A anatomia humana é a parte da biologia voltada para o estudo da forma e estrutura do organismo humano. Portanto, é a disciplina base ...

Anatomia e Biomecânica na Fisioterapia


A anatomia humana é a parte da biologia voltada para o estudo da forma e estrutura do organismo humano. Portanto, é a disciplina base para os cursos da área da saúde, contendo muitas vezes sua história confundida com o próprio surgimento da medicina.

A Biomecânica é um estudo de forças que atuam pelo corpo humano, e ela pode ser considerada como uma parte inerente à fisioterapia. Todo movimento é um efeito mecânico (físico).

Sempre que uma força diretamente ou indiretamente sobre o corpo humano, esses princípios físicos estarão envolvidos. Logo, este estudo é fundamental para a compreensão de situações estáticas e dinâmicas do movimento corporal, seja ele patológico ou são.

Por razões didáticas, primeiro discutiremos a anatomia e biomecânica, ao contrário de muitos profissionais preferem estudar protocolos de atendimentos prontos, e aqui quero convencê-los a serem críticos, a terem boas bases de discussão e análise diante de um caso.

Para tanto não é possível negligenciarmos a anatomia e a biomecânica. Costumo dizer que a fisioterapia é feita de detalhes, e a resposta para o caso do seu paciente com certeza estará no anatômico e/ou biomecânico.

Leis biomecânicas do corpo

É necessário que se compreenda todas soluções engenhosas adotadas pela biomecânica para que o nosso corpo obedeça a três leis responsáveis pelos esquemas de comprometimentos funcionais de um organismo:

Lei do Equilíbrio: Em nossa fisiologia, o equilíbrio corporal, em toda sua dimensão corporal (parietal, visceral, hemodinâmica e neurológico) e é sempre prioridade e as soluções encontradas que são sempre econômicas.

Lei do Conforto: O funcionamento de um corpo são, fisiológico é sempre confortável, já o comportamento de um corpo não fisiológico, estará sempre em busca da conservação do equilíbrio, tendo como prioridade a ausência de dor.

Lei da Economia: Esse corpo fará tudo para não sofrer, mesmo que esse esquema adaptativo comprometa a nossa mobilidade, levando a um desgaste excessivo de energia, e deformações corporais posteriormente.

Portanto, nosso corpo obedecera essas três leis, deve ser confortável, sem dor, equilibrado e de uma maneira econômica.

Entendendo essas três leis, fica lógico os esquemas de comprometimentos funcionais de um organismo, e principalmente nos atentarmos para a retroalimentação desses fundamentos.


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As articulações do ombro e da cintura escapular são fundamentais para a manutenção da grande amplitude de movimento que temos nos membro...

Funções da Cintura Escapular





As articulações do ombro e da cintura escapular são fundamentais para a manutenção da grande amplitude de movimento que temos nos membros superiores.  

Funções da Cintura Escapular

1) Ritmo escapuloumeral

O movimento da escápula, em sincronia com os movimentos do úmero, permite 150 a 180 graus de amplitude de movimento no ombro para flexão ou abdução com elevação. A mobilidade varia consideravelmente entre indivíduos normais, mas geralmente se aceita que seja de 2:1 (2 graus de movimento gleno-umeral para 1 grau de movimento escapular). O movimento sincronizado da escápula permite que os músculos que movem o úmero mantenham uma boa relação comprimento/tensão ao longo da atividade.

Os músculos que fazem a rotação para cima da escápula são o trapézio superior e inferior e o serrátil anterior. Fraqueza ou paralisia completa desses músculos leva a rotação para baixo da escápula pelo deltóide e supra-espinhoso contralaterais quando se tenta a abdução ou flexão.

A fraqueza ou má sincronização dos músculos que fazem a rotação para cima pode alterar a relação do úmero no espaço supra-umeral à medida que o braço é abduzido, levando a microtraumas dentro da articulação nos tecidos moles do espaço supra-umeral.

