos muito persistentes devem ser avaliados por um ortopedista, que pode propor palmilhas ou a troca de calçados.

O ideal é que, ao caminhar, os pés fiquem na posição "12h55", nem para dentro, nem paralelos, nem muito para fora. Os pés chatos, em alguns casos, podem precisar de intervenção ou palmilhas, mas não precisam necessariamente ser tratados.

Protetores e palmilhas ajudam a evitar calos. No caso de joanete, protetores podem aliviar a dor, mas não curam o problema. Aparelhos e separadores também não alteram esse desvio no dedão.

Para evitar problemas ao caminhar por longas distâncias de casa para o trabalho e vice-versa, algumas mulheres carregam dois sapatos. Assim, não perdem o conforto nem a elegância no dia a dia.

O joelho é uma articulação intermediária do membro inferior, instável do ponto de vista ósseo, sendo o sistema ligamentar e muscular os pr...

Caso clínico: Fisioterapia aquática na reconstrução do ligamento cruzado anterior


O joelho é uma articulação intermediária do membro inferior, instável do ponto de vista ósseo, sendo o sistema ligamentar e muscular os principais estabilizadores [1].

    A articulação do joelho envolve três ossos: o fêmur, a tíbia e a patela, onde os côndilos femorais se articulam com os da tíbia e a face patelar recebe a patela quando o membro está fletido [2]. Os ligamentos juntamente com a cápsula articular unem firmemente os ossos para formar a articulação e servem também para mante-los em oposição, influenciando o arco de movimentação articular [3].

    O ligamento cruzado anterior repousa mais anteriormente na cavidade intercondilar, originando-se na depressão anterior à eminência tibial média. Desde sua origem ele se dirige em uma direção superior, oblíqua e posterior para se inserir no côndilo femoral lateral em um padrão semicircular, dando-lhe uma configuração retorcida, sendo que se encontra totalmente distendido na posição de extensão do joelho. [3].

    O grupo muscular do quadríceps é o principal extensor do joelho, auxiliado em cadeia cinética fechada pelos músculos isquiotibiais e sóleo. Os isquiotibiais são os flexores primários do joelho, auxiliados pelo músculo gastrocnêmio [4].

    O joelho possui um grau de liberdade, a flexão/extensão que aproxima ou afasta o membro de sua raiz, e um grau acessório, apresentando uma rotação sobre o eixo longitudinal da perna, que só ocorre quando a articulação está fletida [5].

    A amplitude de movimento do joelho possui relação direta com a posição do quadril. Na extensão ativa poucas vezes o joelho ultrapassa a posição de 0º, e a eficácia do músculo reto anterior da coxa como extensor do joelho aumenta com a extensão do quadril. Por outro lado, a flexão ativa atinge 140º com o quadril flexionado e apenas 120º com o quadril estendido, devido à diminuição da elasticidade dos isquiotibiais [5].

    O ligamento cruzado anterior é o ligamento do joelho mais comumente lesado em virtude de ser o estabilizador principal dessa articulação [6]. Além disso, o ligamento cruzado anterior além de promover a estabilidade anterior da tíbia em relação ao fêmur possui ainda as funções de mecanismo de trava, controle do estresse em valgo e varo, limita a hiperextensão e guia a flexo-extensão tibiofemoral [7].

    A lesão do ligamento cruzado anterior pode estar associada a lesões dos ligamentos colaterais e dos meniscos, sobretudo nos casos em que produz uma rotação de tronco em relação às extremidades inferiores [8]. As lesões meniscais estão presentes em 20 a 40% das lesões agudas de LCA e em até 80% dos casos antigos de ruptura [9].

    Há uma incidência de 1 para 3.000 indivíduos com ruptura do ligamento cruzado anterior que ocorrem principalmente em indivíduos do sexo masculino, sendo a maioria delas causadas durante as atividades esportivas. O grupo de idade mais comumente associado à ruptura de LCA está entre 15 e 25 anos de idade, porém essa lesão também tem sido vista em indivíduos ativos com até 50 anos [10].

    Vários são os mecanismos responsáveis pela lesão no ligamento cruzado anterior. Estes incluem: rotação externa, abdução e força anterior aplicada à tíbia; rotação interna do fêmur sobre a tíbia fixa e hiperextensão do joelho. As lesões ocorrem mais freqüentemente em situações onde não ocorre contato físico direto [3].

    Após a ruptura aguda do LCA o joelho incha imediatamente ou nas primeiras 24h, traduzindo a hemartrose provocada pela ruptura do ligamento, e a impotência funcional segue o trauma [9]. Além disso, as queixas relatadas pelos pacientes com ruptura de LCA são: falseio, incapacidade de correr, driblar e derrame articular aos esforços [11].

    A tendência atual é a indicação da prática cirúrgica de reconstrução ligamentar em pacientes que pretendem continuar com a prática desportiva [12].

    Atualmente o procedimento mais utilizado por muitos cirurgiões na reconstrução do ligamento cruzado anterior é a utilização do enxerto autólogo do terço médio do tendão patelar [13].

    O enxerto de terço médio do tendão patelar apresenta força de tensão comparável ao do ligamento original e uma rigidez aumentada [10].

    Conforme Maxey e Magnusson [10], em estudos realizados em animais, aceita-se que os auto-enxertos osso/tendão-patelar/osso sofrem processo de "ligamentização" o que resulta em um enxerto em que o aspecto vascular e histológico é semelhante ao de um LCA normal após um ano [14].

    Em 1967 Hislop e Perrine introduziram o conceito de exercício isocinético, o que permite a contração muscular máxima de forma dinâmica com resistência em toda a amplitude de movimento, a velocidade angular constante é escolhida com controle do fenômeno da aceleração e desaceleração do movimento e a resistência é auto-adaptada à força desenvolvida pelo indivíduo [15].

    Usualmente a articulação do joelho é avaliada na posição sentada, assumindo movimento femoral mínimo devido à estabilização distal da coxa, com o alinhamento do eixo do dinamômetro estendendo-se através do côndilo femoral lateral [16].

    Na primeira sessão de teste isocinético após a cirurgia de reparo do ligamento cruzado anterior são indicadas às velocidades de 180º e 300º/s. E a limitação da amplitude de movimento depende do tipo de lesão e de seu tratamento, no caso da reconstrução do LCA deve-se evitar os últimos 20º ou 30º de extensão, pois podem ser agressivos para o neoligamento, sobretudo com aplicação distal da resistência [16].

    Os exercícios aquáticos têm sido recomendados pela capacidade em permitir a antecipada mobilização ativa e desenvolver uma perfomance neuromuscular, principalmente durante a fase inicial do programa de reabilitação [17].

    A Fisioterapia Aquática é um recurso terapêutico que pode ser utilizado beneficamente em casos em que se deseja redução da sustentação de peso, quando há dor, inflamação, retração, espasmo muscular, limitação da ADM em casos de cirurgia recente, lesões neuromusculares ou ortopédicas agudas, doença reumatológica ou deficiência neurológica, proporcionando um ambiente controlável e adequado para a restauração das habilidades funcionais [18, 19].

    O relaxamento e a redução da dor resultam de sobrecarga sensorial ocasionada pela flutuabilidade, pressão hidrostática, viscosidade, temperatura e turbulência. Além disso, proporcionam estímulos para a percepção cinestésica e proprioceptiva. Também proporciona um meio para aprimorar o desempenho de forma precoce permitindo atividades funcionais que estimulam o equilíbrio e a coordenação [14,18,19].

    A redução dos efeitos da gravidade e da força de flutuação permite o controle precoce do movimento. A habilidade de reproduzir na fase inicial do tratamento movimentos realizados no solo pode acelerar o retorno do paciente as atividades cotidianas por meio da redução da atrofia e melhora da função. A flutuação pode ajudar na amplitude de movimento ao levar a parte afetada em direção à superfície da piscina. Além disso, a marcha pode ser auxiliada e seus desvios corrigidos junto às correções posturais que podem ser feitas com menor esforço e desconforto para o paciente devido à diminuição da força de compressão sobre a coluna e outras articulações [18].