2) Elevação clavicular e rotação com movimento do úmero

Inicialmente, com rotação para cima da escápula, ocorrem 30 graus de elevação da clavícula na articulação EC. Então, à medida que o ligamento coracoclavicular se torna tenso, a clavícula roda 38 a 50 graus sobre seu eixo longitudinal, o que eleva a sua extremidade acromiana (porque é em formato de manivela). A escápula então roda mais 30 graus na articulação AC. A perda de qualquer um desses componentes funcionais irá diminuir a quantidade de rotação escapular e assim a amplitude de movimento do membro superior.

3) Rotação externa do úmero com elevação completa através da abdução

Para que o tubérculo maior do úmero libere o arco coracoclavicular, o úmero precisa rodar externamente à medida que é elevado além da linha horizontal. Uma rotação externa fraca ou inadequada resultará em compressão dos tecidos moles no espaço supra-umeral, provocando dor, inflamação, e eventual perda de função.

4) Rotação interna do úmero com elevação completa através da flexão

A rotação medial começa em torno dos 50 graus de flexão passiva do ombro quando todas as estruturas estão intactas. Com a amplitude completa de flexão e elevação do ombro, o úmero roda medialmente 90 graus.

A maioria dos músculos flexores do ombro são rotadores mediais do úmero. À medida que o braço se eleva acima da horizontal no plano sagital, a cápsula anterior e os ligamentos tornam-se tensos, levando o úmero a rodar medialmente.

A configuração óssea da face posterior da cavidade glenóide contribui para o movimento de rotação interna do úmero à medida que o ombro flexiona.

5) Deltóide – mecanismo da bainha rotadora curta e supra-espinhal

A maior parte da força do músculo deltóide provoca translação para cima do úmero; se não houver oposição ocorre colisão da cabeça do úmero com o arco coracoacromiano. O efeito combinado dos músculos rotadores curtos (infra-espinhal, redondo menor e subescapular) causa compressão e translação para baixo do úmero.

A ação do deltóide e dos rotadores curtos resulta em força dupla, o que provoca um giro da cabeça do úmero e abdução do úmero. O músculo supra-espinhal tem um efeito compressivo com leve translação para cima no úmero. Esses efeitos, combinados com o efeito da gravidade, levam a abdução do braço. A interrupção ou má coordenação de qualquer um desses músculos pode levar a mircrotraumas e eventual disfunção na região do ombro.


Músculos da cintura escapular

Trapézio: tem origem no osso occipital, ligamentum nuchae e processos espinhosos de C7 a T12. Desta origem extensas fibras musculares convergem para suas inserções sobre a extremidade acromial da clavícula, acrômio e espinha da escapula. É inervado pelo nervo acessório espinhal, e dividido basicamente em 3 feixes:

Feixe superior: acrômio-clavicular.
Ação: eleva a cintura escapular; impedindo a sua queda sob o peso de uma carga; As fibras correm para baixo e lateralmente.

Feixe médio: espinhoso direção transversal.
Ação: aproxima de 2 a 3 cm com a borda interna da escapula à linha das apófises espinhosas; leva a escapula contra o tórax e a cintura escapular para trás.

Feixe inferior: direção oblíqua para baixo e para dentro.
Ação: puxa a escapula para baixo e para dentro.
A contração simultânea dos três feixes age levando a escápula para dentro e para trás e fazendo com que ela gire para o lado 20º, papel modesto na abdução, mas importante no transporte de cargas pesadas e impede a queda do braço e o deslocamento da escápula.

Rombóide: origina-se no ligamentum nuchae e processos espinhosos das duas últimas vértebras cervicais e das quatro torácicas superiores e insere-se na borda medial da escápula. É inervado pelo nervo escapular dorsal e tem direção obliqua para o alto e para dentro.
Ação: puxa o ângulo inferior para o alto e para dentro, portanto atua elevando a escápula; fazendo rotação da escápula para baixo (a cavidade glenóide orienta-se para baixo); e fixa o ângulo inferior da escapula contra as costelas.