    A resistência da água oferece um meio de fortalecimento seguro e efetivo. Devido à viscosidade da água, a resistência é encontrada em todas as direções do movimento. Dentro da água a resistência é modificada facilmente, ajustando-se o braço de alavanca, a velocidade do movimento e a turbulência da água. À medida que a velocidade da atividade ou do movimento aumenta ou diminui, o mesmo ocorre com a resistência a esse movimento. Se surgir dor, a resistência deve ser reduzida para limites toleráveis, tornando a atividade mais lenta. Sendo assim, pode ser realizado o exercício de alta intensidade por longo período de tempo sem impor um estresse excessivo aos tecidos em fase de cicatrização [14].

    A água proporciona um meio adequado para o tratamento de paciente com dor e pacientes que ainda não podem se exercitar em terra, permitindo o movimento e o relaxamento. A facilitação na execução do movimento permite ao paciente conquistar muito mais que em solo, aumentado sua confiança e contribuindo para sua reabilitação [19].

    Diante desses fatores, esta pesquisa teve como principal objetivo analisar os resultados terapêuticos provenientes da Fisioterapia Aquática em um sujeito submetido à cirurgia de reconstrução do ligamento cruzado anterior.

Material e método

    O estudo foi de caráter experimental. A amostra foi selecionada no Instituto de Ortopedia e Traumatologia de Passo Fundo (IOT-RS) e, compreendeu um sujeito do sexo masculino com 28 anos de idade, da raça branca, 1,76 m de altura, 86,5 Kg, com lado dominante direito, tendo como profissão montador de móveis. O sujeito não realizava atividade física no momento e apresentava ruptura do LCA associado à lesão meniscal.

    Foram excluídos do estudo os sujeitos que possuíam histórico de cirurgia prévia, comprometimento neurológico, doenças sistêmicas e cutâneas que pudessem interferir no tratamento e nos resultados do estudo.

    Depois de selecionada a amostra, foi marcada a primeira avaliação fisioterápica, onde se expôs claramente ao participante a justificativa e os objetivos do estudo, assim como os materiais e procedimentos que seriam utilizados para sua realização. O sujeito assinou um termo de consentimento livre e esclarecido aceitando participar da pesquisa.

    Na avaliação inicial pré-cirúrgica foram registrados os dados do sujeito incluindo a história da lesão e os sinais e sintomas que apresentava no momento da anamnese. No exame físico foi avaliada a perimetria do joelho através de uma fita métrica da marca "corrente", onde foi mensurado o valor de 10cm supra e infrapatelar. Foi avaliada também a amplitude de movimento de flexão e extensão ativo e de ambos os joelhos através de um goniômetro manual universal.

    Durante a anamnese o sujeito relatou que a lesão do ligamento ocorreu há aproximadamente um ano e meio durante um jogo de futebol. Relata que ao cair com o joelho em varo sentiu dor e estalido no momento, logo após o alivio dos sintomas voltou a jogar, sendo que no dia posterior surgiu edema e dor. Após um ano de lesão procurou atendimento médico onde através da positividade dos testes especiais e exames complementares foi dado o diagnóstico.

    Durante a avaliação relatou que ao realizar atividade física ocorria dor e edema no joelho, impossibilitando-o de continuar a prática. Após a anamnese foi realizado o exame físico onde o sujeito apresentou edema no joelho direito sem dor a palpação e marcha normal. Foram realizados os testes especiais de Lachmann e gaveta anterior que se apresentaram positivos no membro inferior direito.

    Após o exame físico foi realizado a avaliação isocinética, onde foi utilizado o Dinamômetro computadorizado da marca Biodex™ Multi Joint System 3 Pro. Foi avaliado o pico de torque e a relação agonista/antagonista na velocidade de 180º/s, realizada na posição sentada com o encosto da cadeira à 85º e com o sujeito estabilizado através de cintas que fixavam o tórax, bacia e membro contralateral, sendo que foi utilizada uma amplitude de movimento de 90º para 10º de flexão do joelho [16]. Após o 2º mês pós-operatório foram realizadas novamente as medidas de perimetria e goniometria, assim como a avaliação isocinética, utilizando-se os mesmos parâmetros do pré-operatório.

Tratamento fisioterápico realizado

    Após a cirurgia, no 2º dia pós-operatório foi dado início aos atendimentos, que aconteceram durante um período de 2 meses (segundo protocolo utilizado) em 3 vezes por semana, com sessões de 50 minutos, totalizando 24 atendimentos. Do segundo dia até a retirada dos pontos foi utilizado um adesivo impermeável para proteger a ferida operatória do contato com a água. Foi utilizado o protocolo de Ruoti, Morris e Cole (2000) [6] que foi adaptado conforme os objetivos do tratamento.

    O protocolo proposto compreendeu três fases. A primeira fase com duração até o 15o dia de Pós-operatório, a segunda fase da 2o a 4o semanas e a terceira da 4o a 8o semanas. As fases do protocolo incluem: aquecimento, alongamento dos principais músculos envolvidos, exercícios resistidos, caminhada, corrida leve, saltos, treino de marcha, treino de propriocepção e relaxamento. As fases do protocolo, o tempo e o número de repetições dos exercícios progrediram conforme a evolução e a aceitação do paciente. Após a aplicação do protocolo, os dados do pós-operatório foram comparados com os dados do pré-operatório e serão apresentados a seguir.

Resultados e discussão

    Na tabela I foi verificado um declíneo da ADM de flexão do membro envolvido na primeira avaliação pós-operatória em relação ao valor do pré-operatório, seguido de um aumento dos valores ao final do primeiro e segundo mês superiores a avaliação inicial. Já na ADM de extensão do membro envolvido, houve uma regressão dos valores, sendo que na avaliação pré-operatória o sujeito encontrava-se com o joelho em flexo e após o segundo mês em extensão total.

Tabela I. Valores referentes a goniometria ativa em graus.

 

Movimento

Pré-operatório

1ºavaliação pós-operatório

1º mês pós-operatório

2º mês pós-operatório

Membro envolvido (D)

flexão

extensão

120º

10º

40º

130º

130º

Membro não-envolvido (E)

flexão

extensão

128º

130º

136º

140º

    Em relação aos valores apresentados na Tabela I podemos constatar que houve uma melhora considerável na amplitude articular do membro envolvido após a mensuração realizada no segundo dia do pós-operatório, atingindo valores próximos ao membro contra lateral ao final dos dois meses de tratamento.

    Em estudos de Tovin et al (1994) [20] onde foi comparado o tratamento pós-operatório de reconstrução de LCA entre dois grupos, um no solo e outro na água, em ambas análises os dados revelaram ganho significativo somente durante as seis primeiras semanas de reabilitação. Em nosso estudo o sujeito atingiu um valor pós-operatório superior ao valor medido no pré-operatório do membro envolvido. Além disso, o flexo de joelho que apresentava antes da cirurgia foi diminuindo no decorrer do tempo chegando ao final da oitava semana a 0º, provavelmente pelo trabalho de alongamento das estruturas músculo-ligamentares [20].

    De acordo com Ruoti, Morris e Cole [6], o simples movimento através da água juntamente com o alívio da sustentação de peso, ajudam a diminuir a dor e proporcionam a obtenção de arcos articulares maiores.

    Na tabela II, abaixo, verificamos que os valores da medida supra-patelar do membro envolvido mantiveram–se iguais na avaliação pré-operatória e na primeira avaliação pós-operatório, apresentando um declíneo no primeiro mês, seguido de um aumento do valor ao final do segundo mês comparado ao pré-operatório em decorrência do trabalho muscular desenvolvido durante o protocolo.

Tabela II. Valores referentes as medidas de perimetria (cm).

 

Medida supra e infra patelar

Pré-operatório

1ºavaliação pós-operatório

1º mês pós-operatório

2º mês pós-operatório

Membro envolvido (D)

10 supra

10 infra

51.5

42.0

51.5

42.5

50.0

41.5

53.0

41.0

Membro não-envolvido (E)

10 supra

10 infra

52 .0

41.0

51.5

41.5

51.5

40.0

54.0

40.0

    A atrofia muscular que regularmente se observa nos sujeitos com lesão ligamentar está determinado pela inibição neuromuscular, presença de edema, dor e diminuição na atividade dos receptores articulares [7,10]. A efusão crônica do joelho provoca a inibição da atividade do quadríceps, e a ausência de informações proprioceptivas devido à ruptura do ligamento cruzado anterior ocasionam a inibição reflexa desse músculo diminuindo sua massa muscular. Além disso, a facilitação da atividade dos isquiotibiais promove fortalecimento dessa mesma musculatura, fato esse que ocorre com o objetivo de substituir a ação estabilizadora do ligamento cruzado anterior [21,22].