Angular ou elevador da escápula: tem direção obliqua para o alto e para dentro. Origina-se no processo transverso das vértebras cervicais superiores e insere-se na borda medial da escápula, acima da espinha, próximo ao ângulo superior. É inervado pelo nervo escapular dorsal.
Sua ação é semelhante a do rombóide, age atraindo o ângulo súpero-interno para o alto e par dentro em 2 a 3 Cm (ação de elevar os ombros); entra em contração por ocasião do portar uma carga; e faz ligeira rotação da cavidade glenóide para baixo.

Serrátil anterior: é um dos músculos mais importantes da cintura escapular. Este músculo recebe seu nome padrão de inserção serreado, ou em dente de serra, no lado ântero-lateral do tórax. É superficial neste ponto e pode ser palpado quando o braço estar sobre a cabeça. O músculo corre para trás para passar entre a escápula e a caixa torácica. Insere-se na face anterior da escapula ao longo da margem medial entre os ângulos superior e inferior. Como tem uma linha de tração quase horizontal para lateral na parte inferior da escápula, é eficiente na rotação da escápula para cima, uma outra função deste músculo é manter a margem medial da escápula contra a caixa torácica. Sem este músculo a margem medial afasta-se da caixa torácica que é chamada de escápula alada.

Músculo peitoral menor: situa-se profundamente ao músculo peitoral maior e é o único músculo do cíngulo do mundo superior localizado totalmente na face anterior do corpo. Origina-se da face anterior da terceira á quinta costela, perto das cartilagens costais e corre para cima até sua inserção no processo coracóide da escápula e sua ação é de abaixamento, protrusão e rotação da escápula.

Subclávio: este músculo tem origem na 1ª costela, tendo inervação no nervo subclávio, estabilizando a articulação esternoclavicular e se insere na clavícula. Tendo como ação puxar a clavícula para baixo.

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  É importante relembrar a origem do termo "mobilidade funcional", e para tal, o conceito de capacidade funcional se torna essenci...

Avalie a capacidade funcional do seu paciente!


 


É importante relembrar a origem do termo "mobilidade funcional", e para tal, o conceito de capacidade funcional se torna essencial. A capacidade funcional pode ser definida como a capacidade de manter as habilidades físicas e mentais necessárias para uma vida independente e autônoma (FIELDER; PERES, 2008). Tal capacidade reflete a condição de independência na realização das atividades do dia a dia (ACCIOLY et al., 2016). Dentro desse cenário, a mobilidade funcional pode ser definida como a habilidade física/motora de realizar movimentos que permitam tal autonomia e independência.

Com o avançar da idade cronológica, os processos de envelhecimento interferem, nas condições físicas de realizar tarefas cotidianas, como as atividades de vida diária (AVD). Assim como a diminuição da força muscular, da densidade óssea e muscular, e do equilíbrio, o declínio na capacidade de realizar AVDs é progressivo, sendo essencial diagnosticar tais déficits precocemente, de forma a ser possível reabilitar, ou mesmo prevenir uma diminuição da mobilidade funcional, evitando uma possível incapacidade funcional.

Existem muitas formas de avaliar a mobilidade funcional, desde a realização de AVDs monitoradas, por exemplo, por acelerêmetros ou mesmo por cinemetria, até testes específicos validados pela literatura para tal fim. Dentre os mais conhecidos, destaca-se o Timed Up and Go (TUG) (RAWLINS; CULYER, 2004) que consiste em levantar de uma cadeira, (de aproximadamente 46 cm), caminhar até uma linha reta a 3 metros de distância (em um ritmo auto-selecionado, porém seguro), virar, caminhar de volta e sentar-se novamente e o Functional Movement Screen (FMS) que identifica restrições e limitações durante sete tarefas de movimentos com diferentes exigências motoras (CUCHNA; HOCH; HOCH, 2016).