    Na Tabela III abaixo, verificamos os valores do pico de torque no movimento de flexão e extensão dos joelhos na velocidade de 180º/s, lembrando que a avaliação isocinética pré-operatória fora realizada dois dias antes da cirurgia e a avaliação no pós-operatório ocorreu dois meses após a cirurgia reconstrutiva.

Tabela III. Valores referentes ao pico de torque (N-M) no movimento de flexão e extensão de joelho na velocidade de 180º/s.

 

Extensão

Flexão

 

Não- envolvido(E)

Envolvido(D)

Déficit (%)

Não-envolvido(E)

Envolvido(D)

Déficit (%)

Pré-operatório

124.5

119.6

3.9

100.5

69.8

30.6

 

Pós operatório

(2º mês)

163.0

130.6

19.9

103.1

88.1

14.5

Diferença

pré e pós

↑ 38.5

↑ 11.0

 

↑ 2.6

↑ 18.3

 

    Na tabela III foi verificado que todos os valores de pico de torque de flexão e extensão em ambos os membros obtiveram aumento, sendo que no movimento de extensão o déficit aumentou devido a uma discrepância dos valores do membro envolvido em relação ao não-envolvido. Além disso, foi observada uma redução do déficit flexor.

    No estudo realizado por Solomonov et al apud Fatarellli, Almeida e Nascimento (2004) [21] foi evidenciado a falha do torque extensor em indivíduos com lesão do LCA durante movimento isocinético concêntrico. Essa queda de torque foi acompanhada por queda na atividade eletromiográfica do quadríceps e aumento na atividade eletromiográfica dos isquiotibiais para tentar evitar essa falha do torque extensor. Um desequilíbrio ou fraqueza muscular tem sido atribuído a lesão do LCA. Em uma avaliação isocinética realizada em indivíduos com lesão de LCA foi detectado déficit do pico de torque de 14% para quadríceps e 4% para isquiotibiais, sendo que esses dados sugerem perda seletiva das fibras de contração rápida decorrente da lesão de LCA [21]. Em nosso estudo houve uma diminuição do déficit.

    Dvir (2002) [16] afirma que durante um período aproximado de dois anos após a reconstrução do LCA e após um programa de reabilitação, um déficit no quadríceps de 15% a 20% comparado com o lado não envolvido deve ser esperado. Um equilíbrio ideal da musculatura agonista em comparação com a antagonista situa-se entre 60 a 70% [23].

    Segundo Terreri, Greve e Amatuzzi (2001) [24], estudos com avaliação isocinética no pós-operatório de LCA mostraram que no lado operado valores que podem ser iguais ou apresentar um déficit pequeno comparado com o lado não operado. Os autores indicam os valores situados entre 55% a 77% como sendo os valores da relação agonista/antagonista de joelho com menor índice de lesão.

    Essa relação é visualizada na Tabela IV abaixo, onde podemos constatar que a relação agonista/antagonista do membro envolvido foi de 58.3 para 67.5.

Tabela IV. Valores referentes a relação agonista/antagonista (%) no movimento de flexão e extensão do joelho na velocidade de 180º/s.

 

Não- envolvido(E)

Envolvido(D)

Pré-operatório

80.7

58.3

Pós operatório

(2º mês)

63.2

67.5

    Na Tabela VI, a relação agonista/antagonista do indivíduo situou-se dentro dos parâmetros referentes a um bom equilíbrio muscular, sendo que Hirata e cols (2003) [23], um equilíbrio ideal da musculatura agonista em comparação com a antagonista situa-se entre 60 a 70%.

Conclusão

    Por meio desta pesquisa verificou-se que o sujeito submetido à reabilitação aquática apresentou um aumento gradativo da amplitude de movimento de flexão e extensão, tanto do membro envolvido, quanto do membro não-envolvido até o final do segundo mês de tratamento. Com relação ao pico de torque o sujeito apresentou aumento dos valores tanto no movimento de flexão quanto em extensão em ambos os membros, porém houve um aumento no déficit extensor provavelmente porque o membro envolvido não acompanhou a evolução do membro-não envolvido. Já na relação agonista/antagonista os dados apresentaram-se ao final do segundo mês dentro dos parâmetros normais, sendo que uma boa relação flexora/extensora do joelho é fator importante no que se refere à menor suscetibilidade de lesões nesta articulação.

    Assim, a reabilitação aquática proporcionou ambiente seguro para inicio precoce das atividades resistidas e descarga de peso total que foi incentivada desde o início do tratamento, além de proporcionar a realização dos exercícios sem a presença de dor.

    Portanto, conclui-se através dos resultados obtidos nessa pesquisa que a reabilitação aquática nos primeiros dois meses de pós-operatório trouxe benefícios para o sujeito dessa amostra com relação ao ganho de ADM, trofismo muscular, redução do edema, pico de torque muscular e relação agonista/antagonista.

Fonte

A articulação do cotovelo é um gínglimo ou articulação em dobradiça. Possui três articulações: úmero-ulnar, entre a tróclea do úmero e a ...

Anatomia do Cotovelo


A articulação do cotovelo é um gínglimo ou articulação em dobradiça. Possui três articulações: úmero-ulnar, entre a tróclea do úmero e a incisura troclear da ulna, úmero-radial, entre o capítulo do úmero e a cabeça do rádio e rádio-ulnar proximal, entre a cabeça do rádio e a incisura radial da ulna.
As superfícies articulares são reunidas por uma cápsula que é espessada medial e lateralmente pelos ligamentos colaterais ulnar e radial.
Cápsula Articular - Circunda toda a articulação e é formada por duas partes: anterior e posterior. A parte anterior é uma fina camada fibrosa que recobre a face anterior da articulação. A parte posterior é fina e membranosa e consta de fibras oblíquas e transversais.
Ligamento Colateral Ulnar - É um feixe triangular espesso constituído de duas porções: anterior e posterior, unidas por uma porção intermediária mais fina.
Ligamento Colateral Radial - É um feixe fibroso triangular, menos evidente que o ligamento colateral ulnar.
A articulação rádio-ulnar proximal é uma juntura trocóide ou em pivô, entre a circunferência da cabeça do rádio e o anel formado pela incisura radial da ulna e o ligamento anular.
Ligamento Anular - É um forte feixe de fibras que envolve a cabeça do rádio, mantendo-a em contato com a incisura radial da ulna. Da borda inferior do ligamento anular sai um feixe espesso de fibras que se estende até o colo do rádio, denominado ligamento quadrado.
Vista Anterior das Estruturas Articulares do Cotovelo
Fonte: NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

Vistas Lateral e Medial das Estruturas Articulares do Cotovelo
Fonte: NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

Vistas Anterior e Posterior das Estruturas Articulares do Cotovelo
Fonte: NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.


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Curso online sobre Fraturas


Conteúdo Programático do curso online Fraturas

  • Fraturas;
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  • União de fraturas;   
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O calcâneo é o osso do calcanhar. O trauma mais frequente que acarreta as fraturas do calcâneo é a queda de altura. Entretanto, outros tra...

Fratura do calcâneo na visão do médico


O calcâneo é o osso do calcanhar. O trauma mais frequente que acarreta as fraturas do calcâneo é a queda de altura. Entretanto, outros traumas como por exemplo, os acidentes automobilísticos, também respondem por uma parcela destas fraturas. O que deve ficar claro é que, para que ocorra uma fratura do calcanhar, há necessidade de um trauma de alta energia.

O calcâneo é um osso de anatomia bastante complexa e pouco compreendida pela maioria dos ortopedistas, que na maioria das vezes, preferem não se aventurar no tratamento desta lesões. Há dois grandes grupos de fraturas do calcâneo e essa divisão, na maioria das vezes, norteia o tratamento. As fraturas são dividas em extra-articulares (fratura que não atravessam a superfície articular) e as intra-articulares. A maioria das fraturas são intra-articulares  e exigem tratamento por meio de cirurgia.