Testes realizados na avaliação funcional do movimento (FMS):


Pode-se notar que os testes citados acima, avaliam funcionalidade dos movimentos de forma ampla: desde a marcha e o sentar/levantar da cadeira (TUG), até mesmo habilidades básicas necessárias à realização de AVDs, como força, resistência e funcionalidade dos diferentes segmentos corporais (FMS). Outros testes podem ainda ser usados para avaliar a mobilidade funcional, como o teste de 6 minutos (DANIEL, BATTISTELLA, 2014), o Walk and Turn Test (DOWNEY et al., 2016), porém, vale ressaltar que independente dos testes escolhidos, é imprescindível levar em consideração que os protocolos avaliem todas as principais habilidades necessárias às diversas tarefas essenciais para a autonomia.

Segundo a OMS, uma opção, destinada não apenas a idosos, mas a abordar de forma ampla a saúde e a deficiência é a Classificação Internacional da Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF). A CIF é uma classificação da funcionalidade e da incapacidade do homem que agrupa, de maneira sistemática, os domínios da saúde e os domínios relacionados com a saúde. Dentro de cada componente, os domínios são agrupados de acordo com as suas características comuns (tais como, origem, tipo ou semelhança) e ordenados segundo essas características (FARIAS; BUCHALLA, 2005).

A avaliação da funcionalidade de movimento é essencial para manter a saúde física e mental de idosos, por permitir que sejam realizadas intervenções para diminuir ou prevenir a incapacidade funcional. Prevenir a incapacidade funcional é de extrema importância para manter a saúde mental e social de idosos. Diversos testes podem ser utilizados em sua avaliação, e qualquer um deles pode ser instrumentado como com o uso de acelerêmetros (G-Walk), eletromiografia, cinemetria...

Essas técnicas podem complementar o escore do teste com a informação de oscilação corporal e compensações utilizadas durante o movimento e assim, facilitar o diagnóstico precoce ou mesmo o reconhecimento de, em qual aptidão física deve-se focar a intervenção de forma a obter resultados de forma mais rápida e efetiva.

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REFERÊNCIAS:

ACCIOLY, M.F.; PATRIZZI, LJ.; PINHEIRO, S.P.; BERTONCELLO, D.; WALSH, I. A.P. Exercícios físicos, mobilidade funcional, equilíbrio, capacidade funcional e quedas em idosos. ConScientia e Saúde, v. 15, n. 3, 2016.

CUCHNA, J. W.; HOCH, M. C.; HOCH, J. M. The interrater and intrarater reliability of the functional movement screen: A systematic review with meta-analysis. Phys Ther Sport, v. 19, p. 57-65, 2016.

DANIEL, C. R.; BATTISTELLA, L. R. Uso do teste de caminhada de seis minutos para avaliar a capacidade de deambulação em pacientes com acidente vascular cerebral. Revista Acta Fisiátrica, v. 21, n. 4, p. 195-200, 2014.

DOWNEY, Luke A. et al. The Standardized Field Sobriety Tests (SFST) and measures of cognitive functioning. Accident Analysis & Prevention, v. 86, p. 90-98, 2016.

FARIAS, Norma; BUCHALLA, Cassia Maria. A classificação internacional de funcionalidade, incapacidade e saúde da organização mundial da saúde: conceitos, usos e perspectivas. Revista brasileira de epidemiologia, v. 8, n. 2, p. 187-193, 2005.

FIEDLER, M.M. e PERES, K.G. Capacidade funcional e fatores associados em idosos do Sul do Brasil: um estudo de base populacional. Santa Catarina, Brasil. Cad Saúde Pública v. 24 n.2, p.409-415, 2008.

RAWLINS, M.D.; CULYER, A.J. National Institute for Clinical Excellence and its value judgments. Bmj, p. 224-227, 2004.

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