Nas fraturas do calcâneo, os pacientes manifestam dor intensa, inchaço no calcanhar e incapacidade para apoiar o pé no chão. O diagnóstico é feito por meio de radiografias e o planejamento do tratamento ideal também exige uma tomografia computadorizada.

Nos casos cirúrgicos, o tratamento visa reconstruir a forma óssea o mais próximo possível da original, embora alguma fraturas sejam tão graves, que impossibilitam uma reconstrução de 100% desta anatomia. Os fragmentos ósseo são reposicionados e fixados por meio de parafusos e placas, conforme a opção do cirurgião.

 

O período pós-operatório é demorado e exige muitas sessões de fisioterapia para a reabilitação. Em muitos casos, apesar de um tratamento inicial conduzido de forma adequada, a gravidade da fratura pode causar sequelas definitivas no movimento do pé afetado. Outra sequela bastante comum é a dor, de intensidade variável, relacionada aos os esforços do dia-a-dia.

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Resumo sobre entorse de tornozelo




ma das lesõesmais comuns na clínica de fisioterapoa é a entorse de tornozelo, que podem ser classificadas de acordo com sua localização ou com o mecanismo da lesão. O mecanismo da lesão ligamentar é, geralmente, o momento do impacto do pé, quando o pé está em flexão plantar e supinado (pé para fora), provocando maior instabilidade óssea do tornozelo. Os ligamentos absorvem grande parte do impacto, porque os músculos fibulares (laterais da perna) não conseguem se contrair com rapidez suficiente para amortecer o impacto. Veja a classificação:

http://www.treinamentoesportivo.com/wp-content/uploads/2010/07/entorse_cantagalo.jpg

ENTORSES POR INVERSÃO (quando o pé vai para fora) resultam em lesão dos ligamentos laterais do tornozelo, que é, de longe, a mais comum. Acometem os três principais ligamentos laterais: Talofibular anterior, calcaneofibular e talofibular posterior.

ENTORSES POR EVERSÃO (quando o pé vai para dentro) são menos comuns. Acometem o ligamento deltóide e apesar do fato de as entorses em eversão serem menos comuns, a gravidade destas entorses pode fazer com que demorem mais para recuperar do que as entorses por inversão.

Outra classificação que pode ser usada é de acordo com a gravidade de lesão:

Grau I: Há algum estiramento ou talvez ruptura das fibras ligamentares, com pouca ou nenhuma instabilidade articular. Dor leve, pequeno edema e rigidez articular podem ser detectados.

Grau II: Algumas fibras ligamentares são rompidas ou separadas e ocorre uma instabilidade moderada da articulação do tornozelo. Dor, edema e rigidez articular, de moderado a severo devem ser esperados.

Grau III: Ruptura total do ligamento e manifestam-se primariamente pela instabilidade articular. Dor severa presente no início, seguida por desaparecimento da mesma, em virtude da ruptura total das fibras nervosas. Presença de um grande edema, tornando a articulação muito rígida.

O tratamento de uma entorse de tornozelo se divide em algumas fases. Na  fase inicial do tratamento, os objetivos principais são: reduzir o edema, o sangramento e a dor pós-lesão, além de proteger o ligamento já em recuperação. O controle do edema é a medida de tratamento mais importante a ser adotada ao longo de todo o processo de recuperação. Inicialmente, o tratamento principal é a redução do edema. Feito assim, reduz-se, consideravelmente, o tempo de recuperação.

O tratamento inicial inclui: gelo, compressão, elevação, repouso e proteção.

1) Gelo: Seu uso baseia-se na constrição do fluxo sangüineo superficial para deter a hemorragia, diminuindo o metabolismo celular local. Seu uso é controverso na literatura quanto ao tempo de exposição, porém recomendo nas lesões agudas, por 30 min a cada 4 horas

2) Compressão: Uma bandagem elástica deve ser aplicada de forma firme e homogênea, de baixo para cima. A compressão deve ser feita junto com o gelo, por isso recomenda-se que a bandagem seja umedecida para facilitar a passagem do frio.

3) Elevação: Permite que a gravidade atue junto com o Sistema Linfático, reduz a pressão hidrostática, de forma a permitir a redução na perda de líquidos. Deve-se procurar manter a perna elevada, particularmente nas primeiras 24 a 48h.

4) Repouso: É importante que o processo inflamatório seja concluído. Deve-se esperar 24 a 48h, antes de incorporar técnicas agressivas de exercícios. Entretanto, repouso não significa não fazer nada. Exercícios com o membro não afetado devem ser realizados, para estimular a transferência cruzada. Exercícios isométricos podem ser realizados em dorsiflexão ( pé para cima ) e plantiflexão ( pé para baixo). Exercícios ativos de dorsiflexão e plantiflexão podem ser realizados com o gelo e o pé em elevação. Devem ser evitados os movimentos de inversão e eversão.

5) Proteção: Várias órteses disponíveis no mercado podem ser úteis. Ao mesmo tempo que possibilitam a plantiflexão e dorsiflexão, limitam a inversão-eversão do pé e, também, promovem o controle do edema.

PROGRESSÃO DO TRATAMENTO

Dependerá da gravidade da lesão. Na fase inicial, o exercício vigoroso é contra-indicado. O peso deve ser sustentado parcialmente com a ajuda de muletas para reduzir a atrofia muscular, as perdas da propriocepção e a estase sangüinea. Ao mesmo tempo inibe a contratura dos tendões, que pode provocar tendinite.

AMPLITUDE DE MOVIMENTO

Deve-se iniciar com mobilização articular leve concentrando na dorsiflexão e plantiflexão. À medida que a sensibilidade sobre o ligamento diminuir, devem ser iniciados os exercícios de inversão e eversão. Exercícios realizados no giroplano podem ser benéficos para restauração da amplitude do movimento e para início do controle neuromuscular. É importante o alongamento do tendão de Aquiles. Estudos indicam que este tendão, quando tencionado, pode aumentar a chance de ocorrência de entorses do tornozelo.

FORTALECIMENTO

Iniciar com os exercícios isométricos (contra resistência- sem movimento- só contração) e exercícios isotônicos (com produção de movimento), de dorsiflexão e plantiflexão. Depois que a sensibilidade no ligamento aumentar, deve ser iniciado o fortalecimento em inversão-eversão do pé (pé para dentro e para fora).

PROPRIOCEPÇÃO

A propriocepção é um fator importante na recuperação funcional das entorses de tornozelo. A sustentação parcial do peso com pé só é um exercício eficaz. Também são indicados os exercícios no giroplano, cama elástica, balancinho, etc. As variações do terreno são um outro fator importante, tanto para marcha como corrida leve de adaptação. Exercícios como o Leg Press e os miniagachamentos sobre a perna comprometida estarão estimulando a sustentação do peso e potencializando um bom retorno proprioceptivo.

É importante salientar que as progressões funcionais dos exercícios devem constituir como base de um programa, promovendo adaptações no organismo necessários para um bom retorno às atividades. Os exercícios devem ser do mais simples até o mais complexo, observando as etapas evolutivas de todo o processo. Sendo assim, exercícios de deslocamentos laterais, com cones de balizamento, pequenos circuitos motores, darão a base de uma progressão funcional que, certamente, será de fundamental importância na recuperação da lesão.

CRITÉRIOS PARA O RETORNO INTEGRAL

30% a 40% das entorses do tornozelo por inversão resultam em reincidência. O retorno aos treinos deve ser precedido por uma progressão gradativa das atividades funcionais, aumentando gradativamente o estresse sobre o ligamento lesionado. É desejável que o retorno às atividades seja feito sem a necessidade de um apoio para o tornozelo. Entretanto, algum tipo de suporte pode ser utilizado inicialmente, como as bandagens funcionais para o tornozelo, que darão maior estabilidade para a articulação. Outro fator importante é a amplitude de movimento total, entre 80% a 90% de força pré-lesão. E, fundamentalmente, se a prática da atividade física for bem tolerada, sem estressar o ligamento lesionado, o retorno integral será bem sucedido.

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